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Adubação de pastagens: como maximizar a produtividade do seu rebanho?

Bovinos de corte em uma pastagem

A produtividade da pecuária de corte está diretamente relacionada à qualidade e à quantidade de forragem disponível para o rebanho. Em um país como o Brasil, onde mais de 90% da carne bovina é produzida em sistemas a pasto, investir na adubação de pastagens deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade estratégica.

Pastagens bem nutridas não apenas aumentam a capacidade de suporte da propriedade, mas também melhoram o ganho de peso dos animais, reduzem o ciclo de produção e contribuem para a sustentabilidade do sistema.

Contudo, muitos pecuaristas ainda enfrentam dúvidas sobre como realizar a adubação de forma eficiente, quais nutrientes priorizar e como calcular as doses adequadas. Este guia completo foi desenvolvido para esclarecer esses pontos e fornecer um passo a passo prático para transformar suas pastagens em áreas de alta performance.

O que é adubação de pastagens e por que é essencial?

A adubação de pastagens consiste na aplicação de nutrientes ao solo com o objetivo de corrigir deficiências, melhorar a fertilidade e aumentar a produção de forragem. Diferente do que muitos pensam, não se trata apenas de “jogar adubo” na área, mas de um processo técnico que exige planejamento, análise e monitoramento constante.

Impacto na produtividade animal

Pastagens bem adubadas apresentam maior produção de matéria seca, melhor valor nutricional e maior capacidade de rebrota após o pastejo. Isso se traduz em diversos benefícios significativos para a produção animal.

Pode ocorrer um aumento da taxa de lotação de 100% ou mais, permitindo que mais animais sejam mantidos na mesma área. O ganho de peso diário tende a ser superior em 30% a 50%, resultado direto da melhor qualidade forrageira disponível.

Há também uma redução do tempo de abate dos animais, tornando o ciclo produtivo mais eficiente e econômico. A menor necessidade de suplementação alimentar representa economia nos custos de produção, uma vez que a pastagem fornece os nutrientes essenciais em quantidade e qualidade adequadas.

Além disso, observa-se um melhor desempenho reprodutivo do rebanho, com impactos positivos na fertilidade e na saúde geral dos animais.

Relação custo-benefício

Embora a adubação represente um investimento significativo, os retornos são expressivos. Estudos demonstram que cada real investido em adubação de pastagens pode gerar retornos de 2 a 4 reais em produção animal, dependendo do manejo e das condições edafoclimáticas da região.

Vale a pena adubar pastagens com o preço atual dos insumos?

Esta é uma pergunta que todo pecuarista faz, especialmente em períodos de alta nos preços dos fertilizantes. A resposta, embora pareça simples, exige análise criteriosa de diversos fatores econômicos e produtivos.

A matemática da adubação

Para entender se vale a pena investir em adubação, é fundamental calcular o custo por arroba adicional produzida. Vamos a um exemplo prático:

Cenário sem adubação:

  • Produção: 6 arrobas/ha/ano;
  • Lotação: 1,0 UA/ha;

Cenário com adubação (150 kg N/ha + manutenção P e K):

  • Investimento: R$ 1.200/ha/ano;
  • Produção: 15 arrobas/ha/ano;
  • Lotação: 2,5 UA/ha;
  • Produção adicional: 9 arrobas/ha.

Custo por arroba adicional: R$ 1.200 ÷ 9 = R$ 133,33/@

Se a arroba está cotada acima desse valor, a adubação se paga. Mas os benefícios vão além da conta simples.

Benefícios indiretos que pesam na balança

Ao adubar pastagens, você obtém vantagens que nem sempre aparecem no cálculo imediato:

  • Redução do ciclo produtivo: Animais bem alimentados em pasto de qualidade atingem o peso de abate 6 a 12 meses mais cedo, liberando área e reduzindo custos fixos por animal.
  • Menor necessidade de suplementação: Pastagens adubadas têm maior valor nutricional, reduzindo a dependência de suplementos proteicos e energéticos, especialmente no período das águas.
  • Desfrute mais alto: Com maior capacidade de suporte, você pode trabalhar com taxas de desfrute superiores, aumentando o giro de capital.
  • Valorização da propriedade: Áreas com histórico de boa produtividade e pastagens bem formadas têm maior valor de mercado.
  • Sustentabilidade: Pastagens produtivas reduzem a pressão por abertura de novas áreas e melhoram a imagem da pecuária.

Estratégias para momentos de insumos caros

Quando os preços dos fertilizantes estão em alta, considere estas alternativas:

  • Priorização de áreas: Em vez de adubar toda a propriedade com baixas doses, concentre investimentos em áreas estratégicas (próximas à sede, melhor solo, melhor acesso à água) com doses adequadas.
  • Uso de formulações econômicas: Opte por fertilizantes simples em vez de formulados, que geralmente têm custo por unidade de nutriente mais baixo.
  • Parcelamento inteligente: Divida as aplicações de nitrogênio em 2-3 vezes para melhorar a eficiência e diluir o investimento ao longo do ano.
  • Integração lavoura-pecuária: Aproveite a adubação residual de culturas agrícolas para reduzir custos na fase pastagem.
  • Compra antecipada: Adquira fertilizantes na entressafra, quando os preços costumam ser mais competitivos.

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Quando NÃO adubar pode sair mais caro

Deixar de adubar pastagens em momentos de preços altos pode parecer economia, mas frequentemente resulta em:

  • Degradação acelerada das pastagens, exigindo reforma futura (custo muito superior).
  • Perda de capacidade de suporte, obrigando a venda prematura de animais.
  • Maior dependência de suplementos, que também sobem de preço.
  • Redução do desempenho animal e da rentabilidade por hectare.
  • Aumento do ciclo produtivo, elevando custos fixos.

O momento certo de investir

A decisão de adubar deve considerar diversos fatores inter-relacionados. A relação de troca fertilizante/boi é um indicador importante: se historicamente é necessário 1,5@ para comprar 1 saco de ureia e a relação subiu para 2,5@, é momento de avaliar alternativas, mas não necessariamente parar de adubar.

O preço de venda da arroba também influencia essa decisão, pois com arroba valorizada, mesmo insumos caros podem viabilizar o investimento. A disponibilidade de forragem na propriedade é outro aspecto importante, já que se a fazenda está no limite da capacidade, não adubar significa perder receita com animais que você poderia estar vendendo.

Por fim, o nível de degradação das pastagens não pode ser ignorado, uma vez que pastagens já degradadas exigem intervenção urgente, independente do preço dos insumos.

A verdade é que adubação de pastagens não é despesa, é investimento produtivo. A questão não é SE adubar, mas COMO adubar de forma mais eficiente e econômica diante do cenário de preços. Com planejamento, análise técnica e gestão competente, a adubação continua sendo uma das ferramentas mais poderosas para aumentar a rentabilidade da pecuária de corte.

Análise de solo: o primeiro passo para uma adubação eficiente

Antes de qualquer aplicação de fertilizantes, é fundamental realizar a análise de solo. Esta etapa é decisiva para o sucesso do programa de adubação, pois permite conhecer as características químicas, físicas e, idealmente, biológicas do solo da propriedade.

Importância da análise

A análise de solo revela:

  • Níveis de pH e necessidade de calagem;
  • Teores de nutrientes disponíveis;
  • Saturação por bases;
  • Capacidade de troca catiônica (CTC);
  • Teores de matéria orgânica;
  • Possíveis problemas de toxicidade (alumínio, por exemplo).

Sem essas informações, qualquer recomendação de adubação será apenas um “chute”, podendo resultar em desperdício de recursos ou mesmo prejuízos à pastagem.

Frequência recomendada

Recomenda-se realizar análise de solo a cada 2 ou 3 anos em pastagens já estabelecidas, e anualmente em áreas sob manejo intensivo. Para áreas em formação, a análise deve ser feita antes da implantação e repetida após o primeiro ano.

Coleta adequada das amostras

Para garantir resultados confiáveis:

  • Divida a propriedade em talhões homogêneos;
  • Colete de 15 a 20 subamostras por talhão;
  • Retire a vegetação superficial antes da coleta;
  • Colete na profundidade de 0-20 cm;
  • Misture bem as subamostras e envie cerca de 500g ao laboratório;
  • Identifique corretamente cada amostra.

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Nutrientes essenciais para pastagens: macronutrientes

As plantas forrageiras necessitam de 17 elementos essenciais para seu desenvolvimento. Destes, seis são requeridos em maiores quantidades e são chamados de macronutrientes primários e secundários.

Nitrogênio (N): o motor do crescimento

O nitrogênio é o nutriente mais demandado pelas gramíneas forrageiras e o principal responsável pelo aumento da produção de forragem. Ele participa da formação de proteínas, clorofila e diversos compostos orgânicos.

Além disso, aumenta a produção de matéria seca, intensifica a cor verde das folhas e acelera o rebrote após o pastejo.

Fósforo (P): essencial para o estabelecimento

O fósforo é fundamental para o desenvolvimento radicular, perfilhamento e estabelecimento das pastagens. A maioria dos solos brasileiros apresenta deficiência natural deste nutriente.

Tem como principais funções: estimula o crescimento das raízes, melhora o perfilhamento, aumenta a resistência a pragas e doenças e é fundamental na transferência de energia (ATP).

Potássio (K): o regulador de funções

O potássio atua na regulação hídrica da planta, na ativação enzimática e no transporte de açúcares. Sua deficiência é comum em solos arenosos e em áreas sob pastejo intensivo.

Suas principais funções são a regulagem da abertura e fechamento dos estômatos, melhora a resistência ao pisoteio, aumenta a tolerância a estresses e melhora a qualidade nutricional da forragem.

Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg): além da calagem

Embora geralmente fornecidos pela calagem, cálcio e magnésio são nutrientes essenciais que participam de diversos processos metabólicos.

O cálcio tem como funções principais o crescimento radicular e o magnésio é um ativador enzimático.

Enxofre (S): o nutriente esquecido

O enxofre tem ganhado importância devido ao uso crescente de fertilizantes concentrados que não contêm este elemento.

Tem como principais funções melhorar a eficiência do uso do nitrogênio e aumentar o teor proteico.

Micronutrientes

Embora necessários em pequenas quantidades, os micronutrientes (zinco, boro, cobre, manganês, ferro, molibdênio e cloro) são essenciais para o metabolismo das plantas.

Sinais de deficiência

  • Zinco: redução do crescimento, folhas pequenas;
  • Boro: morte de gemas apicais, nanismo;
  • Cobre: folhas cloróticas, baixo perfilhamento;
  • Manganês: clorose internerval.

A aplicação de micronutrientes geralmente é feita via foliar ou incorporada aos fertilizantes granulados, sempre com base na análise de solo e foliar.

Tipos de adubação de pastagens

Adubação de formação

Realizada antes ou durante o plantio da pastagem, visa fornecer os nutrientes necessários para o estabelecimento vigoroso das plantas. Geralmente inclui doses elevadas de fósforo e potássio, além de calcário para correção do pH.

Esse tipo de adubação garante germinação uniforme, promove crescimento radicular profundo e estabelece stand adequado de plantas.

Adubação de manutenção

Aplicada anualmente em pastagens estabelecidas para repor os nutrientes exportados pelos animais ou perdidos por lixiviação. Foca principalmente em nitrogênio e potássio.

A adubação de manutenção mantém a capacidade produtiva, previne degradação e sustenta a qualidade nutricional.

Adubação corretiva

Utilizada para corrigir deficiências específicas identificadas na análise de solo ou visual. Pode incluir aplicação de micronutrientes, calcário ou gesso agrícola.

Métodos e épocas de aplicação

1. Distribuição a lanço

Método mais comum na pecuária, utiliza distribuidores mecânicos ou manuais para espalhar o fertilizante uniformemente sobre a área. É adequado para áreas extensas e relativamente planas.

Tem como vantagens a rapidez na aplicação, o menor custo operacional e equipamentos acessíveis, porém é necessário tomar cuidados com a regulagem do distribuidor e evitar aplicação com vento forte.

2. Aplicação localizada

Utilizada principalmente na formação, consiste em aplicar o fertilizante em linhas ou covas. Reduz a quantidade de produto necessário, mas exige mais mão de obra.

Melhor período do ano para aplicação

A época de aplicação deve coincidir com:

  • Início do período chuvoso: para fertilizantes nitrogenados e potássicos;
  • Antes do plantio: para corretivos e fosfatados;
  • Parcelamento: dividir a dose de nitrogênio em 2-3 aplicações durante o período das águas.

Cálculo de doses: como determinar a quantidade ideal

O cálculo da dose de fertilizante deve considerar:

  1. Resultado da análise de solo;
  2. Expectativa de produção;
  3. Nível tecnológico da propriedade;
  4. Histórico da área;
  5. Capacidade de investimento.

Exemplo prático de cálculo

Para aplicar 100 kg de N/ha usando ureia (45% de N):

Quantidade de ureia = (100 kg de N / 0,45) = 222 kg de ureia/ha

Para uma área de 50 hectares: 222 x 50 = 11.100 kg ou 11,1 toneladas de ureia.

Tabela orientativa de adubação de manutenção

Tabela orientativa para adubação de pastagens

*Valores orientativos. Sempre considerar a análise de solo.

Fontes de nutrientes: fertilizantes mais utilizados

Fertilizantes minerais

Vantagens:

  • Alta concentração de nutrientes;
  • Liberação rápida;
  • Facilidade de aplicação;
  • Disponibilidade no mercado;

Principais opções:

  • NPK formulados: 20-05-20, 20-00-20, 10-10-10;
  • Fertilizantes simples: ureia, MAP, cloreto de potássio;
  • Fertilizantes de liberação lenta: ureia revestida;

Fertilizantes orgânicos

Estercos, compostos e dejetos podem ser utilizados, especialmente em sistemas integrados.

Vantagens:

  • Melhoram a estrutura do solo;
  • Aumentam a matéria orgânica;
  • Fornecem múltiplos nutrientes;
  • Ativam a biologia do solo.

Erros comuns na adubação de pastagens

1. Adubar sem análise de solo

Aplicar fertilizantes sem conhecer as necessidades reais do solo é o erro mais grave e comum. Pode resultar em desperdício de dinheiro ou desequilíbrios nutricionais.

2. Aplicar doses insuficientes

Doses muito baixas não geram resposta significativa e representam desperdício. É melhor adubar bem uma área menor do que subdosar toda a propriedade.

3. Não considerar o clima

Aplicar nitrogênio antes de um período seco ou na época das secas reduz drasticamente a eficiência do fertilizante.

4. Esquecer do fósforo

Focar apenas em nitrogênio sem corrigir deficiências de fósforo limita a resposta da pastagem, especialmente o perfilhamento e o crescimento radicular.

5. Não ajustar a lotação

Aumentar a produção de forragem sem ajustar o número de animais desperdiça o potencial da adubação e pode levar à perda de qualidade do pasto.

Monitoramento dos resultados

Após iniciar o programa de adubação, é fundamental monitorar os resultados para avaliar o retorno do investimento e fazer ajustes.

Indicadores de sucesso

  • Produção de forragem: medida em kg de MS/ha;
  • Capacidade de suporte: UA/ha;
  • Ganho de peso: kg/animal/dia e kg/ha/ano;
  • Taxa de lotação: animais/ha;
  • Aspecto visual: cor, densidade, vigor;
  • Persistência: longevidade da pastagem.

Ferramentas de monitoramento

  • Análise de solo periódica;
  • Análise foliar (para diagnosticar deficiências);
  • Pesagem regular dos animais;
  • Avaliação da altura e massa de forragem;
  • Registro fotográfico das áreas.

Ajustes necessários

Com base nos resultados, pode ser necessário:

  • Aumentar ou reduzir doses;
  • Mudar fontes de nutrientes;
  • Ajustar épocas de aplicação;
  • Modificar o parcelamento;
  • Corrigir problemas de manejo (lotação, período de descanso).

Conclusão

A adubação de pastagens é um investimento estratégico que pode transformar completamente a produtividade e a rentabilidade da pecuária de corte. Quando bem planejada e executada, baseando-se em análise de solo e respeitando as particularidades de cada sistema, a adubação permite intensificar a produção, reduzir custos por arroba produzida e promover a sustentabilidade da atividade.

Lembre-se: pastagens bem nutridas significam animais bem alimentados, ciclos de produção mais curtos e maior lucratividade para sua propriedade. O conhecimento técnico aliado ao planejamento financeiro é a chave para extrair o máximo potencial produtivo das suas áreas de pastagem.

Invista em conhecimento, busque orientação técnica especializada e faça da adubação de pastagens uma prática regular em sua fazenda. Os resultados aparecerão no cocho, na balança e, principalmente, no seu resultado financeiro.

Transforme pasto em arroba e aumente o lucro da fazenda

Grande parte da pecuária de corte no Brasil ainda perde eficiência por não manejar corretamente as pastagens e por adotar estratégias de nutrição sem planejamento.

O Curso Gestão da Nutrição e Pastagens na Pecuária de Corte mostra, na prática, como aproveitar ao máximo o potencial das forrageiras, planejar a suplementação em cada fase e aumentar o ganho de peso por hectare. É conhecimento aplicado que resulta em mais arrobas produzidas e maior rentabilidade no rebanho.

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