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capim amargoso

Aprenda a manejar buva e capim-amargoso

Aprenda a manejar buva e capim-amargoso
Nota 5 / Votos 1

Porque a buva e o capim-amargoso estão sempre em evidência quando o assunto é manejo de plantas daninhas?

O capim-amargoso (Digitaria insularis (L.) Fedde) é uma planta perene com alta capacidade de dispersão pelo vento e com excelente adaptabilidade as diferentes regiões brasileiras. Além destas características que o fazem ser uma planta de difícil controle, o mesmo apresenta biotipos resistentes à molécula de glifosato dificultando ainda mais seu manejo. A buva (Conyza spp.), também é uma planta daninha que apresenta resistência ao glifosato, com elevada adaptação aos sistemas produtivos e alta produção de sementes.

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Planta adulta de capim-amargoso.Figura 1: Planta adulta de capim-amargoso.

 Inflorescência tipo panícula do capim-amargoFigura 2: Inflorescência tipo panícula do capim-amargo.

 

Quais são as características destas plantas invasoras?

O capim-amargoso é uma planta perene com capacidade de formar perfilhos (Figura 1), possui um sistema radicular composto por rizomas curtos que acumulam grandes quantidades de amido, produz sementes pilosas durante todo o ano (Figura 2) e se dispersam facilmente pelo vento, podendo alcançar longas distâncias. A buva é uma planta anual com alta produção de sementes, podendo chegar a 200 mil sementes por planta, apresenta formato piramidal (Foto 3) e germina muito bem no período de entressafra, sendo esse um bom momento para controle.

Planta adulta de buvaFigura 3: Planta adulta de buva

 

Porque a Buva tem menor ocorrência em áreas sob plantio direto?

Podemos classificar as sementes como fotoblásticas positivas (necessitam de luz para germinar) ou fotoblásticas negativas (não precisam de luz para germinar). A buva é uma espécie fotoblástica positiva, com isso, a adoção do sistema de plantio direto reduz a ocorrência desta planta daninha pois a palhada formada sob o solo impede a passagem de luz, impossibilitando a germinação. Por isso, é muito importante colocar palha no sistema utilizando espécies com potencial para tal função. como por exemplo, a braquiária.

O que deve ser feito para evitar o surgimento de novos biotipos de capim-amargoso e buva resistentes?

Para impedir o surgimento de plantas daninhas resistentes a moléculas de herbicidas, é preciso adotar a rotação de princípios ativos de herbicidas, pois, desta forma se reduz a pressão de seleção. Neste tipo de rotação, é recomendado que se utilize princípios ativos com diferentes mecanismos de ação, por isso a importância de se buscar acompanhamento técnico para melhor posicionamento de produtos.

Qual o ponto chave para controle de capim-amargoso?

As plantas de capim-amargoso apresentam maior sensibilidade a herbicidas nos estádios iniciais de desenvolvimento, desta forma, é preciso evitar que a planta se estabeleça e comece a formar rizomas e grandes touceiras. Os herbicidas são muito eficientes quando as plantas e apresentam entre 3 e 4 folhas, quando se inicia o perfilhamento, ou no rebrote a eficiência reduz muito, esta é ainda menor quando se forma touceiras.

Quais principais princípios ativos podem ser utilizados no controle de capim-amargoso e buva?

Para fazer o controle químico destas plantas infestantes, é preciso fazer um levantamento da incidência destas plantas avaliando o estádio fenológico. Abaixo são apresentados alguns ingredientes ativos que podem ser utilizados para o controle destas daninhas em estádio inicial de desenvolvimento (entre 2 e 4 folhas).

planta adulta de capim-amargoso

Tabela 1: Ingredientes ativos utilizados para controle de capim-amargoso e buva.

É preciso realizar aplicações sequenciais para controle de capim-amargoso e buva?

A aplicação sequencial depende do nível de infestação destas plantas daninhas. Se o manejo não foi realizado de maneira correta na entressafra, as aplicações sequenciais podem ser uma boa alternativa para o controle, podendo ser feita a dessecação e após 10 dias mais uma aplicação.

Referência

LORENZI, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. 6.ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2006. 339 p.