Rehagro Blog

Impacto da adubação nitrogenada em milho

O milho é uma das culturas de maior impacto econômico no mundo. A cada nova safra, as expectativas são de aumento produtivo. Para atingir as demandas de mercado, produtores têm recorrido ao equilíbrio fértil do solo.

No quesito fertilidade, os maiores destaques são: Nitrogênio (N), Fósforo e Potássio. O milho é um dos cereais que mais consomem o N, sendo que 70% do que é requerido pela cultura, vai para os grãos. Isso significa, portanto, de 25 a 27 kg de N por tonelada de biomassa produzida (SANGOI et al., 2016).

Quando o produtor opta pelo Sistema de Plantio Direto (SPD), a avaliação da biomassa é ainda mais importante, afinal, o sistema não permite muitos revolvimentos.

Qualidade do solo

A estabilidade de produção das culturas e a qualidade do solo no SPD são influenciadas pelo aporte de biomassa no sistema. 

Alta quantidade de palha, com elevada porcentagem de cobertura do solo, é fundamental para a sustentabilidade do SPD, porquê:

  • Reduz a amplitude térmica;
  • Melhora a manutenção hídrica;
  • Protege o solo contra a erosão;
  • Reduz a incidência de plantas daninhas;
  • Melhora o desempenho agronômico do sistema de produção visando a produção de grãos. 

No Brasil, o consórcio de culturas com plantas de cobertura no outono/inverno é uma alternativa promissora para elevar a quantidade de palha e a ciclagem de nutrientes no SPD, permitindo maior retorno econômico. 

Nesse contexto, o consórcio mais promissor no Brasil é o milho segunda safra com espécies de braquiária.

adubação nitrogenada em milho

Figura 1. Consórcio milho com braquiária – Fonte: Alessandro Alvarenga

Adubação nas safras de milho e soja

Nas últimas safras, muitos produtores têm optado pela redução ou supressão total da adubação nitrogenada no milho segunda safra, a fim de reduzir custos e o risco inerente à atividade. 

Um fato desconsiderado, porém, é o possível efeito benéfico da adubação nitrogenada no milho sobre a soja em sucessão. 

A aplicação de N mineral em culturas de entressafra da soja pode aumentar a produtividade da soja, em função da redução da relação C/N da palhada, consequente disponibilização de nutrientes à soja semeada em sucessão. Isso também ajuda a potencializar a ciclagem de outros nutrientes.

O aumento da densidade de plantas de milho pode estimular o aprofundamento do sistema radicular, maior acúmulo de biomassa e nutrientes na parte aérea, o que pode ser intensificado com a adubação nitrogenada de cobertura.

O incremento na densidade de plantas de milho também possibilita reduzir a competição interespecífica exercida pelas plantas que, eventualmente, são inseridas em consórcio, principalmente espécies de braquiária.

Para conseguir que o sistema de sucessão soja/milho seja sustentável, é preciso:

  1. Entender as interações entre o consórcio de plantas de milho segunda safra com braquiárias;
  2. Saber aplicar o N em cobertura no cereal;
  3. Saber a densidade de plantas de milho no sistema produtivo.

Esse tipo de ação acaba gerando expressivos benefícios econômicos e ambientais.

Comparativo produtivo de soja e milho com Nitrogênio

A adubação nitrogenada no milho segunda safra, que nos últimos anos têm sido reduzidas pelos produtores, em função do alto risco agrometeorológico e baixa resposta da cultura do milho à adubação nitrogenada nessa fase, pode ser um fator depreciativo no contexto de rendimento do “sistema de produção”.

Diferentemente da adubação nitrogenada na soja, a adubação nitrogenada no milho proporciona aumento de, aproximadamente, 220 kg ha-1 na produtividade da soja em relação a não adição de N.

A aplicação de N no milho segunda safra aumenta a produção de massa seca, bem como a produtividade da cultura da soja em sucessão. 

À medida que se eleva a densidade de plantas de milho, há aumento na produção de massa e redução da massa seca da braquiária. Densidades de plantas de milho superiores a 60 mil plantas ha-1, reduz o impacto negativo da competição interespecífica exercida pela braquiária sobre o milho em consórcio.

Plantio direto

A sucessão soja-milho em plantio direto é o sistema de produção predominante nas áreas agrícolas do Brasil.

Nesse sistema, o milho cultivado no verão-outono se beneficia dos créditos de nitrogênio dos restos culturais da soja, mas normalmente apresenta menor potencial produtivo por não dispor de condições climáticas ideais nessa época, as quais tendem a piorar ainda mais com o atraso na data de semeadura.

Nesse contexto, os estudos de resposta a N pelo chamado milho segunda safra têm apresentado resultados variáveis, gerando dúvidas sobre o melhor manejo para a cultura.

adubação nitrogenada em milho

Figura 2. Milho safrinha em plantio direto – Fonte: 3rlab

Diferentes ambientes de cultivo com milho de segunda safra sob SPD no Brasil, apresentam padrões distintos de resposta à adubação nitrogenada. 

A aplicação de N na semeadura impacta nos ganhos em produtividade, reduzindo ou até mesmo suprimindo o efeito da adubação de cobertura. 

O aumento no número de parcelamentos onera o custo de produção. A não aplicação de N proporciona menor retorno econômico na cultura do milho. 

Nutrição na cultura do milho

Nas últimas décadas, os principais fatores que contribuíram para os ganhos em produtividade da cultura do milho foram, principalmente, a maior aplicação de fertilizantes nitrogenados aliada ao aumento na população de plantas e ao melhoramento genético. 

O manejo e recomendação do N são complexos, em virtude da multiplicidade de reações químicas e biológicas a que está sujeito. São dependentes das condições edafoclimáticas, podendo ocorrer perdas por:

  • Lixiviação;
  • Volatilização;
  • Desnitrificação;
  • Erosão, quando manejado inadequadamente.

O milho é um dos cereais mais cultivados do mundo. Ele assume grande importância no cenário social e econômico em função de seu:

  • Valor nutritivo;
  • Adaptabilidade a distintas condições edafoclimáticas;
  • Adaptabilidade aos altos rendimentos possíveis de serem alcançados. 

Milho: preço e valor de mercado

Os preços do milho acompanham os movimentos da oferta, estabelecendo flutuações de acordo com os períodos de safra e entressafra.

Dentre os principais fatores que influenciam o processo de formação do preço do milho, destacam-se: 

  1. Oferta e demanda no mercado interno;
  2. Oferta e demanda dos países produtores e exportadores;
  3. Política de financiamento de custeio;
  4. Política de gerenciamento de preços mínimos;
  5. Custo de produção;
  6. Fluxo de formação do comércio;
  7. Políticas de importação e taxas de juros e de câmbio.

O entendimento acerca da fertilidade do solo, o qual a cultura se sustentará por toda a safra, é o que pode trazer maiores benefícios ao produtor.

Há cerealistas produzindo acima de 15 toneladas por hectare de milho! Aqueles, porém, com baixa fertilidade e adubações inadequadas, acabam produzindo abaixo da média nacional.

Entender as exigências nutricionais da cultura, fará total diferença na tomada de decisões, nos investimentos e nas metas produtivas. 

O nitrogênio, como você pôde conferir, é um dos macronutrientes de maior impacto na produção do milho. Mas qual usar? Em que época e qual a necessidade nutricional dele para o milho?

Você pode conferir no artigo a seguir:

Boa leitura.

Comentar