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Manejo alimentar de vacas em período de transição

Se você quer que suas vacas leiteiras alcancem sua máxima produtividade, então precisa ter atenção redobrada no manejo nutricional no período de transição.

A importância da alimentação para a eficiência na produção de leite é fundamental em todos os estágios de produção, mas nesse período, que compreende o intervalo de três semanas antes e três semanas após o parto, ocorrem grandes mudanças na fisiologia e no comportamento dos animais, o que gera grande impacto sobre a exigência nutricional.

Neste artigo, você verá algumas recomendações importantes para adequação do manejo de vacas no período de transição.

Estimular a ingestão de matéria seca (MS)

A ingestão de nutrientes é essencial para garantir um balanço nutricional adequado, boa saúde, boa produção de leite e índices reprodutivos ideais. Para que a fêmea no período de transição tenha uma ingestão de MS satisfatória, torna-se fundamental que pontos como escore de condição corporal, conforto térmico e manejo alimentar estejam adequados.

Controle do peso corporal

Devemos evitar que as vacas ganhem peso durante o período seco, pois conforme se aproxima o parto, o risco de esteatose hepática aumenta, principalmente nos animais com maior escore de condição corporal. O risco maior se concentra nas três primeiras semanas pós-parto devido à mobilização das reservas corporais. 

Nesse caso, o uso de colina pode ser uma alternativa para auxiliar na prevenção do ganho de peso. No entanto, ela deve ser fornecida na forma protegida para que não sofra degradação ruminal.

Ao ser absorvida, a colina protegida otimiza o transporte e a metabolização dos lipídeos, prevenindo a esteatose hepática e demais distúrbios. Além disso, a colina tende a estimular a produção de leite (2,3 kg/dia), auxiliar na redução da ocorrência de retenção de placenta (28% a menos) e de mastite (22% a menos).

Oferecimento de dietas acidogênicas

As dietas acidogênicas (aniônicas) são conhecidas por promoverem ligeira acidose metabólica (pH sanguíneo de 7,38 – 7,40), induzindo uma melhor resposta dos receptores de paratormônio (PTH). De forma resumida, essas duas alterações facilitam o processo de mobilização de cálcio no organismo e auxiliam na prevenção da hipocalcemia. Além disso, essa ligeira acidose metabólica induz uma acidose tubular a nível renal, que promove maior absorção de cálcio pelos rins. 

Vacas que consomem dieta com diferença cátion-aniônica (DCAD) positiva, ou seja, dietas alcalogênicas, tendem a reduzir mais o consumo de MS quando comparadas às vacas alimentadas com dietas com DCAD negativo (dietas acidogênicas). A produção de leite também tende a seguir essa mesma resposta, exceto nas nulíparas, que não apresentam maior produção de leite quando alimentadas com dietas acidogênicas. 

Nesse contexto, a avaliação do uso de aditivos pode ser uma alternativa interessante. Uma prática comum para a prevenção de distúrbios pós-parto é a utilização de aditivos na dieta pré-parto durante as últimas 3 semanas de gestação. 

Nos gráficos abaixo, podemos observar que dietas com DCAD negativo podem reduzir a ocorrência de doenças como retenção de placenta, metrite e febre do leite.

DCAD e risco de febre do leite em vacas pluríparas

manejo alimentar

DCAD e risco de retenção de placenta ou metrite

manejo alimentar

Adequações para as dietas de pré-parto

  • Evitar a ingestão excessiva de calorias (ganho de tecido adiposo e condição corporal);
  • Reduzir esteatose hepática e cetose;
  • Prevenir hipocalcemia;
  • Fornecer quantidade adequada de proteína metabolizável.

Outras recomendações importantes

  • Realizar a secagem das vacas com 230 dias de gestação, aproximadamente. O tempo para secagem varia conforme a média do período de gestação das fazendas, sendo que o ideal é um período seco entre 50 e 60 dias.
  • Promover condições para que as vacas apresentem adequado ECC na secagem (3,0 – 3,5), além de evitar grandes variações no ECC durante o período seco.
  • Oferecer conforto térmico durante todo o período seco, desde a secagem até o parto.
  • Mover as vacas para o lote de pré-parto faltando 25 dias, aproximadamente, para o parto.
  • Realizar o monitoramento de doenças no pré e pós-parto, promovendo diagnóstico precoce e tratamento adequado nos casos. As doenças ocasionam inflamação e danos teciduais, alteram a partição de nutrientes e fazem com que o organismo do animal entre no modo de sobrevivência, e não de produção/crescimento.

Agora, você já sabe algumas dicas para adequar o manejo nutricional das vacas no período de transição. A alimentação é um dos principais pilares de sucesso para um projeto leiteiro e pode representar até metade dos custos de produção.

Por isso, se você deseja alcançar maior rentabilidade na pecuária leiteira, é de fundamental importância que você tenha domínio sobre todo o planejamento nutricional e sobre a formulação de dietas. Então, mãos à obra!

Sucesso na sua produção!

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