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Como melhorar a aplicação de produtos fitossanitários

Existem várias incógnitas em relação à tecnologia de aplicação. Qual o melhor bico? Qual a melhor vazão? Qual a melhor velocidade de aplicação? Entre várias outras, tudo isso, objetivando a melhor aplicação possível, reduzindo os fatores causadores da deriva, que são responsáveis por desviar os produtos do seu o alvo biológico (inseto, ácaro, planta daninha, fungos ou bactérias, dentre outras). Destacamos abaixo, algumas maneiras de reduzir seus efeitos e aumentar a eficiência da aplicação para algumas situações.

produtos fitossanitários

Foto: Alessandro Alvarenga

Altura da barra de pulverização do alvo

Quanto maior for a altura da barra em relação ao alvo mais a aplicação será afetada pela velocidade do vento. Sendo assim a deriva pode ser menor quando a gota percorre uma distância menor até chegar no alvo, entretanto quando reduzimos a altura da barra sem realizar a mudança nos espaçamentos dos bicos, pode-se produzir uma faixa sem o tratamento, principalmente se forem utilizadas pontas de jato leque. Este problema pode ser reduzido usando-se uma ponta de maior ângulo. 

Dessa forma, abaixando-se a barra deve-se observar se o leque está sendo formado. Para bicos comuns recomenda-se que a altura da barra deve ser igual ao espaçamento entre bicos. Assim, se os bicos estiverem espaçados a 50 cm, essa deve ser a altura da barra em relação ao alvo. 

Há uma fórmula básica para cálculo da altura mínima de barra para que a sobreposição seja adequada: Por exemplo, temos um bico com ângulo de 110 graus e espaçado a 50 cm, e considerando uma sobreposição de 40%, sendo assim: 

Temos que a altura mínima da barra para essa situação é de 52 cm e essa fórmula pode ser facilmente calculada com o uso de uma calculadora científica, e lembrando que a altura de barra é medida da barra até o alvo e não até o solo.

Pressão de pulverização

A pressão de pulverização exercida sobre o bico hidráulico fornece energia para quebrar a calda em gotas, e dessa forma podemos utilizar esse fator para regular o tamanho da gota pulverizada. Quanto maior a pressão exercida sobre a saída do bico, menores serão as gotas formadas e o contrário ocorre com a redução de pressão.

Então podemos dizer que reduzindo a pressão, a deriva é reduzida, uma vez que gotas maiores serão formadas. No entanto, se um bico é operado abaixo da pressão recomendada, a pulverização da calda será reduzida, fazendo com que haja uma baixa sobreposição e uma má distribuição ao longo da barra, formando algumas faixas que são visíveis no resultado quando se realiza a aplicação de herbicida. 

A maioria dos bicos opera adequadamente numa pressão de trabalho na faixa de 3 a 4 bar (45 a 60 psi). Deve-se trabalhar com a pressão indicada pelas empresas para evitar o desgaste acelerado dos componentes.

Tamanho das gotas

Não existe um tamanho de gota que seja o melhor em todas as situações, para escolhermos o tamanho de gota, temos que nos atentar a qual a finalidade da aplicação, qual o alvo a ser acertado, onde esse alvo se localiza, como exemplo, as diferentes lagartas na cultura da soja que tem hábitos distintos, as características do produto e quais as condições ambientais no momento da aplicação.

No entanto podemos estabelecer uma faixa ótima do tamanho de gota, que está entre 50 e 200 micras, sendo que, gotas menores que 50 micras facilmente são evaporadas e levadas pelo vento e maiores que 200 micras não fornecem uma boa cobertura do alvo.

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Aplicação com bico com indução de ar. Observa-se a menor deriva pelo aumento do tamanho das gotas formadas.(Foto: Alessandro Alvarenga)

Velocidade e direção do vento

Entre os fatores que afetam a qualidade de aplicação a velocidade do vento normalmente é a mais crítica de todas a condições meteorológicas, e deve ser sempre monitorada durante a aplicação. Quando há a formação de uma névoa que não atinge o alvo, e ela está sendo carreada com o vento, devemos nos atentar e realizar a mudança de bico para trabalhar com uma menor pressão e consequentemente produzir gotas maiores.

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Deriva observada por conta do uso de gotas finas em condições de vento, retirando o produto do alvo. (Foto: Alessandro Alvarenga)

Quanto maior a gota, menos afetada pelo vento será e mais rápido cairá, sendo assim a velocidade do vento ótima para aplicação varia entre 2 e 10 km/h, sendo que abaixo de 2 pode ocorrer a inversão térmica e acima de 10 o risco de deriva já aumenta muito, mesmo utilizando bicos que formam gotas maiores. 

A direção do vento é tão importante quanto à velocidade na redução do dano causado pela deriva. A presença de culturas sensíveis próximas ao local de pulverização deve ser levada em conta, e a característica do produto aplicado também, pois existem produtos muito voláteis, e estes podem causar prejuízos em culturas próximas, além de reduzir a quantidade de produto aplicado em sua área. 

Umidade e temperatura

Umidade relativa e temperatura atuam juntas afetando a deriva, provocando a evaporação da água e diminuindo o tamanho das gotas, quando a umidade é baixa e a temperatura é elevada. A temperatura influencia a deriva de outras maneiras, além de seu efeito na perda por evaporação das gotas. A volatilidade do produto aumenta com o acréscimo da temperatura. 

Com a diminuição do tamanho de gota pela alta temperatura e baixa umidade temos redução do efeito da aplicação, já que o produto aplicado estará mais concentrado, em caso de produtos com baixa solubilidade, ou em caso de produtos mais voláteis, estes podem ser levados com a evaporação e assim dificilmente serão absorvidos com eficiência pela planta. Recomenda-se realizar as aplicações com uma temperatura menor que 30°C e com uma umidade relativa maior que 50%, e essas condições são encontradas pela manhã e à noite.

Pontas de deriva reduzida

Os principais fabricantes de bicos de pulverização possuem em seu portfólio algumas  pontas de pulverização de baixa deriva. Estas pontas são projetadas para criar gotas médias a grossas com a mesma taxa de fluxo e pressão operacional que as de jato plano padrão. Um exemplo dessas pontas são as com indução de ar, que proporcionam a formação de gotas mais grossas, além do eletrovortex que  é um conjunto eletrostático  que carrega as gotículas com carga e tem uma assistência de ar para que estas atinjam as folhas das plantas com eficiência.

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Foto: Alessandro Alvarenga

  • Bicos com indução de ar
  • Bico 3D com indução de ar – Azul
  • Bico vermelho 035 com indução de ar

Referências bibliográficas

  • Aplicação de defensivos agrícolas- Agrolink – Link
  • Conheça as melhores práticas de aplicação de defensivos agrícolas- Jacto – Link
  • Calcular a altura mínima de barra para aplicação – Link

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