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Alimentação de bovinos leiteiros

Importância da alimentação em sistemas de produção de leite

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O Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite com mais de 21 bilhões de litros produzidos em 2002.  A atividade leiteira é a quinta maior geradora de recursos do agronegócio brasileiro com um valor bruto da produção em 2002 de 6,6 bilhões de reais.

Mesmo em um mercado confuso que gerou grandes discussões nos últimos anos, a atividade leiteira brasileira tem apresentado crescimento constante saindo de 15 para 21 bilhões de litros anuais em 10 anos. Projeções da FAO apontam o Brasil como um dos países com maior crescimento previsto para a produção e consumo de leite para os próximos anos, projetando uma produção anual próxima dos 30 bilhões de litros para 2010.

Os índices produtivos brasileiros apresentaram evolução nos últimos anos. A produtividade média por vaca subiu de 760 para 1200 litros de leite por ano de 1991 até 2001. Nesse mesmo período o número de vacas ordenhadas caiu 13,9%. O número de produtores com produção diária maior que 500 litros representava menos de 1% em 1990 e está próximo dos 20% em 2002. Entretanto, os índices brasileiros ainda são muito baixos, o que deixa claro o potencial da atividade leiteira em se tornar um setor cada vez mais importante para o país.

A evolução expressiva dos índices produtivos brasileiros poderia ser obtida com uma reformulação das estratégias de alimentação. Problemas de produção, sanidade e reprodução que caracterizam a realidade brasileira seriam sanados, em parte, com um bom trabalho de nutrição. Neste caso, alterando a produtividade e produção nacionais de forma mais rápida.

Nos sistemas de produção de leite invariavelmente a alimentação é o principal custo de produção, chegando em muitos casos a representar mais da metade do custo total. Estudar e entender alimentação tem o objetivo de permitir que se faça uma alimentação adequada gastando-se o mínimo. Com certeza essa estratégia é fundamental para que se tenha um bom retorno da atividade

Como gastar o mínimo e ter bom desempenho dos animais

Para uma vaca produzir determinada quantidade de leite ela precisa de alguns nutrientes. Existem diferentes tipos de nutrientes, todos essenciais para a produção de leite. A energia, proteína, fibra e minerais  são os principais nutrientes numa dieta para vaca leiteira.
Uma forma de gastar o mínimo seria oferecer exatamente o que ela precisa de cada nutriente evitando desperdício. Para que se possa oferecer exatamente o que a vaca precisa é fundamental que se conheça duas coisas: a necessidade da vaca para cada nutriente e a composição dos alimentos que serão usados.

A quantidade de nutrientes que uma vaca precisa para produzir determinada quantidade de leite é o que se chama exigência nutricional. A exigência nutricional da vaca depende de seu peso vivo, da quantidade que ela produz, da composição do leite produzido e de quanto ela gasta de energia se deslocando. Com essas informações é possível estabelecer o quanto a vaca precisa ingerir de cada nutriente.

A segunda parte é conhecer quanto cada alimento pode fornecer de cada nutriente. Por exemplo, se a vaca precisa ingerir 3,2 Kg de proteína por dia, é preciso se conhecer quanto de proteína cada alimento que será utilizado tem, para que se possa adequar a quantidade de cada alimento a necessidade da vaca.

Entendendo os nutrientes

Matéria seca – Todo alimento tem algum teor de água em sua composição. Se uma amostra de 100g for totalmente seca (retirar-se toda a água) o peso que sobrar é a quantidade de matéria seca contida em 100g daquele alimento. Como a água normalmente é abundante e barata quando se compra um alimento o que interessa é quanto de matéria seca ele tem. Matéria seca = Peso do alimento – peso da água contida no alimento.

Energia – A energia está contida em qualquer alimento orgânico e é essencial para a produção animal. Na alimentação animal um alimento é mais energético quanto maior for a sua digestibilidade pelo animal, por isso uma forma de expressar energia de um alimento é relacioná-la com sua digestibilidade. A medida de energia chamada NDT*  é expressa em % da matéria seca (%MS) e praticamente reflete quanto do alimento pode ser digerido. Assim se um alimento tem 90% de NDT e outro tem 60% de NDT significa que o de 90% é mais digerido e por isso tem mais energia disponível para o animal.

Proteína – as proteínas são importantes porque fazem parte da estrutura do organismo (músculos, células) e são constituintes básicos dos produtos de origem animal (leite, carne). Assim quanto maior a quantidade de proteína for encontrada nestes produtos maior será a exigência do animal para este nutriente. A unidade utilizada para medir a proteína nos alimentos é a proteína bruta (PB), normalmente expressa em (%MS).

Fibra – A fibra é um nutriente presente nos alimentos de origem vegetal, corresponde à parede celular das plantas. A unidade utilizada é FDN  que expressa o teor total de fibra do alimento. Os bovinos se desenvolveram ao longo do tempo para digerirem a fibra dos vegetais (pasto) e conseguem produzir energia a partir desse nutriente. Entretanto a fração fibrosa dos alimentos possui baixa digestibilidade e consequentemente baixa energia. Um nível mínimo de fibra na dieta é necessário para o funcionamento adequado do sistema digestivo dos ruminantes.

Minerais – Os minerais são componentes inorgânicos que participam do metabolismo animal e por isso precisam ser fornecidos na dieta. Os macrominerais são aqueles que devem estar em quantidades maiores, algumas gramas por dia. Os macrominerais essenciais são cálcio, fósforo, magnésio, sódio, enxofre, potássio e cloro. Os microminerais também são essenciais mas em quantidades muito baixas. Os principais microminerais essenciais são selênio, cobalto, zinco, manganês, cobre e iodo.

Na próxima edição desta seção discutiremos os aspectos básicos envolvidos na formulação de dietas e algumas considerações sobre os alimentos mais utilizados em dietas para vacas de leite. Até lá !

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