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Potássio na cultura do café

Introdução

O potássio é o segundo nutriente mais exigido pelas plantas, perdendo apenas para o nitrogênio (N).

A forma absorvida pelas raízes das plantas é K+.

Concentrações elevadas de Ca+2 e Mg+2 reduzem a absorção do potássio por inibição competitiva.

Importância do potássio:

  • Ativação enzimática (muitas enzimas são dependentes do K para a sua atividade normal, atuando assim em processos de respiração, metabolismo de carboidratos, síntese de proteínas, entre outros).
  • Regulação osmótica (Abertura e fechamento dos estômatos).
  • Enchimento dos grãos (O potássio auxilia no transporte e armazenamento de carboidrato).

Potássio

Figura 1. Enchimento de grãos (Foto: Equipe Rehagro Café).

Deficiência de potássio

Devido à mobilidade do potássio nos tecidos, em condições de baixo suprimento de K no meio, esse nutriente é redistribuído das folhas mais velhas para as mais novas, dessa forma, os sintomas de deficiência de K ocorrem primeiramente nas folhas mais velhas, com uma clorose, seguida de necrose nas pontas e margens das folhas.

Potássio

Figura 2. Deficiência de potássio. (Foto: Daniel Veiga).

Recomendação de potássio:

A recomendação de potássio deve ser feita com base no teor de potássio no solo e a expectativa para produção e vegetação.

Para a cultura do café, trabalhamos com cerca de 120 mg/dm3 de potássio no solo ou de 0,30 a 0,35 cmolc/dmno solo.

Para calcular a dose recomendada para a cultura considerando a vegetação e produção, utilizamos a seguinte fórmula:

K (kg/ha) = (produção x 3) + (vegetação x 2,9) 

  • Para o cálculo de adubação consideramos:

ADUBAÇÃO = (NÍVEL DE SEGURANÇA SOLO) + ADUBAÇÃO PARA PRODUÇÃO E VEGETAÇÃO

Cálculo para recomendação de potássio: EX1:

  • Teor de potássio no solo 90 mg/dm3
  • Produção esperada de 40 sacas/ha naquele ano agrícola e na safra seguinte de 25 sacas/ha.

*120 mg/dm3 (quero atingir) – 90 mg/dm3 (tenho no solo) = 30 mg/dm3 (preciso aumentar no meu solo para manter o nível de segurança)

* Passando para cmolc/ dm:

*Para aumentar 1 cmolc/dm3 é necessário 942 Kg de K2O por hectare:

*Cálculo para extração:

K (kg/ha) = (produção x 3) + (vegetação x 2,9)  

K (kg/ha) = (40 sc x 3) + (25 sc x 2,9) = 120 + 72,5 = 192,5 kg de K2O por hectare

ADUBAÇÃO = 65,9 Kg de K2O/ha + 192,5 kg de K2O/ha = 258,4 kg de K2O/ha 

Dessa forma, para a recomendação de adubação considerando esse solo que possui 90 mg/dm3 e uma produção esperada de 40 sacas/ha naquele ano agrícola e na safra seguinte de 25 sacas/ha, é calculado 258,4 kg de K2O/ha.

Cálculo para recomendação de potássio: EX2:

  • Se considerar a mesma produção esperada do exemplo anterior: produção esperada de 40 sacas/ha naquele ano agrícola e na safra seguinte de 25 sacas/ha.
  •  Mas considerar um teor de potássio no solo de 153 mg/dm3.
  • Para esse exemplo, como o teor de potássio no solo está acima do nível de segurança, calculamos a quantidade recomendada para produção e vegetação e descontamos esses 33 mg/dm3 que estão a mais (153 mg/dm3 – 120 mg/dm3 = 33 mg/dm3).

*Cálculo para extração:

K (kg/ha) = (produção x 3) + (vegetação x 2,9)  

K (kg/ha) = (40 sc x 3) + (25 sc x 2,9) = 120 + 72,5 = 192,5 kg de K2O por hectare

* Passando os 33 mg/dm3 para cmolc/ dm3 :

*Para aumentar 1 cmolc/dm3 é necessário 942 Kg de K2O por hectare:

ADUBAÇÃO = 192,5 kg de K2O por hectare(para produção e vegetação) – 75,4 Kg de K2O/ha (reserva do solo) = 117,1 Kg de K2O/ha.

Neste exemplo, devido ao maior teor de potássio presente no solo, descontamos o que está passando do nosso nível de segurança, e a recomendação é de 117,1 Kg de K2O/ha.

Fontes de potássio

Potássio

**Das fontes citadas acima a mais utilizada é o cloreto de potássio devido ao seu menor custo quando comparado as outras fontes.

Equilíbrio Ca:Mg:K

Deve-se ter no solo uma boa relação Ca:Mg:K sendo de 9:3:1 ou 25:5:1, a fim de que não haja problemas na absorção de nenhum desses nutrientes, considerando a importância de cada um deles no metabolismo das plantas.

Por isso, apesar de tentarmos sempre trabalhar com cerca 0,30 a 0,35 cmolc/dmno solo, é importante levar em consideração os níveis de cálcio e magnésio do solo e priorizar o equilíbrio nesses nutrientes:

 Ex: Em um solo que possui 2,0 cmolc/dmde cálcio e 0,5 cmolc/dm3 de magnésio, deve-se buscar trabalhar com cerca de 0,20 – 0,25 cmolc/dmde potássio, a fim de respeitar esse equilíbrio entre eles.

Um ponto de atenção quando se refere a adubação na cafeicultura é a utilização intensiva do fertilizante formulado 20-00-20 (que contém: 20% de nitrogênio e 20% de potássio). Isso porque, seu grande uso acarretou em altos níveis de potássio em algumas áreas, dessa forma, podendo proporcionar inibição competitiva na absorção de cálcio e magnésio, nutrientes esses importantes na constituição da parede celular e na composição da molécula de clorofila, dessa forma, deve-se atentar para o equilíbrio desses nutriente ao solo, evitando prejuízos ao metabolismo da planta.

Estudos com o potássio x doenças

Conforme já relatado, é importante considerar o equilíbrio nutricional dos nutrientes, visto que, o desequilíbrio pode acarretar na incidência de doenças:

Garcia Junior em 2003, realizou um trabalho com diferentes níveis de cálcio e de potássio, e concluiu que, a menor área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI) foi obtida com a dose 4 mmol/L de potássio (K), após essa dose, o acréscimo de potássio resultou em maior incidência de Cercospora, isso porque, maiores doses de K competem pelo mesmo sitio de absorção do cálcio, tornando as mudas debilitadas em cálcio.

Da mesma forma, Lima et al. (2010) observaram um aumento da área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI) e da severidade (AACPS) da mancha de phoma com doses de potássio acima de 7 mmol/L. De acordo com os autores, isso possivelmente ocorre devido a inibição competitiva entre os cátions Ca e K pelos mesmos sítios de absorção, com maior eficiência de potássio na absorção e translocação na planta. Dessa forma, eles observaram que o aumento de K na solução, acarretou em redução do teor de cálcio na parte aérea das plantas, salientando que a presença de cálcio confere certa resistência à penetração de patógenos, visto que ele é constituinte da lamela média das células, sendo assim, importante para o fortalecimento da parede celular.

Parcelamento da adubação com potássio

  • Para a adubação com potássio, recomenda-se o parcelamento em 2 ou 3 vezes, podendo ser nos meses, novembro, dezembro e março, ou podendo variar de acordo com as condições de chuva. (O parcelamento irá variar com a dose recomendada).
  • Em solos arenosos, com baixa CTC, com chuvas intensas podem acarretar em lixiviação desse nutriente, por isso, ressalta-se a importância de se parcelar essa adubação.

 

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