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Geada no cafezal

A geada é um fenômeno que provoca a morte da planta ou de parte dela devido ao abaixamento da temperatura (CARVALHO et al., 2014). Uma noite típica de geada no cafezal inicia-se com baixas temperaturas, céu limpo (sem a presença de nuvens) e noites sem vento, dessa forma a radiação é perdida mais rapidamente.

Geada no cafezal

Diferença de geada branca e geada negra

A geada branca se forma em condições de elevada umidade do ar e decorrem do congelamento do orvalho ou sublimação do vapor, sendo caracterizadas pela presença de cristais de gelo sobre a superfície.

Geada no cafezal

Figura 2. Geada branca em folha de cafeeiro no município de Nova Resende – MG (Foto: Diego Baquião).

Geada no cafezal

Figura 3. Geada branca em folha de cafeeiro no município de Nova Resende – MG (Foto: Diego Baquião).

Já a geada negra é formada em condições de menor umidade relativa, havendo congelamento da água no interior das células das plantas, o que ocasiona morte do tecido vegetal da planta. Esse tipo de geada provoca danos as plantas, porém sem haver a formação de orvalho congelado na superfície dos vegetais (BISCARO, 2007; SNYDER; MELO-ABREU, 2005). As geadas negras são bastante prejudiciais, uma vez que afetam o interior da planta, sendo esse o tipo de geada que devastou as plantações do Paraná no ano de 1975.

Geada de canela

A geada de canela é um tipo de geada em que o ar frio que escoa em baixo da planta provoca morte dos vasos condutores do caule, dessa forma, a parte aérea não recebe nutrientes das raízes.

Resistência das plantas a geada

Vários são os fatores que influenciam na resistência das plantas a geada, um deles é o estádio de desenvolvimento, em que nas fases de frutificação e maturação, a atividade fisiológica é maior, acarretando assim em maiores danos, ao passo que, uma injuria em plantas com menor atividade fisiológica causa menos danos.

O estado nutricional também influencia na resistência das plantas a geada, nesse sentido, quando se tem maior concentração de potássio diminui a temperatura de congelamento no interior da folha.

Medidas preventivas

Como medidas preventivas primeiramente é importante estar atento a escolha da área para o plantio do café, evitando o plantio em baixadas e encostas baixas, devido ao acumulo de ar frio nessas partes mais baixas, assim como o plantio em terrenos côncavos, devendo preferir o plantio em terrenos convexos, conforme a figura (Figura 4). Também a exposição do terreno é importante, devendo preferir as faces voltadas para norte e nordeste, e evitar o plantio nas faces voltadas para o sul e sudoeste, por serem menos expostas à radiação solar no inverno (Figura 4).

Figura 4. Esquema para escolha do local para o plantio de café.

Além disso, deve-se estar atento ao local em que se encontra a vegetação de porte alto, devendo-se evitar a vegetação densa e alta a jusante, ou seja, abaixo da lavoura, uma vez que a mesma impedira a passagem de ar frio. Dessa forma, medidas como limpar a vegetação que se encontra abaixo da cultura faz com que ocorra a drenagem do ar frio. Por outro lado, é recomendado manter a vegetação de porte alto acima da lavoura, a montante, para evitar a entrada do ar frio formado acima da lavoura (Figura 5).

Figura 5. Esquema para disposição correta e incorreta da vegetação densa a alta no campo.

Além disso, manter a cultura no limpo, é uma medida recomendada para se realizar quando se tem risco de geada, isso porque a vegetação no solo faz com que o solo não receba calor durante o dia. Também, a eliminação da palhada é recomendada nesses casos, uma vez que a palhada apresenta baixa condutividade térmica e baixa capacidade calorífica, dessa forma, ela aquece rapidamente, e também esfria rapidamente. Portanto, em casos de risco de geada não é recomendada manter a braquiária na entrelinha do cafeeiro para cobrir o solo, nem mesmo a palhada da braquiária, mantendo o solo nu nas entrelinhas.Geada no cafezal

Figura 6. Entrelinha do cafeeiro mantida no limpo (Foto: Diego Baquião).

A boa condução da lavoura também é uma medida preventiva, visto que, uma lavoura bem cuidada oferece uma maior resistência a geada.

Como medidas diretas para minimizar os efeitos das geadas podemos citar a pulverização com sulfato de potássio. Nas propriedades que dispõe de irrigação, devem fazer o uso da mesma, pois o processo umidifica o ar e eleva o ponto de congelamento. 

Também, o chegamento de terra junto ao tronco de cafeeiros é uma prática para proteger as plantas da canela de geada. Em que, caso ocorra a geada, a terra protege as gemas ortotrópicas e mesmo que as folhas e ramos plagiotrópicos sejam afetados, haverá rebrota. Foi realizado um experimento em Londrina – Paraná, a fim de avaliar os efeitos do tempo de permanência de terra em contato com o tronco, no crescimento de cafeeiros jovens durante o período sujeito a geadas, e a eficiência desta prática na proteção contra o fenômeno chamado de “canela de geada”.

Por meio desse estudo, foi observado que o tempo de permanência do solo junto ao tronco não interferiu no crescimento das plantas. Já em relação aos tratamentos cujos caules das plantas foram protegidos antes da ocorrência das geadas, estes não apresentaram nenhuma planta com sintomas de “canela de geada”, enquanto que nos demais, em que as plantas não foram protegidas, houve pelo menos uma planta afetada (CARAMORI & CHAVES, 1984).

Figura 7. Chegamento de terra junto ao tronco do cafeeiro jovem. (Fonte: CARAMORI & CHAVES, 1984).

O que fazer após a geada

Após a ocorrência da geada, não é possível verificar exatamente até onde queimou, e os estragos causados para se tomar a decisão do que deverá ser feito no momento. Dessa forma, é necessário esperar para que os danos apareçam e se tome a melhor decisão, sendo assim, não é recomenda a poda imediata logo após a geada em lavouras de café. 

Portanto, após o aparecimento dos danos causados pela geada e dependendo da sua intensidade é recomendado a realização de podas mais leves ou podas mais drásticas, como é o caso da recepa, ou mesmo não ser recomendado nenhum tipo de poda, e realizar apenas desbrotas.

Figura 8. Danos observados nas lavouras de café devido a ação da geada. (Foto: Luiz Paulo Vilela).

Referências:

  • BISCARO, G. A. Meteorologia Agrícola Básica. 1 ed. Cassilândia: Ed. UNIGRAF, 2007.
  • CARAMORI, P. H.; CHAVES, J. C. D. Proteção de cafeeiros jovens contra os efeitos de geadas. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 19, n. 6, p. 665-668, 1984.
  • CARVALHO, L. G.; DANTAS, A. A. A.; CASTRO NETO, P. Agrometeorologia: Geada e plantas cultivadas. Lavras, UFLA, 2014.
  • MATIELLO, J. B.; ALMEIDA, S.R. Deu geada no cafezal, não façam podas já. Engs Agrs Mapa-Procafé, REVISTA DO CAFÉ, 2016. 24p. Disponível em: http://www.cccrj.com.br/revista/839/24.pdf. Acessado em: julho 2019.
  • SNYDER, R.L.; MELO-ABREU, J.P de. Frost protection: fundamentals, practive and economics. Roma: FAO – Environment and Natural Resources Series, 2005. 

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