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mofo branco do feijoeiro

Mofo-branco no feijoeiro

Mofo-branco no feijoeiro
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O feijoeiro pode ser afetado por diversas doenças, causadas por fungos, bactérias e vírus. Dentre estas, a de maior importância e capaz de reduzir drasticamente a produtividade do cultivo, é o mofo-branco.

mofo branco do feijoeiro Fonte: campoenegocios.com.br

O mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorun é a doença mais destrutiva no cultivo de feijão. Sua ocorrência é frequentemente observada em plantios de outono-inverno, sob áreas irrigadas. E isso acontece devido ao comprimento dos dias serem mais curtos, as temperaturas mais amenas e possuir alta umidade devido à disponibilidade de água pela irrigação. Outro ponto que favorece a ocorrência da doença nas lavouras de feijão está relacionado ao espaçamento entre plantas. Lavouras em que o cultivo é mais adensado, tem menor entrada de luz no dossel das plantas, criando assim, um microclima favorável à germinação e desenvolvimento do fungo.

Uma característica importante sobre esta doença é que a S. sclerotiorum possui estruturas de resistência, que podem sobreviver de forma viável no solo, por pelo menos 5 anos. Estas estruturas são denominadas de escleródios e possuem coloração preta e são facilmente observadas em uma lavoura infectada, conforme demonstrado na figura 1 abaixo:

 

Escleródios de mofo-brancoFigura 1 – Escleródios de mofo-branco

 

Os escleródios podem apresentar dois tipos de germinação, são elas:

  • Miceliongênica – a qual ocorre a produção de hifas, que podem estar presentes em sementes e dar origem à uma nova disseminação da doença na lavoura;
  • Carpogênica – nesse caso ocorre a produção dos apotécios, estruturas em formato de cogumelo (Figura 2), que liberam os ascósporos (Figura 3) no ambiente. Os ascósporos são disseminados pelo vento e são estas as estruturas capazes de infectar a planta.

                                                                                                                                  Figura 2                                          Figura 3

imagens de mofo-brancoFonte: COBB & DILLARD, 2004.

 

O mofo-branco é considerado como sendo uma doença mono cíclica, ou seja, possui apenas um ciclo primário de infecção, e uma vez que a planta está contaminada, a doença não é contagiosa. Portanto, a propagação do fungo de uma planta para outra pode acontecer, porém é um evento raro.

O ciclo de infecção do mofo-branco nas plantas ocorre da seguinte forma:

ciclo de infestação de mofo branco

Fonte: www.apsnet.org

 

Conforme pode ser observado, o primeiro tecido a ser infectado pelos ascósporos são pétalas florais que já se encontram em estádio de senescência, portanto, são órgãos de fácil acesso para o fungo adquirir energia e se desenvolver.

Sintomas do mofo-branco no feijoeiro

Os primeiros indícios da presença de mofo-branco na lavoura de feijão ocorrem em reboleiras, onde pode ser observado a murcha da planta, resultante do apodrecimento do caule. E os sintomas de infecção por mofo branco progridem das flores, local onde os ascósporos penetram, para folhas, caules, ramos e vagens, onde ocorre a formação de micélio cotonoso, de coloração branca, com presença de escleródios pretos, os quais possuem formas e tamanhos irregulares. Caules e ramos quando infectados, provocam a morte da planta, as quais ficam branqueadas e secas.

Manejo do mofo-branco na lavoura de feijão

Existem alguns métodos que podem ser utilizados em conjunto para manejar o mofo-branco na lavoura, fique atento:

Rotação de culturas – Áreas infestadas com mofo-branco não devem ter cultivos sucessivos de soja/feijão, uma vez que ambas as culturas são susceptíveis ao patógeno. Portanto, deve-se adotar a prática da rotação de culturas, a qual permite fazer o cultivo de plantas que não são hospedeiras da doença, como as gramíneas, e assim, quebrar o ciclo do mofo-branco.

Aquisição de sementes – O uso de sementes sadias e com boa procedência deve ser prioridade na fazenda. Mesmo em áreas onde não se tem a presença de escleródios do mofo-branco, deve ser feito a aquisição de sementes de boa qualidade, para assim, evitar a entrada e disseminação da doença na lavoura. Para isso, algumas medidas podem ser tomadas, como: fazer teste de sanidade do lote de semente e rebeneficiar as sementes compradas, usando mesas de gravidade para retirar escleródios.

Tratamento de semente (TS) – O tratamento de sementes pode ser realizado por meio do uso de fungicidas de ação sistêmica em conjunto com fungicidas de contato e ambos devem ter registro no MAPA para o feijão. Em geral, o TS apresenta alta eficiência em erradicar os patógenos que estão dormentes no interior das sementes.

Escolha da cultivar – Em áreas onde se tem histórico de ocorrência de mofo-branco, deve-se preferir principalmente cultivares com porte ereto (feijão tipo I e tipo II), com hábito de crescimento determinado, pois permitem maior entrada de luz e circulação de ar. Exemplos de cultivares: TAA Gol, Goiano Precoce, BRS Radiante.

Espaçamento e densidade de semeadura – Sempre que possível, o plantio deverá ser realizado paralelamente à direção de caminhamento do sol e/ou no sentido da direção predominante do vento. A recomendação correta da população de plantas é fundamental para o bom manejo desta doença.

Época de plantio – Em áreas com histórico de mofo-branco, deve-se evitar realizar o cultivo de feijão na safra outono-inverno. Uma outra opção é semear na segunda quinzena de julho (cultivo inverno-primavera), pois neste caso, a época de florescimento coincidirá com período de temperaturas crescentes, o que desfavorece o patógeno.

Uso de fungicidas – As aplicações de fungicidas de forma preventiva tem se mostrado muito eficiente para o manejo de mofo-branco. Desta forma, além de realizar o tratamento de sementes, é recomendado realizar a 1º aplicação quando se observar a primeira flor no feijoeiro. Existem diversos produtos registrados pelo MAPA para controle desta doença, os quais podem ser encontrados no AGROFIT.

Uso de produtos biológicos – O uso de fungos antagonistas tem se mostrado bastante interessante e um bom aliado ao manejo químico no controle de mofo-branco. O principal produto à base de fungos é o Trichodermax, o qual é registrado pelo MAPA para a cultura do feijão. Recomenda-se a aplicação deste produto quando a planta estiver em estádio V4, bem como fazer a aplicação em dias com temperaturas mais amenas, preferencialmente no final da tarde ou à noite.

REFERÊNCIAS

BERNARDES, A. Intensidade do mofo-branco do feijoeiro em função da densidade de plantio e da aplicação de Trichoderma spp. 2005. p.40. Dissertação (Mestrado em Fitopatologia) – Curso de Pós-graduação em Agronomia, Universidade Federal de Viçosa, MG.

HOES, J.A.; HUANG, H.C. Sclerotinia scleoriorum viability and separation of sclerotinia from soil. Phytopathology, St. Paul, v.65, p.1431-1432, 1975. Disponível em: . Acesso em: 11 nov.2010.

Juliatti, F. C., Figueiró, A. A., Garcia, R. Á., & Santos, J. B. (2015). Sclerotinia sclerotiorum e Mofo branco: Estudos básicos e aplicados. Ver. Anual de Patol. Plantas, 23, 159-194.

KLUTHCOUSKI, J.; AIDAR, H.; THUNG, M. Principais problemas da cultura do feijão no Brasil. In: FANCELLI, A.L.; DOURADO-NETO, D. (Eds.). Feijão: estratégias de manejo para alta produtividade. Piracicaba: ESALQ, 2007. p.53-102.