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Como aumentar as cargas do solo para retenção de mais nutrientes

Lavouras vigorosas e bem nutridas oferecem safras altamente produtivas.

Entretanto, para que possa expressar seu máximo potencial genético, o cafeeiro precisa ter disponíveis todos os nutrientes dos quais precisa.

Para isso, a partir da análise de solo, uma estratégia de adubação racional pode ser indicada para que não ocorram possíveis deficiências nutricionais presentes ali, que limitam a produção e comprometem a qualidade do café.

Mas você sabia que existe uma técnica para que o solo possa reter mais nutrientes? Podemos fazer isso pelo aumento de cargas!

Entenda, de forma simples, o que são elas e como funciona essa dinâmica!

cargas do solo

Figura 1. Cafeeiro adulto (Foto: Diego Baquião).

Fases do solo

Nos nossos solos, temos três fases: gasosa, líquida e sólida. 

Fase gasosa (ar)

É importante pois, em condições de baixa concentração de oxigênio, como por exemplo em solos compactados ou inundados, podem ocorrer reações no solo, que afetam a disponibilidade de vários nutrientes. 

Fase líquida

É a fase em os nutrientes são absorvidos pelas plantas, ela está em equilíbrio com a fase sólida, e por isso, uma boa retenção de bons nutrientes na fase sólida, favorece a disponibilidade de bons nutrientes para a fase líquida, e consequentemente a absorção pelas plantas.

Fase sólida 

É quando ocorre a retenção dos nutrientes e a reposição para a fase líquida, estando essas duas fases em equilíbrio, e por isso, a fase sólida funciona como uma caixa, que reserva os nutrientes e vai repondo aos poucos. 

Ela é dividida em 2 subfases: mineral e orgânica. Em relação à fase mineral, a maioria dos nossos solos brasileiros, há a predominância de argilas oxídicas (óxidos de ferro e de alumínio) e argilas 1:1 (caulinita), que são argilas de baixa reatividade, e por isso possuem baixa capacidade de gerar CTC do solo, dessa forma, não apresentando caixas muito grandes para reter esses nossos nutrientes. Essa retenção ocorre devido à formação de cargas, sendo que cargas positivas retêm os ânions (H2PO4-, SO42-), e cargas negativas retêm os cátions (Ca2+, Mg2+, K+). 

Na ausência de cargas, perderíamos os nossos nutrientes por lixiviação, e dessa forma, não teria a reposição destes para a fase líquida. Por isso, temos sempre que buscar práticas de manejo que consigam “aumentar” essas cargas, e consequentemente, essa retenção de nutrientes. 

Nos nossos solos, há a predominância de cargas negativas em relação às cargas positivas, ou seja, a tendência é que nossa Capacidade de Troca de Cátions (CTC) seja maior que a Capacidade de Troca de Ânions (CTA).

Os colóides orgânicos, formam cargas negativas, por isso, a fase orgânica do solo, é uma parte que conseguimos adicionar em nosso manejo e atuar, com o intuito de desenvolver cargas no nosso solo.

Como exemplo prático disso, temos que as argilas oxídicas e as argilas 1:1, tem a capacidade de gerar uma CTC a pH 7,0 de respectivamente 4 cmolc/dm3 e 8 cmolc/dm3, enquanto que os coloides orgânicos conseguem gerar de 200 a 400 cmolc/dm3, de CTC a pH 7,0.

Dessa forma, como aumentar as cargas do solo? Como aumentar a CTC?

O aumento da CTC pode ser feito de duas formas: pela adição de argilas, no entanto, esta prática é inviável do ponto de vista prático, e uma segunda forma, é pela adição de matéria orgânica. 

Seja ela pela adição de esterco, composto orgânico, ou palhas, de braquiária, casca de café, que vão decompor.

A utilização de matéria orgânica, tem como papel principal, desenvolver cargas no solo, e consequentemente, aumentar a CTC. No entanto, além deste grande benefício, ela também atua no fornecimento de nutrientes, como o Boro, N, P, K, Ca, Mg e S  e, dependendo da fonte, pode proteger nosso solo. 

O conhecimento sobre a cultura permite que adotemos estratégias inteligentes de manejo, que, muitas vezes, demandam baixo investimento e geram grandes resultados.

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