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Mancha-amarela na cultura do trigo

Um dos maiores entraves de qualquer lavoura é a incidência de doenças. No caso dos cereais, existem muitas delas e, de modo geral, os sintomas mais visíveis são as manchas. Neste artigo, abordaremos uma das principais em trigo: a mancha-amarela, ressaltando sua identificação e controle.

O passo primordial, antes mesmo da sua identificação, é ter a segurança no uso de sementes de qualidade.

Se mesmo assim, doenças como a mancha-amarela surgirem na lavoura, é necessário ficar atento, afinal, os danos são muitos. Quando o assunto é a proteção, conhecer bem a cultivar, saber executar um bom manejo, identificar com precisão as doenças, pode ser a base para trazer sucesso à sua lavoura.

No caso do trigo, que é uma cultura de inverno, boa parte de suas doenças são fúngicas, favorecidas pelo clima e umidade. Portanto, o cuidado precisa ser redobrado.

Impacto da mancha-amarela

A ocorrência de doenças da parte aérea na cultura do trigo pode causar reduções significativas na produtividade e na qualidade de grãos. 

A magnitude dos danos causados depende da suscetibilidade da cultivar, agressividade do patógeno, estádio de desenvolvimento da cultura no momento da infecção e das condições ambientais de cada ano e local. 

Mancha-amarela na cultura do trigo

Entre as doenças foliares do trigo, a mancha-amarela, causada pelos fungos Drechslera tritici-repentis e Drechslera siccans, aumentou significativamente em importância nos últimos anos, sendo encontrada em mais de 60% de levantamentos efetuados em campo.

Fontes de inóculo

As principais fontes de inóculo para a mancha-amarela são as sementes infectadas, os restos culturais e hospedeiros alternativos (azevém). 

Os ascósporos e conídios, provenientes das fontes de inóculo, são os responsáveis pelo estabelecimento das lesões iniciais. Posteriormente, a produção de toxinas que causam clorose e necrose resulta no crescimento das lesões e contribui para o aumento da epidemia.

Sintomas da doença

Os sintomas iniciais da doença são pequenas lesões, pontuações escuras, e evoluem para necroses com coloração marrom e halo amarelo, uma característica resultante da produção de toxinas do fungo. 

Como componente do processo epidêmico da mancha-amarela, a expansão de lesão deve ser considerada na definição de estratégias de controle para a doença. 

Estas lesões são elípticas, podendo atingir 12 mm de comprimento e são circundadas por um halo amarelo. Conidióforos e conídios longos são formados no centro das manchas.

Reduzindo a incidência

Em áreas com problemas de mancha-amarela, a rotação de culturas não hospedeiras (aveia, nabo forrageiro, canola) por pelo menos um ano, pode ser eficiente para reduzir a quantidade de inóculo no campo, bem como o uso de sementes com boa qualidade sanitária.

Sempre que possível deve-se optar pelo uso de cultivares menos sensíveis à doença. 

Controle químico

O tratamento de sementes com fungicidas é outra ferramenta importante, e deve ser realizado sempre que houver presença do patógeno na área ou na semente. 

A aplicação foliar de fungicidas para controle da mancha-amarela é indicada após o aparecimento dos primeiros sintomas, quando atingido o limiar de dano econômico.

A maioria dos fungicidas foliares utilizados para o controle de mancha-amarela possuem os grupos químicos triazol ou estrobilurina, ou a mistura de ambos. 

Os fungicidas utilizados são: 

  1. Piraclostrobina + epoxiconazol (66,5+25 g i.a./ha);
  2. Azoxistrobina + ciproconazol (60+24); 
  3. Trifloxistrobina + protioconazol (60+70); 
  4. Propiconazol (100) e 
  5. Epoxiconazol (62,5) nos estádios de perfilhamento, elongamento e florescimento.

Mancha-amarela na cultura do trigo

Fonte: Deuner (2013)

Testes e resultados de tratamentos

A melhor eficiência de controle foi constatada para o tratamento com a primeira aplicação de trifloxistrobina + protioconazol com adição do propiconazol e as duas subsequentes de trifloxistrobina + protioconazol, com eficiência de 72%.

Os maiores rendimentos foram observados nos tratamentos: três aplicações da mistura piraclostrobina + epoxiconazol (5.034,1 kg/ha); mesma mistura com adição de propiconazol na primeira aplicação (5.072,5 kg/ha); aplicações de trifloxistrobina + protioconazol, com propiconazol adicionado na primeira aplicação (4955,0 kg/ha).

As manchas foliares são melhores controladas pelos triazóis, respondendo positivamente à adição de mais triazol à mistura (triazol + estrobilurina). 

Esse procedimento é fundamental em cenários favoráveis às manchas foliares, como cultivares suscetíveis, monocultura de trigo e condições ambientais favoráveis. 

Segundo a indicação técnica da pesquisa do trigo (REUNIÃO, 2006), considera-se um bom controle, quando o fungicida apresenta eficiência superior a 70%, e controle regular quando a eficiência fica entre 50% e 70%.

Atenção!

O processo de melhoramento, por meio de seleção natural, ocorre a cada ano, a cada ciclo e novo cultivar. Isso significa que patógenos também evoluem com as plantas, o que torna seu controle cada vez mais difícil.

É necessário um planejamento desde a escolha da cultivar e testes de pureza, pois como você viu neste artigo, o inóculo da mancha-amarela vem principalmente de sementes infectadas com plantas hospedeiras.

Ter o conhecimento das doenças, bem como seu controle ou combate, pode significar a proteção da sua lavoura, ou prejuízo quando a mesma não suporta os danos causados pelos patógenos. 

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