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Uso de adjuvantes em caldas de pulverização

O uso de defensivos agrícolas causa preocupações devido a exposições de trabalhadores, contaminação ambiental e impactos diversos nos ecossistemas, sendo a redução de seu uso um dos principais objetivos da tecnologia de aplicação.

A tecnologia de aplicação consiste na colocação correta do produto biologicamente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômica, com o mínimo de contaminação de outras áreas. Para que as gotas se depositem sobre os alvos, estas devem ser grande suficiente para atingir o alvo desejado, mesmo sofrendo alguma evaporação no deslocamento da ponta até a superfície do alvo, mas pequena suficiente para promover a cobertura necessária no alvo, para que assim, o princípio ativo tenha a ação esperada.

Para realizar uma aplicação bem sucedida de defensivos agrícolas, deve-se atentar à forma de aplicação, seleção de pontas, ajuste do volume de calda, formulação dos defensivos agrícolas, estrutura das plantas e condições de microclima. A dificuldade das aplicações provém da variedade e métodos de aplicação, diversidade de culturas, insetos, doenças e plantas daninhas, das propriedades físico-químicas de caldas, condições ambientais, segurança dos aplicadores, leis ambientais, além da viabilidade econômica. Os métodos de aplicação de defensivos agrícolas são basicamente por via sólida, líquida ou gasosa, sendo a aplicação via líquida a mais utilizada, tendo neste caso a água como o diluente mais comum.

Um composto químico com atividade fitossanitária raramente é aplicado de forma isolada. A formulação dos defensivos agrícolas é responsável por facilitar a dispersão homogênea deste composto nos veículos de aplicação. As aplicações agrícolas são afetadas por diversas variáveis relacionadas aos defensivos agrícolas, como a estabilidade, solubilidade, incompatibilidade, volatilização, formação de espuma, tamanho de gota, deriva, tensão superficial, cobertura, aderência, penetração, entre outros.

Adjuvantes

Os adjuvantes surgiram com o propósito de auxiliar outros materiais a serem mais eficientes e são utilizados em defensivos agrícolas para assegurar que cada gota de água contenha quantidade similar do ingrediente ativo, já que muitos destes não são solúveis em água.

São substâncias que facilitam a aplicação, reduzem perdas e riscos, melhoram o desempenho do defensivo agrícola ou modificam as características físicas das misturas, com exceção da água.

Através de mudanças das propriedades físicas e químicas, os adjuvantes podem influenciar os processos de formulação de defensivos agrícolas (compatibilidade, solubilidade, estabilidade e formação de espuma), pulverização (deriva e evaporação), retenção (reflexão e adesão), modificar a deposição (molhamento, espalhamento e solubilização) e penetração. Suas funções são descritas como molhante, adesiva, espalhante, espumante, anti-espumante, dispersante, redutor de deriva e também como responsável pelo aumento da atividade biológica dos defensivos agrícolas. 

Os adjuvantes são provavelmente o grupo menos compreendido dentre os químicos utilizados na agricultura e diferenças sobre a terminologia destes produtos é esperada.

Tabela 1. Classificação dos adjuvantes.

adjuvantes

Deposição e evaporação de gotas

A eficiência das aplicações de defensivos agrícolas é frequentemente relacionada com o espalhamento e a evaporação das gotas aplicadas, e pode ser reduzida se o ingrediente ativo não se espalhar de forma uniforme sobre o alvo. A fragmentação da calda em gotas aumenta a superfície exposta do líquido, o que contribui para a evaporação.

O uso de gotas grandes minimiza perdas por deriva e evaporação, no entanto, proporcionam menor cobertura quando comparadas às gotas mais finas. A Tabela 2 exemplifica teoricamente o número de gotas esféricas resultantes da fragmentação de um volume de 1 litro em gotas de diversos diâmetros, além do somatório da área das gotas (número de gotas vezes a área).

Tabela 2. Diâmetro de gota, área correspondente, número de gotas equivalente a fragmentação de 1 litro e área total das gotas.

adjuvantes

Perdas de massa pela evaporação tornam as gotas mais susceptíveis ao arraste por correntes de ar ou a evaporação total antes de atingir o alvo. Os problemas relacionados à evaporação de gotas necessitam de atenção, principalmente pelo fato que a água é volátil e é o veículo mais utilizado em aplicações.

Altas temperaturas, antes e depois da aplicação, aumentam a penetração de agrotóxicos através da cutícula da planta, no entanto, também aumenta a volatilização dos líquidos e podem aumentar a evaporação das gotas a um ponto de cessar a penetração do defensivo agrícola.

Tabela 3. Limites de temperatura e umidade relativa do ar para diferentes tamanhos de gotas.

Fonte: Antiniassi et al. (2005).

A umidade do ar tem grande efeito na aplicação de agrotóxicos foliares, principalmente sobre a cutícula da planta e também sobre a evaporação e deposição das gotas. 

Entre as funções descritas dos adjuvantes, está a de modificar as propriedades físico-químicas da calda de pulverização, que compreende o grupo dos adjuvantes ativadores, sendo estas propriedades a tensão superficial, densidade, viscosidade, volatilidade e solubilidade, e geralmente são influenciadas particularmente por surfactantes.

A Figura 1 apresenta as imagens obtidas durante a evaporação das gotas, desde o momento que a gota foi depositada (Figura 1a e b), até o momento final (Figura 1 g e h), o aumento inicial da área molhada da gota (Figura 1 d), e a redução da altura neste mesmo momento (Figura 1 c). Na maior parte das observações realizadas, somente após a redução quase total da altura a área foi reduzida (Figura 1 e, f, g e h).

Figura 1. Comportamento da evaporação de uma gota ao longo do tempo. Imagens da câmera lateral (a, c, e, g) e da câmera perpendicular (b, d. f. h).

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Diante do que foi apresentado faz-se necessário uma boa escolha de adjuvante, auxiliando na pulverização de defensivos agrícolas. Estes devem ser associados de acordo com as condições ambientais e eficácia em associação de herbicidas, inseticidas e fungicidas favorecendo com que o mesmo tenha sua melhor performance.

Referências Bibliográficas

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