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mancha aureolada no cafeeiro

Controle da mancha-aureolada do cafeeiro

Controle da mancha-aureolada do cafeeiro
Nota 5 / Votos 2

A mancha aureolada é uma doença que tem se destacado na cafeicultura brasileira nos últimos anos. Ela é causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. Garcae e foi constatada pela primeira vez em 1955, na região de Garça, no Estado de São Paulo.

Tal enfermidade era mais comum nas regiões cafeeiras mais frias, como os estados do Paraná e São Paulo, porém, nos últimos anos tem-se constatado também nas zonas cafeeiras do Cerrado Mineiro (Triângulo e Alto Paranaíba), Sul de Minas e áreas de elevada altitude das Matas de Minas. Tem maior severidade, em sua maioria, em lavouras novas, com até 4 anos, mas lavouras velhas que foram podadas e viveiros de mudas podem ser altamente vulneráveis.

Penetração da bactéria na planta

A bactéria penetra na planta de café por diversos mecanismos, sendo basicamente através de ferimentos, os quais podem ser causados por ataque de outras doenças/pragas, ventos, chuvas de granizo ou podas, e através de aberturas naturais, como estômatos, hidatódios, nectários e flores.

controle-da-mancha-aureolada-do-cafeeiro1Formas de penetração da bactéria. FONTE: Agrios, 2005.

Sintomas da mancha aureolada

A doença ataca folhas, ramos, frutos novos e rosetas, podendo ser encontrada tanto em viveiros, quanto no campo. A bactéria ataca de forma sistêmica os ramos, que inicialmente ficam com uma coloração escura (Figura 3). Em seguida, ataca as folhas e o sintoma se caracteriza por uma mancha necrótica de coloração parda, podendo ser envolvida por um halo-amarelado (Figura 2), consequentemente levando à queda das folhas e diminuição da produção de fotoassimilados pela planta. Já nos órgãos florais do cafeeiro, causa a queda de flores e frutos chumbinhos (Figura 4), e consequentemente diminuição da produção. O ataque da doença pode causar a morte da planta em até 1 ano, sintoma que as vezes pode ser confundido com outras doenças, como rizoctoniose.

Folha com Mancha AureoladaFolha com lesão característica da Mancha Aureolada. Foto: Flávia Patrício.

Ramo de cafeeiro seco Ramo de cafeeiro totalmente seco por ataque de Mancha Aureolada. Foto: Flávia Patrício.

Roseta com Mancha AureoladaRoseta atacada pela bactéria da Mancha Aureolada. Foto: Flávia Patrício.

Condições favoráveis

Como mencionado, a bactéria causadora da Mancha Aureolada entra na planta por meio de aberturas causadas por ferimentos ou naturais. Como nas aberturas naturais o controle fica limitado, deve-se dar foco aos ferimentos, evitando-os. A mancha aureolada ocorre pela combinação de fatores que estão ligados ao ambiente, ao hospedeiro e ao patógeno, como:

  • locais onde tem acúmulo de ar e ventos frios;
  • problemas após podas no cafeeiro;
  • lavouras atingidas por chuvas de pedra;
  • altitudes elevadas;
  • redução da temperatura e aumento da umidade relativa;
  • excesso de nitrogênio na planta;
  • mudas fracas que vão para o campo são mais suscetíveis a doença.

Manejo

Primeiramente, é preciso entender que o manejo da Mancha Aureolada, como de qualquer outra bactéria, é complicado, pois o melhor controle é evitar sua entrada na planta, iniciando com plantio de mudas sadias e livres da bactéria. Visto que a única forma de tentar controlar a doença é por meio de aplicações de bactericidas, que são pouco eficientes e podem ocasionar facilmente resistência da bactéria ao produto, o controle é difícil e oneroso.

Controles químicos estão obtendo melhores resultados, por meio de pulverizações preventivas com cúpricos no campo, e Hidróxido de Cobre e Casugamicina no viveiro, único antibiótico com registro para a cultura do café em viveiros no mercado. Nota-se, como estratégia de muitos produtores, pulverizações seguidas com Casugamicina, quando a bactéria já está na planta. Porém, após a introdução da doença na planta, esta tática de controle muitas vezes é uma medida irracional do produtor em controlar a doença, pois tem eficiência muito baixa. Desta forma, tem-se recomendado o uso da Casugamicina e Hidróxido de Cobre em viveiros, e em lavouras adultas o uso de cúpricos de maneira preventiva nas regiões sujeitas à enfermidade, já que não existe registro para o Casugamicina em lavouras adultas. Recomendações:

No viveiro:

  • Hidróxido de cobre;
  • Casugamicina.

No campo:

  • Hidróxido de cobre – 2 – 2,5 kg/ha;
  • Oxicloreto de cobre – 3-4 kg/ha;
  • Hidróxido de cobre 2 kg + mancozeb 2 kg.

Os melhores resultados já obtidos no controle da bactéria foram através do uso de Oxicloreto de cobre na dosagem de 4 Kg/ha sem uso de misturas. Além disso, é importante aplicação de cúpricos antes da colheita, pelo fato de que essa operação causa ferimentos na planta, possibilitando a entrada da bactéria. Em períodos muito chuvosos, o recomendado é reduzir o intervalo entre as aplicações e realizá-las de 15 a 25 dias entre aplicações, e sempre utilizar na concentração da calda mais alta de registro.

Quanto à resistência genética, percebe-se que a bactéria Pseudomonas atinge todos os cultivares, não tendo ainda estudos para avaliação de resistência. Porém, nota-se que a cultivar Mundo Novo é a mais suscetível a essa doença.

No campo, a principal tática a ser utilizada consiste basicamente em impedir ferimentos que possam servir de porta de entrada para a bactéria e o uso de produtos a base de cobre. Sendo assim, o recomendado é a utilização de quebra-ventos, como brachiaria e crotalária nas entrelinhas, e árvores, como o eucalipto, fora da lavoura, principalmente em lavouras novas.

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