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Lama no confinamento: como lidar e os principais impactos na pecuária de corte

A lama no confinamento é um dos maiores desafios enfrentados por pecuaristas, técnicos e gestores durante o período chuvoso. Além de comprometer o conforto e o desempenho dos animais, esse problema afeta diretamente a eficiência econômica e a sustentabilidade do sistema.

Saber identificar, manejar e prevenir o excesso de lama é essencial para manter a produtividade e proteger o investimento realizado na operação de engorda intensiva.

Neste artigo, você entenderá por que a lama se forma, quais são seus principais impactos, e aprenderá como manejar o confinamento para reduzir prejuízos e aumentar o retorno financeiro.​

O que é a lama no confinamento e por que ela se forma?

A lama é o resultado da combinação de chuvas, dejetos e pisoteio do gado sobre o solo dos currais. Em situações normais, pequenas áreas úmidas são toleráveis, mas quando o acúmulo de água e matéria orgânica ultrapassa a capacidade de drenagem do piso, o local se transforma em um ambiente lodoso e insalubre.

Entre os principais fatores que favorecem a formação de lama no confinamento estão o excesso de chuva sem drenagem adequada, o solo argiloso com baixa infiltração, a compactação do terreno e a superlotação dos currais, além da ausência de um bom manejo de dejetos​.

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Principais impactos da lama no confinamento

A lama é mais do que um incômodo visual: trata-se de um forte fator limitante zootécnico e econômico, afetando desempenho, sanidade, ambiente e lucro.

Impactos no desempenho animal

A lama reduz o ganho médio diário, dificulta o acesso ao cocho e aumenta o gasto energético do gado, já que os animais precisam fazer mais esforço ao se locomover. Como consequência, há menor consumo de ração e pior conversão alimentar.

Estudos indicam que lotes expostos à lama constante podem perder até 7% de peso com lama rasa e até 35% com lama profunda, mesmo recebendo a mesma dieta​.

  • Menor ganho médio diário;
  • Menor consumo de ração e pior eficiência alimentar​;
  • Maior gasto energético na locomoção.

Impactos sanitários e ambientais

O ambiente úmido e sujo favorece o surgimento de pododermatites, afecções de casco e outras doenças bacterianas, além de diarreias e problemas respiratórios. Há ainda maior proliferação de moscas e parasitas, com impacto direto no bem-estar e na imunidade dos animais.

Do ponto de vista ambiental, a lama no confinamento aumenta o risco de contaminação de lençóis freáticos e cursos d’água, além de intensificar emissões de metano e óxido nitroso a partir dos dejetos acumulados​.

Impactos econômicos

O impacto financeiro é expressivo, pois se somam aumento de gastos com medicamentos e assistência veterinária, queda na eficiência alimentar e retrabalho na manutenção dos currais. Em confinamentos de médio e grande porte, perdas entre R$ 300 e R$ 500 por animal são relatadas em situações críticas de lama profunda​.

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Como manejar e reduzir a lama no confinamento?

Controlar o problema exige um conjunto de boas práticas estruturais, de manejo de dejetos, de manejo do gado e de adoção de tecnologias​.

Estruturação física e drenagem

O ponto de partida está no planejamento do terreno. Currais com declividade entre 2% e 5% favorecem o escoamento da água, evitando a formação de poças. A instalação de valas, canaletas e drenos laterais é essencial para direcionar o fluxo para áreas de contenção, reduzindo a lama no confinamento em períodos de chuva.​

  • Relevo com leve inclinação para escoar a água;
  • Canaletas e drenos bem dimensionados;
  • Uso de cascalho ou brita nas áreas de maior pisoteio.​

Manejo de dejetos e resíduos

A remoção periódica dos dejetos evita a formação de camadas espessas de lama misturada a fezes e urina. O esterco pode ser levado para pátios de compostagem, resultando em adubo orgânico para uso em pastagens ou lavouras da fazenda, transformando um passivo em ativo​.

Estratégias de manejo do gado

Ajustes no manejo dos animais também ajudam a reduzir a lama no confinamento.

Reduzir a densidade de cabeças por metro quadrado, realocar lotes para currais mais firmes, proteger áreas de cocho e bebedouro com piso cimentado ou drenante e criar áreas de descanso elevadas são medidas que melhoram o conforto e diminuem o desgaste físico.

Soluções tecnológicas e boas práticas

Tecnologias como pisos drenantes modulares, coberturas parciais sobre cochos e estações meteorológicas conectadas permitem antecipar ações e diminuir a formação de lama.

Experiências relatadas em confinamentos no Brasil Central mostram que o manejo integrado da lama e da poeira pode reduzir até 35% das perdas associadas à má condição de piso​.

Custos e retorno do investimento no controle da lama

Apesar de exigir investimento inicial, as melhorias estruturais trazem retorno rápido por meio de melhor desempenho e menor custo sanitário​.

Tabela com custos estimados e retorno esperado do investimento em melhorias no confinamento

Essas estratégias, quando aplicadas em conjunto, oferecem retorno sobre o investimento entre 6 e 18 meses, dependendo do tamanho da fazenda, da intensidade de uso do confinamento e do regime de chuvas da região.​

Medidas emergenciais em períodos de chuva intensa

Quando o confinamento já está encharcado, algumas ações emergenciais podem reduzir rapidamente os prejuízos causados pela lama no confinamento.

  • Aplicar cascalho ou resíduos como pneus cortados nas áreas mais pisoteadas;
  • Reduzir temporariamente a lotação de alguns currais;
  • Priorizar áreas mais secas para os animais mais pesados;
  • Intensificar a limpeza.

Boas práticas de longo prazo

A prevenção é o caminho mais eficiente para evitar lama no confinamento ano após ano. Planejar instalações com foco em drenagem, dimensionar corretamente área por animal, treinar a equipe em rotinas de inspeção e integrar o sistema a programas de gestão ambiental são ações que tornam o confinamento mais resiliente e rentável.

Conclusão

A lama no confinamento é um problema sério, mas perfeitamente controlável com planejamento estruturado, manejo adequado e uso inteligente de tecnologia. Seus efeitos atingem diretamente o desempenho, a sanidade, o ambiente e a rentabilidade da pecuária de corte, mas, quando tratada como prioridade de gestão, torna-se uma grande oportunidade de ganho em eficiência.

Investir em prevenção e correção é investir em bem-estar animal, produtividade e retorno econômico em toda a cadeia da fazenda.

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Autoria: Equipe Corte Rehagro.

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