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Dietas TMR e PMR: você conhece as diferenças entre elas?

Nutrição de precisão é um conceito ecologicamente correto e que vem sendo trabalhado ainda mais na produção de leite para promover padrões de bem-estar animal para vacas leiteiras.

A seleção genética de longo prazo para vacas de alta produção tem mostrado um aumento da suscetibilidade a doenças metabólicas, devido ao fornecimento negativo de nutrientes perante a crescente demanda por energia, proteína e demais nutrientes.

A nutrição de precisão visa ajustar a alimentação de forma precisa às necessidades individuais das vacas e nos índices de produtividade do rebanho.

 

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O ajuste das dietas, incluindo forragens (mínimo de 30% do consumo de matéria seca total) e concentrados (máximo de 70% do consumo de matéria seca total), deve ser fundamentado em análises mantidas no banco de dados da fazenda.

Isso permite uma tomada de decisão mais precisa do ponto de vista financeiro, não apenas baseada na disponibilidade de alimentos e nutrientes por quilograma de matéria seca.

Para auxílio na nutrição o uso de TMR (Total Mixed Ration) e PMR (Parcial Mixed Ration), que significam Ração Totalmente Misturada e Ração Parcialmente Misturada respectivamente, são essenciais para esta assertividade.

Nesse texto iremos tratar sobre a TMR e a PMR, destacando suas principais diferenças e vantagens de cada um dos métodos e importantes pontos de atenção quando se compara os dois sistemas. 

Ração totalmente misturada (TMR)

A Ração Totalmente Misturada (TMR) consiste em misturar todos os ingredientes da dieta (forragem, concentrado, minerais, vitaminas e aditivos) que será fornecida para os animais em uma única mistura, também chamado de ração, balanceada de acordo com as necessidades nutricionais para cada lote e/ou categoria.

Esta prática permite que os animais recebam todos os nutrientes essenciais para sua produção e manutenção em cada porção de alimento ingerida, evitando a seleção e, consequentemente, o desbalanceamento da dieta. A TMR oferece várias vantagens, como:

  • Adaptação à mecanização;
  • Promove melhor aproveitamento dos alimentos;
  • Estimula a produção de saliva e equilibra o pH ruminal;
  • Aumentando a digestão e a saúde dos animais, reduzindo as desordens metabólicas como timpanismo e acidose metabólica;
  • Resulta em aumento do consumo voluntário de matéria seca;
  • Facilita o manejo e o controle da alimentação.

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Ração parcialmente misturada (PMR):

A Ração Parcialmente Misturada (PMR) é usada em casos de fornecimento de uma parte dos ingredientes em períodos específicos fora da alimentação total, como no caso do uso de ordenha robotizada ou fornecimento dos famosos “lanches” em casos de alimentação a pasto.

Nesse método, geralmente a forragem é fornecida separadamente dos concentrados e suplementos e os animais recebem os ingredientes principais separadamente ou em misturas parciais. 

No caso do seu fornecimento para ordenha robotizada, essa ração induz as vacas a irem para a ordenha, e por isso quanto mais atrativo o concentrado fornecido, maior a chance de os animais aumentarem a frequência de ordenha.

Já no caso de “lanches” esse fornecimento é realizado de modo que este concentrado complemente na nutrição para um correto balanceamento da dieta. 

Comparação entre os sistemas TMR e PMR

Em ambos os casos é importante saber a estimativa de consumo de determinado lote, que leva em consideração o peso e a produção de leite dos animais, para subtrair o que já foi oferecido de concentrado e forragem no cocho em uma PMR, e o que sobrou será o que você espera que os animais irão consumir no pasto ou durante a ordenha robotizada. 

O objetivo maior do TMR e PMR é fazer com que a dieta consumida pelas vacas seja o mais próxima possível da dieta que foi formulada pelo nutricionista, para que os ganhos de produtividade sejam alcançados, minimizando os efeitos deletérios da depressão do consumo e de desordens metabólicas.

vacas ingerindo a dieta TMR no cocho

Imagem de vacas ingerindo a TMR no cocho. Fonte: 3r ribersolo

No caso da TMR, além das vantagens operacionais, trabalhos na literatura citam que uma das principais vantagens está no aumento de consumo de matéria seca (CMS) na fase crítica de balanço energético negativo das vacas de leite, conferindo que o pico de consumo possa ser atingido cerca de 4 a 8 semanas mais precocemente do que no sistema convencional de alimentação, o que consequentemente acarreta aumento na produção de leite.

Além disso, no rúmen consegue-se uma fermentação síncrona, ou seja, simultânea dos componentes da ração a partir de energia e proteína, o que tem um efeito positivo na saúde animal e na produção, havendo menos flutuações de pH no rúmen o que podem levar a um menor risco de acidose, por exemplo. 

Apesar destas estratégias serem consideradas um “ajuste fino” na dieta, elas possuem grande importância nos sistemas produtivos, porém nem sempre são obtidos os melhores resultados. A implementação bem-sucedida da TMR e PMR requer atenção cuidadosa a vários aspectos, com destaque para a manutenção adequada do vagão forrageiro.

Aspectos importantes na formulação da TMR e PMR

Dentre os pontos cruciais, a calibração da balança durante o carregamento e mistura dos ingredientes é essencial para evitar desequilíbrios na distribuição. Além disso, a escolha do tipo de vagão, seja vertical ou horizontal, influencia na eficiência da mistura, e sabemos que a qualidade da mistura influencia na dieta ingerida pelos animais, e caso a mesma não esteja bem misturada, os animais podem não ter acesso às mesmas concentrações de nutrientes, ou ainda a seleção de algum ingrediente ser facilitada. 

O desgaste das peças do misturador também demanda atenção, exigindo limpeza e manutenção regulares para garantir uma mistura adequada. Seguir a ordem correta de carregamento dos ingredientes e o tempo de mistura necessário é fundamental para assegurar a qualidade da dieta oferecida aos animais e, consequentemente, seu consumo adequado. 

Quando pensamos na TMR e na sua homogeneidade final, vários fatores podem interferir, mas o tempo de mistura sobressai com o efeito mais significativo e por isso, tem-se que dietas satisfatoriamente homogêneas são obtidas após 5 minutos de mistura após a colocação do último ingrediente carregado.

Entretanto, é importante reforçar sobre o cuidado com tempos excessivos de mistura, pois ele pode ser capaz de reduzir de forma demasiada o tamanho das partículas e provocar um aumento de distúrbios metabólicos. 

Sobre a ordem de carregamento, o recomendado é que seja feito carregando primeiro os fenos e/ou palhas, seguido pelos alimentos compostos ou mistura de matérias-primas e minerais e só por último a silagem. Quando inserimos primeiro os fenos/palhas na mistura TMR, que geralmente apresentam maior tamanho de partícula, favorecemos a eficiência na preparação da mistura e sua homogeneização, melhorando assim a sua consistência.

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Considerações finais

A escolha entre TMR e PMR depende de vários fatores, incluindo o tamanho da operação, recursos financeiros, metas de produção e até mesmo preferências de manejo. Geralmente a TMR é preferida em fazendas maiores e com mais recursos para investimento em equipamentos e a PMR é mais adequada para fazendas onde a flexibilidade e o custo inicial são importantes, o que infere ser mais usada em fazendas menores. 

Em suma, a implementação da nutrição de precisão, através de estratégias como Ração Totalmente Misturada (TMR) e Ração Parcialmente Misturada (PMR), oferece benefícios significativos para a produção leiteira, promovendo bem-estar animal e eficiência nutricional. Ambos os métodos têm seus méritos e podem ser eficazes quando bem gerenciados.

No entanto, é crucial reconhecer que o sucesso dessas práticas depende da precisão na formulação e distribuição das dietas, destacando a importância da gestão cuidadosa em todas as etapas do processo, considerando as especificidades de cada uma, para garantir o desenvolvimento eficaz da estratégia alimentar e resultados ótimos e sustentáveis.

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