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Como aumentar as cargas do solo para retenção mais nutrientes

Você sabe como aumentar as cargas do solo para que ele possa reter mais nutrientes? Entenda de forma simples como funciona essa dinâmica no solo!

cargas do solo

Figura 1. Cafeeiro adulto (Foto: Diego Baquião).

Fases do solo

Nos nossos solos, nós temos a fase gasosa, fase líquida e a fase sólida. A fase gasosa (ar), é importante pois em condições de baixa concentração de oxigênio, como por exemplo em solos compactados ou inundados, podem ocorrer reações no solo, que afetam a disponibilidade de vários nutrientes. 

Já a fase líquida, é a fase em os nutrientes são absorvidos pelas plantas, ela está em equilíbrio com a fase sólida, e por isso, uma boa retenção de bons nutrientes na fase sólida, favorece a disponibilidade de bons nutrientes para a fase liquida, e consequentemente a absorção pelas plantas.

Na fase sólida é quando ocorre a retenção dos nutrientes e a reposição para a fase líquida, estando essas duas fases em equilíbrio, e por isso, a fase sólida funciona como uma caixa, que reserva os nutrientes e vai repondo aos poucos. 

Ela é dividida em 2 subfases: mineral e orgânica. Em relação a fase mineral, a maioria dos nossos solos brasileiros, há a predominância de argilas oxídicas (óxidos de ferro e de alumínio) e argilas 1:1 (caulinita), que são argilas de baixa reatividade, e por isso possuem baixa capacidade de gerar CTC do solo, dessa forma, não apresentando caixas muito grandes para reter esses nossos nutrientes. Essa retenção ocorre devido a formação de cargas, em que, cargas positivas retêm os ânions (H2PO4-, SO42-), e cargas negativas retêm os cátions (Ca2+, Mg2+, K+). Na ausência de cargas, perderíamos os nossos nutrientes por lixiviação, e dessa forma, não teria a reposição destes para a fase liquida. Por isso, temos sempre que buscar práticas de manejo que consigam “aumentar” essas cargas, e consequentemente, essa retenção de nutrientes. 

Nos nossos solos, há a predominância de cargas negativas em relação as cargas positivas, ou seja, a tendência é que nossa Capacidade de Troca de Cátions (CTC) seja maior que a Capacidade de Troca de Ânions (CTA).

Os colóides orgânicos, formam cargas negativas, por isso, a fase orgânica do solo, é uma parte que conseguimos adicionar em nosso manejo e atuar, com o intuito de desenvolver cargas no nosso solo.

Como exemplo prático disso, temos que as argilas oxídicas e as argilas 1:1, tem a capacidade de gerar uma CTC a pH 7,0 de respectivamente 4 cmolc/dm3 e 8 cmolc/dm3, enquanto que os coloides orgânicos conseguem gerar de 200 a 400 cmolc/dm3, de CTC a pH 7,0.

Dessa forma, como aumentar as cargas do solo? Como aumentar a CTC?

O aumento da CTC pode ser feito de duas formas: pela adição de argilas, no entanto, esta prática é inviável do ponto de vista prático, e uma segunda forma, é pela adição de matéria orgânica. 

Seja ela pela adição de esterco, composto orgânico, ou palhas, de braquiária, casca de café, que vão decompor.

A utilização de matéria orgânica, tem como papel principal, desenvolver cargas no nosso solo, e consequentemente, aumentar nossa CTC! No entanto, além deste grande benefício, ela também atua no fornecimento de nutrientes e dependendo da fonte, pode proteger nosso solo. 

Portanto, a prática de adição de matéria orgânico na cultura do café de grande importância!

Fornecimento de nutrientes via matéria orgânica:

Veja abaixo a análise de materiais orgânicos: casca de café, composto orgânico e braquiária, dessa forma, mostrando que, além do papel de formação de cargas no solo que esse materiais orgânicos possuem, eles também podem fornecer nutrientes às plantas, sendo esses nutrientes essenciais às plantas.

Resultado de análise de materiais orgânicos

Tabela 1. Análise dos nutrientes na casca de café:

cargas do solo

Figura 2. Casca de café (Foto: Larissa Cocato).

Tabela 2. Análise dos nutrientes no composto orgânico:

cargas do solo

Figura 3. Composto orgânico (Foto: Luiz Paulo Vilela).

Tabela 3. Análise dos nutrientes na palhada de braquiária:

Figura 4. Braquiária (Foto: Larissa Cocato).

Referências:

  • Fontes das análises: Técnicos da equipe Café – Rehagro.

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