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Cyperus rotundus

O que você sabe sobre o manejo da tiririca?

O que você sabe sobre o manejo da tiririca?
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mato com lavoura nova Competição do mato com lavoura nova – Manejo da tiririca (Foto: Diego Baquião)

As plantas daninhas apresentam grande capacidade de exercer competição com o cafeeiro. Por isso, quando não manejadas, interferir do desenvolvimento do cafeeiro, principalmente em lavouras novas, que estão em fase de crescimento. Essas plantas invasoras podem trazer diversos malefícios, além da competição por água, luz, CO2 e nutrientes, elas podem servir como hospedeiras de pragas e doenças.

Destaca-se este problema no período mais seco, com falta de chuvas, devido a agressividade dessas plantas, principalmente as gramíneas, que possuem o metabolismo C4, dessa forma, apresentando maior eficiência do uso da água quando comparado ao cafeeiro, com metabolismo C3, por isso, essas plantas possuem grande poder de competição com cafeeiro, podendo resultar em atrasos no desenvolvimento das plantas, com posterior redução da produtividade.

Fialho et al. (2011), estudaram os efeitos da interferência de plantas daninhas em diferentes intensidades de infestação sobre o crescimento de plantas jovens de cafeeiro arábica, e concluíram que há relação negativa entre a densidade de plantas daninhas e as variáveis de crescimento do cafeeiro, podendo resultar em redução da área foliar, matéria seca do caule e folhas e diâmetro do caule.

Além disso, quando as plantas são submetidas à alta competição, as suas características fisiológicas normalmente são alteradas, o que resulta em diferenças no aproveitamento dos recursos do ambiente, principalmente no uso da água, que influencia de modo direto a disponibilidade de CO2 no mesofilo foliar e na temperatura da folha, consequentemente afetando a eficiência fotossintética da planta (CONCENÇO et al., 2007). Dessa forma, evidenciando a necessidade de controle inicial das plantas daninhas na linha da cultura.

Cyperus rotundus L – Tiririca

Nesse sentido, a tiririca (Cyperus rotundus L.) é uma planta daninha pertencente à família Cyperaceae, com altura em torno de 10 a 60 cm e reprodução quase exclusiva por tubérculos. Devido a sua alta agressividade, essa planta pode exercer grande competição com o cafeeiro.

planta tiriricaFonte: techieoldfox

Por isso, como mostram as fotos abaixo, as plantas de café que possuem plantas de tiririca próximas, sentiram mais do que as plantas de café que estão com o solo exposto, isso porque, a competição das plantas invasoras não é somente por água, mas também por nutrientes. 

mato na lavoura de caféPlantas de café sentido a seca e a mato competição exercida por plantas daninhas. (Foto: Diego Baquião)

plantação de caféPlantas de café na mesma época, sentindo menos a seca, sem a presença de plantas daninhas na linha de plantio (Foto: Diego Baquião)

Souza et al. (1999) determinaram os teores de nutrientes e a relação C/N presente na matéria seca da parte aérea da espécie C. rotundus (Tiririca), e encontraram os valores abaixo: 

Tabela 1. Valores dos macronutrientes da matéria seca da parte aérea da espécie C. rotundus (nome comum: tiririca). Adaptado de Souza et al. (1999). Botucatu/SP.  

Tabela 2. Valores dos micronutrientes, carbono e a relação C/N da matéria seca da parte aérea da espécie C. rotundus (nome comum: tiririca). Adaptado de Souza et al. (1999). Botucatu/SP.
Dessa forma, o manejo adequado de plantas invasoras é de grande valia, visando não possuir interferências no crescimento e desenvolvimento do cafeeiro.

 

Manejo

Deve-se realizar um manejo de plantas daninhas em lavouras em formação e em lavouras adultas, esse manejo deve ser feito antes que as plantas invasoras atinjam o florescimento, principalmente quando jovens, pois seu controle é mais fácil, e a competição pelos nutrientes do cafeeiro será pequena. Esse controle pode ser feito através da utilização de herbicidas, controle mecânico ou mesmo manejando plantas de cobertura na entrelinha.

No controle químico, pode se utilizar os herbicidas diquat, ethoxysulfuron, glyphosate, glyphpsate + imazethapyr, halosulfuron, imazapic, imazapyr, paraquat, triclopyr, destacando a importância de se rotacionar os modos de ação, evitando possíveis plantas resistentes, em alguns casos encontra-se plantas com determinada resistência e neste caso pode ser utilizado a aplicação sequencial do herbicida como é o caso do glyphosate.

A utilização de plantas de cobertura na entrelinha, além de atuar no controle de plantas invasoras por competição física, também atuam protegendo o solo contra erosão, ciclam nutrientes e estruturam o solo. Entretanto, quando não manejadas, elas também podem exercer competição com o cafeeiro, por isso, recomenda-se que a braquiária fique com distancia de pelo menos 1 metro do cafeeiro (Souza et al., 2006).

Referências:

SOUZA, L. S.; VELINI, E. D.; MAIMONI-RODELLA, R. C. S.; MARTINS, D. Teores de macro e micronutrientes e a relação C/N de várias espécies de plantas daninhas. Plantas daninhas, v.17, n.1, 1999.

SOUZA, L. S.; LOCASSO, P. H. L.; OSHIIWA, M. GARCIA, R. R.; GOES FILHO, L. A. Efeito das faixas de controle do capim-braquiária (Brachiaria decumbens) no desenvolvimento inicial e na produtividade do cafeeiro (coffea arábica). Planta daninha vol.24 no.4 Viçosa Oct./Dec 2006.

CONCENÇO, G.; FERREIRA, E. A.; SILVA, A. A.; FERREIRA, F. A.; VIANA, R. G.; D’ANTONINO, L.; VARGAS, L.; FIALHO, C. M. T. Uso da água em biótipos de azevém (Lolium multiflorum) em condição de competição. Planta Daninha, Viçosa, v. 25, n. 3, p. 449-455, 2007.

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