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pragas grãos

Principais pragas no armazenamento de grãos

A qualidade dos produtos no período pós-colheita pode ser reduzida devido a diversos fatores, bióticos e abióticos. Dentre os fatores bióticos, destacam-se os insetos praga, os quais são responsáveis por grandes perdas no processo de armazenamento. De acordo com dados da FAO/ONU e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) de 2015, as perdas médias quantitativas de grãos por ano ficam em torno de 10% do total produzido, além dessas perdas, existem as perdas de qualidade durante o processamento, a qual podem inviabilizar todo um lote do produto, trazendo grandes prejuízos aos produtores. Como é o caso do trigo, em que os moinhos não aceitam lotes que tenham presença de insetos, pois isso compromete a qualidade da farinha, que interfere nos subprodutos da panificação, inviabilizando o lote.

De modo geral, os principais causadores de perda de qualidade dos produtos agrícolas armazenados são os insetos. Portanto, é de extrema importância conhecer a biologia, a descrição e os danos causados pelas pragas, a fim de se adotar a melhor estratégia de manejo, evitando grandes prejuízos.

As pragas são classificadas de acordo com seus hábitos alimentares, podendo ser classificadas como primárias ou secundárias:

Pragas primárias – são aquelas que atacam os grãos que se encontram inteiros e sadios, podendo atacar a parte interna ou externa. As pragas internas, perfuram os grãos, se alimentam de todo o conteúdo interno e permanecem em seu interior para completar seu ciclo, além disso, permitem a instalação de outros agentes de deterioração como microrganismos. Como exemplos temos as espécies de besouros R. dominica, S. oryzae e S. zeamais

As pragas primárias externas se alimentam da casca do grão, destruindo-a totalmente, posteriormente, elas consomem a parte interna, a diferença é que essas pagas não se desenvolvem dentro do grão, a destruição do produto é apenas para alimentação e não reprodução, como acontece no caso da traça (Plodia interpunctella).

Pragas secundárias – estas pragas não tem a capacidade de atacar grãos sadios e inteiros, é necessário que os mesmos estejam quebrados ou danificados por pragas primárias para que as mesmas consigam se alimentar. A multiplicação destas pragas é muito rápida e por esse fator, causam enormes prejuízos, como é o caso dos besouros das seguintes espécies C. ferrugineus, O. surinamensis e T. castaneum.

Os Coleópteros, conhecidos também como gorgulhos ou carunchos, são insetos pequenos e possuem alta resistência devido ao exoesqueleto quitinoso, essas características permitem que consigam se movimentar por pequenos espaços entre os grãos, conseguindo atingir grandes profundidades dentro dos silos e graneleiros, diante disso, representam um grande problema, conseguindo atingir massas de grãos em todo o silo. Em contrapartida, os lepidópteros ou traças, são mais frágeis, permanecendo desta forma, na superfície da massa de grãos, causando menos prejuízos que os coleópteros.

Ordem Coleoptera:

Família CurculionidaeS. zeamais e S. oryzae apresentam como características marcantes um prolongamento cefálico em forma de tromba, conhecido como rostro, onde está localizado o aparelho bucal.

Estes insetos podem viver cerca de 1 ano em produtos armazenados e cada fêmea consegue ovipositar 150 ovos, os quais são colocados um a um dentro de cavidades feitas nos grãos.

Família BostrichidaeR. dominica, eram considerados broqueadores de madeira, entretanto, têm mudado seu hábito alimentar e transformado em praga primária de grãos armazenados. Possuem pernas curtas, isso faz com que sejam mais lentos para se movimentar, no entanto, são bons voadores. Esta praga afeta principalmente grãos de milho em locais de clima quente, podendo atacar os grãos antes ou após a colheita. As fêmeas podem colocar cerca de 400 ovos na superfície dos grãos, conseguem atingir em 1 ano cerca de 7 gerações com alto poder destrutivo.

Família CucujidaeC. ferrugineus, são pragas secundárias de grãos armazenados e estão em geral associados a ocorrência das pragas primárias, por serem insetos bem pequenos e com corpo achatado, conseguem infestar grãos que estejam pouco danificados, entrando por pequenas trincas. As fêmeas em geral ovipositam cerca de 200 ovos, podendo ficar soltos ou no material de grão farináceo.

Família Silvanidae O. surinamensis, são pragas secundárias, possuem tamanho médio de 2-4 mm de comprimento, corpo alongado e achatado, possui antena clavada com 11 segmentos. As condições ideais para seu desenvolvimento são, umidade entre 32,5-35°C e umidade relativa de 90%.

Família Tenebrionidae T. castaneum, as espécies desta família são bem adaptadas a condições de baixa umidade ou seca. São insetos de coloração castanho-avermelhado e podem medir cerca de 3-4 mm de comprimento. Os adultos de T. castaneum, possuem ciclo completo em aproximadamente 21 dias.

Ordem Lepdoptera:

Família Pyralidae P. interpunctella, são pragas consideradas primárias de grãos destinados a moagem. O adulto pode medir cerca de 18 mm. A fêmea desta espécie pode ovipositar de 100-500 ovos isolados ou em grupos nos produtos atacados. Atacam preferencialmente a superfície do silo, sua maior ocorrência é em sacos de produtos armazenados.

Referências

Faroni, L. R. A., & Sousa, A. H. (2006). Aspectos biológicos e taxonômicos dos principais insetos-praga de produtos armazenados. Tecnologia de armazenagem em sementes. Campina Grande: UFCG, 371-402.

Lorini, I (2008). Perdas anuais em grãos armazenados chegam a 10% da produção nacional.

Lorini, I. (1999). Pragas de grãos de cereais armazenados. Embrapa Trigo.

Lorini, I., Krzyzanowski, F. C., de Barros França-Neto, J., Henning, A. A., & Henning, F. A. (2015). Manejo integrado de pragas de grãos e sementes armazenadas. CEP86001, 970.