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Semeadura de milho e soja à taxa variável de sementes

Ao realizar um planejamento de semeadura de milho, a quantidade de sementes a serem utilizadas é um dos fatores que os produtores ficam atentos. Isso porque, invariavelmente, ocorre sobreposição de sementes nos arremates e bordaduras dos talhões, resultando em um desperdício.

Devido aos altos custos de produção, diversos produtores estão explorando novas tecnologias para ajustar a utilização de sistemas de desligamento de seção. Os sistemas podem ser usados com diferentes implementos agrícolas como pulverizadores e semeadoras, controlando seções de bicos nos pulverizadores e linhas nas semeadoras.

Densidades de plantas que excedem a taxa ideal afim de maximizar a produtividade de grãos não apenas aumentam os custos de sementes, mas também podem reduzir os rendimentos. As perdas econômicas e de rendimento de regiões com sobreposição de sementes, podem ser reduzidas usando a tecnologia de controle automático de seção em semeadoras, nas bordaduras dos talhões e arremates (Figura 1).

semeadura de milho

Figura 1. Região sem desligamento de seção (A) e região com desligamento de seção (B). (Fonte: Internet)

Sistemas de semeaduras de milho

Os sistemas de semeadura de taxa variável são relativamente novos no mercado, com a maioria sendo introduzida desde 2005. Antes da disponibilidade de acionamentos hidráulicos, a maioria dos medidores de sementes da plantadeira mantinha o espaçamento das sementes por um acionamento fixo. O espaçamento envolvia o solo e girava a uma velocidade relativa à velocidade do solo da plantadeira. As taxas de semeadura foram alteradas de campo para campo ou de colheita para colheita, mudando o disco para uma placa com um número diferente de sementes por rotação ou alterando a proporção de dentes entre as rodas dentadas da corrente.

O principal benefício dos sistemas de semeadura em taxa variável é um aumento no rendimento. Onde o principal fator que impulsiona o desempenho econômico é a variabilidade do solo. Em áreas de produção muito uniformes, o retorno do investimento será baixo. Já em em áreas de produção heterogêneas com regiões de desempenho diferenciadas, o retorno do investimento será muito maior.

Além da redução no custo de sementes o sistema de desligamento de seção apresenta como vantagem o gerenciamento da distribuição de sementes, otimizando a gestão operacional da propriedade uma vez que exigem menos tempo de mão de obra para condução da semeadura.

As primeiras plantadeiras hidráulicas usavam um único motor hidráulico para acionar toda a plantadeira. Para reduzir custos, os sistemas mais novos incorporaram vários motores hidráulicos na plantadeira. No entanto, está disponível um corte de linha individual, utilizando um sistema de embreagem em cada unidade de linha que é capaz de desengatar o eixo de acionamento para reduzir ou eliminar a sobreposição de plantio em uma base de linha individual. A maioria dos sistemas hidráulicos não é adequada para o plantio de contornos ou em terraços, pois a seção da plantadeira acionada por cada acionamento hidráulico deve operar na mesma velocidade.

Os dois sistemas de desligamento de seção utilizados atualmente, que gerencia individualmente as linhas de semeadura e que realiza o controle por seções de plantio (ex.: 4 linhas de plantio equivale uma seção) por meio de embreagem pneumática, embreagem elétrica e sistema hidráulico. No entanto, semeadoras podem ser transformadas em semeadoras a taxa variável, ajustando a velocidade da unidade de medição de sementes. Isso efetivamente mudará a população da planta. A semeadura de taxa variável é realizada separando ou desconectando os sistemas de medidores de sementes da plantadeira da roda motriz do solo. Ao conectar um motor ou caixa de engrenagens (para alterar a velocidade da entrada da roda de terra), a taxa de propagação pode variar em movimento.

Segundo Corassa et al (2018a) e Dagios (2018) a área de sobreposição de semeadura varia entre 2,5 e 5,5% da área de plantio. Para o cultivo de milho o desligamento de seção proporciona um maior comprimento de espiga, aumento no número de grãos por espiga e maior peso de grão. De maneira geral para o cultivo de milho grão apresenta um incremento de 11 a 14% de produção nas regiões com desligamento de seção (Figura 2).

Figura 2. Espigas de milho em regiões com desligamento de seção (a) e espigas de milho em regiões sem desligamento de seção (b). Fonte: Dagios – 2018

A resposta do rendimento de soja à taxa de semeadura foi dependente do rendimento do ambiente de produção. A taxa ótima de semeadura aumentou conforme os ambientes de produção foi reduzido. A taxa de semeadura pode ser reduzida em 18% para ambientes de alta produtividade em relação a ambientes de baixo rendimento, sem apresentar redução na produção. A época do plantio interage com a resposta da produção à taxa de semeadura, em ambientes de alto rendimento, o plantio tardio diminuiu a produção independentemente da taxa de semeadura (CORASSA et al 2018b).

A semeadura em taxa variável de sementes reduz a taxa de sementes, identificando e semeando sementes apenas nas áreas que atendem aos requisitos de sementes. Os VRAs baseados em sensores são equipados com sensores de matéria orgânica do solo que detectam os diferentes níveis de conteúdo de matéria orgânica no solo e ajustam a população da planta de acordo (Figura 3). Os medidores de umidade do solo também são usados ​​para ajustes de profundidade e, assim, para ajustar a população da planta. A taxa de semente é variada ao conectar uma caixa de engrenagens ou um motor à semeadora de taxa variável de sementes.

semeadura de milho

Figura 3. Sensor de matéria orgânica do solo para semeadura em taxa variável. Fonte: Precision Planting – 2019

A maioria desses dispositivos será compatível com um mapa de prescrição e pode ter duas ou mais taxas. Um cenário de duas taxas pode ser um sistema que reduz as taxas de semeadura fora do alcance de um sistema de irrigação por pivô central, enquanto várias taxas podem ser necessárias para ajustar os tipos de solo (capacidade de retenção de água) e matéria orgânica.

Com o aumento do estudo para identificação da variabilidade que ocorre nas áreas de produção e definição de ambientes de produção começa a realizar estudos para semeadura de multi-híbridos/cultivares (Figura 4).

Figura 4. Exemplo de área plantada com multi-híbrido. Fonte: Internet

Na semeadora multi-híbrido/cultivar, dois ou mais híbridos/cultivares podem ser plantadas em um único campo a taxas de semeadura variáveis ou híbridos/cultivares são armazenadas em caixas de retenção separadas, das quais são medidas por várias unidades de medição de motores elétricos em um único tubo de semente ou transportador de correia/escova (Figura 5).

Figura 5. Um exemplo de unidade de linha de semeadora multi-híbrido/cultivar. Fonte: Sharda et al – 2018

Em um estudo avaliando a viabilidade da semeadura multi-cultivar de soja, Corassa et al (2018c) identificaram que o desempenho da variedade de soja é diferido de acordo com o ambiente de produção. Variedades de porte alto devem ser colocadas em ambientes de baixa produtividade, onde a redução e um aumento no número de vagens e no rendimento foi registrado, variedades de porte baixo devem ser colocadas em ambientes de alta produtividade, evitando o crescimento excessivo das plantas e a redução do rendimento. Dentro do campo de arranjo de variedades aumentou o rendimento em 2,1% e 11,5% para ambientes de alta produtividade e baixa produtividade, respectivamente.

As perspectivas para a semeadura a taxa variável são positivas. As suas técnicas podem proporcionar aos produtores e técnicos a reflexão sobre suas decisões de manejo, para que tenham mais sucesso e, o melhor, a partir dados coletados na própria propriedade. O aumento da adesão dos produtores à tecnologia é gradual e a precisão das ferramentas será aumentada conforme forem sendo entendidos os fatores principais que atuam na variabilidade espacial das áreas agrícolas.

Figura 6. Estrutura teórica para o arranjo de variedades de soja de acordo com a classe de rendimento (baixa e alta). Fonte: Corassa et al (2018c).

Referências Bibliográficas

  • Corassa et al., Planter Technology to Reduce Double-Planted Area and Improve Corn and Soybean Yields Agronomy Journal V. 110 (2018a) doi:10.2134/agronj2017.07.0380
  • Corassa et al., Optimum Soybean Seeding Rates by Yield Environment in Southern Brazil Agronomy Journal V. 110 (2018b) doi:10.2134/agronj2018.04.0239
  • Corassa, G.M., Santi, A.L., Amado, T.J.C. et al. Performance of soybean varieties difers according to yield class: a case study from Southern Brazil Precision Agric (2018c). doi.org/10.1007/s11119-018-9595-0
  • Dagios, Avaliação de sobreposição na semeadura do milho (Zea mays) utilizando semeadora de precisão – 2018 – Dissertação de Mestrado
  • D.K. Shannon, D.E. Clay, N.R. Kitchen, editors, 2018. Precision Agriculture Basics. ASA, CSSA, and SSSA, Madison, WI. doi:10.2134/precisionagbasics.2018.frontmatter
  • Ahmad, L., & Mahdi, S. S. (2018). Satellite Farming. doi:10.1007/978-3-030-03448-1

 

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