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Amostra de solo para recomendação de calagem e adubação

A coleta da amostra é o primeiro passo para que se estabeleça um programa racional de exploração do solo. É também a etapa mais crítica, já que uma pequena porção de terra deverá representar alguns milhares de toneladas de solo. Quando uma amostragem é mal executada, todo o processo de análise e interpretação fica comprometido, podendo causar grandes prejuízos ao produtor.

As doses de adubos e corretivos devem ser recomendadas com o objetivo de proporcionar a maior lucratividade possível ao agricultor, sendo a análise do solo um dos parâmetros mais importantes para alcançar esse propósito.

Seleção da gleba

O termo gleba é utilizado para áreas consideradas uniformes com relação a características importantes do solo tais como cor do solo, drenagem, posição na encosta, cultura explorada, textura do solo e histórico da área. 

Para que uma amostra seja representativa, devemos dividir a área com base nas características acima, tomando o cuidado para que uma gleba não seja superior a 10 ha. Mesmo grandes áreas aparentemente uniformes devem ser divididas, aumentando a confiabilidade dos resultados.

A figura 1 ilustra como dividir uma propriedade em glebas para uma eficiente amostragem:

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Figura 1. Exemplo de divisão de área: as glebas 1 e 2 são separadas em função do tipo de exploração, enquanto as glebas 3 e 4 são diferentes por causa da declividade.

Como em cada uma dessas áreas teremos amostras distintas, é conveniente desenhar um pequeno mapa da propriedade para identificar de forma segura a gleba que foi amostrada.

Como selecionar a amostra

Para fins de fertilidade, a amostra pode ser coletada com enxada, enxadão + pá de corte ou trado, balde e saco plástico com etiqueta de identificação. O trado torna o trabalho rápido, além de uniformizar a quantidade de solo coletada em cada ponto. No entanto, bons resultados também são obtidos com o enxadão e a pá de corte. Todos os recipientes e materiais devem estar devidamente limpos para evitar contaminações da amostra.

Figura 2. Pá-de-corte e diferentes modelos de trados utilizados para realizar a amostragem (Brasil, 2002).

Época de amostragem

Para culturas anuais, a amostragem deve ser feita alguns meses antes do plantio. Isso porque, além de facilitar o planejamento das atividades na propriedade, nos casos em que a aplicação do calcário é recomendável, é importante sua aplicação com antecedência para permitir que a reação se promova. Em culturas perenes, inclusive pastagens, a amostragem deve ser feita preferencialmente no final do período chuvoso ou após a colheita.

Quando coletar

Como regra geral é correto afirmar que, quando o solo é explorado de forma intensiva, deve-se realizar ao menos uma amostragem ao ano, independente da cultura explorada. Em cultivos convencionais as amostragens podem ser realizadas em intervalos de 2 ou 3 anos, visto que as aplicações anuais de adubo levam alguns anos para alterar os níveis dos elementos no solo. O efeito residual do calcário também dispensa que as amostras tenham que ser coletadas anualmente.

Solos com características extremas como os muito arenosos ou de acidez elevada também merecem atenção especial, através de amostras mais freqüentes.

Profundidade da amostra

As análises de rotina geralmente são realizadas com amostras coletadas na profundidade de 0 a 20 cm. No entanto, em diversas situações, essa profundidade não é suficiente para uma recomendação adequada.

Tanto para culturas anuais sob sistema de plantio direto quanto em manutenção de pastagens periodicamente adubadas, a amostragem deve ser executada nas profundidades de 0 a 10 cm e 10 a 20 cm.

Para implantação de culturas perenes ou quando existe a perspectiva do uso do gesso na recomendação, amostras mais profundas são necessárias, normalmente subdivididas em camadas de 20 cm, ou seja, 0 a 20, 20 a 40 e 40 a 60 cm. A amostragem nas camadas subsuperficiais é realizada no mesmo ponto de coleta das camadas superficiais, tomando cuidado para evitar a contaminação das camadas inferiores.

A coleta

Para a realização de uma amostragem adequada, deve-se escolher aleatoriamente um ponto na gleba, previamente definida. Realiza-se uma limpeza superficial nesse local (capina, se necessário) com auxílio de uma enxada. Em seguida, com o uso do trado, coleta-se uma amostra na profundidade desejada.

Figura 3. Posição adequada para coleta das amostras em culturas anuais e perenes.

Se a ferramenta utilizada for o enxadão, abre-se uma valeta conforme ilustra a figura 4, e, com auxílio da pá de corte, retira-se uma fatia de aproximadamente 3 cm de espessura, desprezando-se as laterais da amostra e colocando a parte central em um balde plástico limpo.

Essa operação deverá ser repetida pelo menos 20 vezes dentro da mesma gleba, caminhando-se ao acaso e em zigue-zague na área (Figura 4), para cada uma das profundidades amostradas.

Não devem ser coletadas amostras em locais atípicos da paisagem, como nas proximidades das casas, galpões, brejos, voçorocas, caminhos de pedestres, trilho de animais, formigueiros etc., evitando introduzir erros na amostragem.

Figura 4. Sequência de operações na coleta de amostra do solo, utilizando-se de enxadão e pá-de-corte (Brasil, 2002)

Remessa

Após a coleta das amostras simples, o solo deve ser bem misturado, obtendo-se uma amostra composta uniforme, da qual se separam 300 gramas em saco plástico limpo com etiqueta ou caixinha de papelão apropriada. Cada amostra composta deve ser identificada com data, local e profundidade da coleta e enviada para um laboratório credenciado. Dê preferência aos laboratórios que possuem o selo de controle de qualidade do PROFERT.

Caso não seja possível encaminhá-las em menos de 12 horas, as amostras devem ser secas à sombra, em local protegido de contaminação com poeira ou qualquer outro resíduo, e encaminhar para o laboratório logo que possível, estando corretamente identificadas.

Um formulário fornecido pelo laboratório deve ser preenchido, visando melhor conhecimento do solo e do seu manejo, a fim de facilitar a interpretação dos resultados. Não deixe de realizar a análise do solo. É um investimento muito pequeno comparado aos benefícios que ela propicia.

Bibliografia

BORGES, A.L.; ACCIOLY, A.M. de A. Amostragem do solo para recomendação de calagem e adubação. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical,2007. 4p. (Comunicado Técnico, 122).

BRASIL. SECRETARIA DE APOIO RURAL E COOPERATIVISMO. Amostragem e análise do solo: calagem, adubação, semente. – Brasília:MAPA/SARC, 2002. 34p.

CANTARUTTI, R.B.; ALVAREZ, V.H.; RIBEIRO, A. C. Amostragem do solo. In: RIBEIRO, A.C.; GUIMARÃES, P.T.G.; ALVAREZ, V.H. Recomendação para uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais. 5ª Aproximação. Viçosa-MG: UFV, 1999. p.13-20.