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amostra de solo

Como amostrar corretamente os solos para análise

O solo é um dos componentes mais essenciais para a agricultura. É ele quem sustenta as lavouras, fornece a maior parte dos nutrientes que a cultura precisa e, de acordo com suas características, pode aumentar significativamente o volume de produção.

Assim, notamos a importância desse recurso natural, mas como torná-lo adequado para nossas culturas? A resposta disso vai depender do tipo de solo, minerais e nutrientes disponíveis. É por meio de dados como esse, que o produtor poderá fornecer exatamente o que sua lavoura precisa.

Para proceder a essa análise do solo, existem técnicas específicas para tornar os dados mais precisos e corretos.

O primeiro passo é a coleta da amostra. Essa etapa é a mais crítica, já que uma pequena porção de terra deverá representar alguns milhares de toneladas de solo. 

Quando uma amostragem é mal executada, todo o processo de análise e interpretação fica comprometido, podendo causar grandes prejuízos. Então confira neste artigo, os procedimentos corretos.

Seleção da gleba

O termo gleba é utilizado para áreas uniformes com relação às características importantes do solo, tais como: 

  • Cor do solo;
  • Drenagem;
  • Posição na encosta;
  • Cultura explorada;
  • Textura do solo;
  • Histórico da área. 

Para que uma amostra seja representativa, devemos dividir a área com base nas características acima, tomando o cuidado para que uma gleba não seja superior a 10 ha.

Seleção da gleba

Figura 1. Exemplo de divisão de área: as glebas 1 e 2 são separadas em função do tipo de exploração, enquanto as glebas 3 e 4 são diferentes por causa da declividade.

Como teremos amostras distintas, é conveniente desenhar um pequeno mapa da propriedade para identificar de forma segura a gleba que foi amostrada.

Como selecionar a amostra

Para fins de fertilidade, a amostra pode ser coletada com enxada, enxadão + pá de corte ou trado, balde e saco plástico com etiqueta de identificação. 

Todos os recipientes e materiais devem estar devidamente limpos para evitar contaminações da amostra.

Figura 2. Pá-de-corte e diferentes modelos de trados utilizados para realizar a amostragem

Pá-de-corte

calagem e adubação

(Brasil, 2002)

Época de amostragem

  • Culturas anuais: a amostragem deve ser feita alguns meses antes do plantio. 
  • Culturas perenes: a amostragem deve ser feita no final do período chuvoso ou após a colheita.

Quando coletar

Para solos explorados de forma intensiva, deve-se realizar ao menos uma amostragem ao ano, independente da cultura.

Em cultivos convencionais, as amostragens podem ser realizadas em intervalos de 2 ou 3 anos, visto que as aplicações anuais de adubo levam alguns anos para alterar os níveis dos elementos no solo. 

O efeito residual do calcário dispensa amostragens anuais.

Solos com características muito arenosas ou de acidez elevada, merecem amostras mais frequentes.

Profundidade da amostra

As análises de rotina são realizadas com amostras na profundidade de 0 a 20 cm. No entanto, em diversas situações, essa profundidade não é suficiente.

Tanto para culturas anuais sob sistema de plantio direto, quanto em manutenção de pastagens adubadas, a amostragem deve ser executada de 0 a 10 cm e 10 a 20 cm.

Para implantação de culturas perenes ou quando se usa gesso, são necessárias amostras mais profundas de 20 cm (0 a 20, 20 a 40 e 40 a 60 cm). 

A amostragem nas camadas subsuperficiais é realizada no mesmo ponto de coleta das camadas superficiais, com cuidado para evitar contaminar as camadas inferiores.

A coleta

Para a realização de uma amostragem adequada, deve-se escolher aleatoriamente um ponto na gleba. Realiza-se uma limpeza superficial nesse local com auxílio de uma enxada. Em seguida, com o uso do trado, coleta-se uma amostra na profundidade desejada.

Figura 3. Posição adequada para coleta das amostras em culturas anuais e perenes.

calagem e adubação

Se a ferramenta utilizada for o enxadão, abre-se uma valeta conforme ilustra a figura 4, e com auxílio da pá de corte, retira-se uma fatia de 3 cm de espessura, desprezando-se as laterais e colocando a parte central no balde plástico limpo.

Essa operação deverá ser repetida pelo menos 20 vezes dentro da mesma gleba, caminhando-se ao acaso e em zigue-zague na área (Figura 4), para cada uma das profundidades amostradas.

Não devem ser coletadas amostras em locais atípicos da paisagem, como nas proximidades das casas, galpões, brejos, voçorocas, trilho de animais, formigueiros etc., evitando introduzir erros na amostragem.

Figura 4. Sequência de operações na coleta de amostra do solo, utilizando-se de enxadão e pá-de-corte 

Sequência de operações na coleta de amostra do solo

calagem e adubação

(Brasil, 2002)

Remessa

Após a coleta das amostras, o solo deve ser misturado, obtendo-se uma amostra composta uniforme. Dela se separam 300 gramas em saco plástico limpo com etiqueta. 

Cada amostra composta deve ser identificada com data, local, profundidade da coleta e enviada para um laboratório credenciado. 

Caso não seja possível encaminhá-las em menos de 12 horas, as amostras devem ser secas à sombra, em local protegido de poeira ou qualquer outro resíduo, e encaminhar para o laboratório logo que possível.

Preencha o formulário fornecido pelo laboratório, visando melhor conhecimento do solo, manejo e facilitar a interpretação dos resultados. 

Atenção!

Não deixe de realizar a análise do solo. É um investimento muito pequeno comparado aos benefícios que ela propicia. É por meio dela que você poderá predizer quais nutrientes sua cultura precisa para expressar seu máximo potencial produtivo.

E para saber quais os principais nutrientes sua cultura de grãos necessita, confira:

Tenha uma boa leitura!

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