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Principais pragas da cana-de-açúcar

Principais pragas da cana-de-açúcar
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A cana-de-açúcar é uma das principais culturas produzidas no Brasil. Conhecer os principais insetos praga que atacam este cultivo, bem como os danos que podem ser causados é um passo muito importante no manejo da lavoura, o qual poderá contribuir significativamente para maiores produtividades. Você conhece as principais pragas que afetam o cultivo da cana-de-açúcar? Quais os danos são causados por elas? Nesse texto será possível conhecer um pouco mais sobre as pragas que podem reduzir de maneira expressiva, os lucros do produtor.

  • Broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis):

Em seu estádio juvenil, a broca da cana é encontrada na forma de lagarta, a qual causa grandes prejuízos ao cultivo. A lagarta jovem apresenta coloração branco-amarelada, cabeça marrom escuro e possui pontuações e manchas marrons pelo corpo, como pode ser visualizado na imagem abaixo:

A mesma se alimenta inicialmente das folhas e depois penetra o colmo da planta pelas partes mais moles, ou seja, pela região do nó, fazendo galerias, as quais podem ser longitudinais ou transversais.

Na imagem abaixo, é possível observar o início do broqueamento causado pela lagarta, bem como as alterações de coloração provocadas.

Esta praga pode ocorrer em todo o estádio de desenvolvimento da planta, podendo causar prejuízos diretos e indiretos. Conheça estes danos:

Danos diretos devido a abertura de galerias no colmo:

  • Perda de peso do material;
  • Tombamento que ocorre por ação do vento, devido ao broqueamento transversal no colmo (Figura 1);
  • Coração morto leva ao secamento dos ponteiros. Este sintoma é mais comumente observado em cana planta jovem (Figura 2);
  • Enraizamento aéreo e formação de brotações laterais.

Danos indiretos causados pela broca:

  • Podridão vermelha, causada pelo fungo Colletotrichum falcatum e Fusarium moniliforme, que penetram pelo orifício aberto pela lagarta, invertendo a sacarose, reduzindo a pureza do caldo e prejudicando a produção de açúcar/etanol.

  • Cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata):

O grande desafio de se manejar esta praga de solo, teve início após a proibição, em algumas regiões, da queima da lavoura para corte. Se por um lado esta proibição trouxe benefícios ao meio ambiente, por outro lado, representou desafio técnico no controle da mesma. Atualmente, o sistema de colheita de cana “crua”, o qual não se tem a queima da palha, permite maior sobrevivência da cigarrinha-das-raízes, devido à formação de um microclima úmido favorável.

As formas jovens desta praga são conhecidas como ninfas, e tanto nesta forma quanto na forma adulta, elas causam bastante dor de cabeça aos produtores. Como ninfas, as cigarrinhas se alimentam das raízes superficiais da cana, liberando uma espécie de espuma branca, que se acumula na parte inferior da planta ao nível do solo, como pode ser observado na figura abaixo:

Estes danos causados pelas ninfas nas raízes da planta, impedem ou dificultam o fluxo de água e nutrientes na mesma. Com isso, pode haver desidratação, “chochamento” e afinamento do colmo, levando ao aparecimento de rachaduras na parte externa.

Já os danos causados pelos adultos da cigarrinha são:

  • Aparecimento de manchas amareladas, após a injeção de toxinas nas folhas, que com o passar do tempo, podem se tornar avermelhadas e opacas. Em razão disso, há redução de fotossíntese e consequentemente, redução de produção de sacarose.

  • Deterioração do colmo, uma vez que após as cigarrinhas perfurarem os tecidos foliares, pode haver entrada de microrganismos, os quais vão contaminar o líquido produzido, causando desta forma, danos diretos e indiretos:
  • Danos diretos: Redução na produtividade, causada pela morte de perfilhos, bem como, o encurtamento, morte, rachadura, brotações laterais e murchamento de colmo;
  • Danos indiretos: Redução da qualidade e quantidade de açúcar, redução da pureza do caldo e aumento de contaminantes no mesmo.

Outras pragas, também consideradas importantes ao cultivo de cana-de-açúcar  podem ocorrer em diferentes regiões do Brasil, abaixo citamos algumas delas elas:

  • Gorgulho-da-cana-de-açúcar – alimentam-se da base da touceira da cana e do sistema radicular, podendo os destruir e causar a morte das plantas;
  • Cupins – podem causar danos desde o plantio, com a destruição das gemas e consumo das reservas dos toletes sementes, impedindo a germinação dos mesmos. Bem como, ao longo do desenvolvimento do canavial, o qual causa danos às raízes, bases do colmo e perfilhos. Causa problemas também durante a fase de maturação, na cana adulta, o qual penetram o colmo e provocam secamento e morte dos mesmos;
  • Formigas cortadeiras saúvas – devido à sua vasta distribuição geográfica e dos custos para controle, as formigas cortadeiras tem se tornado uma praga importante e que tem causado grandes prejuízos. Estas se alimentam principalmente das folhas novas, causando desfolha característica;
  • Broca gigante – esta broca causa danos por abrir galerias no colmo, deixando-o oco, podendo gerar sintomas de “coração morto” na brotação da soqueira. Quando em alta intensidade na lavoura, pode ser necessário reformar o canavial, uma vez que reduz a longevidade do mesmo.

Referências:

MACEDO, N.; MACEDO, D. As pragas de maior incidência nos canaviais e seus controles. Visão agrícola, v. 1, n. 1, 2004.

Agência EMBRAPA de Informação Tecnológica – Pragas no colmo.

PINTO, A. S; LOPES, V. L; LIMA, A. A. Manejo de pragas. Cana-de-açúcar do plantio à colheita, 2016.