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Indicadores de fertilidade do solo: como reduzir as perdas de produção por solo inadequado

A fertilidade é a característica que mais evidencia o valor agronômico do solo, e quando não está bem equilibrada, de acordo com o solo e as necessidades da cultura, pode acabar ocasionando perdas na produção. Nesse artigo, trataremos de vários desses indicadores, para que você entenda e possa evitar os prejuízos. 

A fertilidade do solo pode ser modificada pelo homem com certa facilidade para se adequar às exigências das plantas cultivadas, como necessidade de enxofre e fósforo que é bem limitante em nossos solos. Trata-se, pois, de uma característica variável no tempo e com o manejo agrícola. 

Figura 1. preparo do solo.

fertilidade do solo

Fonte: Pixabay

Mesmo em condições naturais, o fluxo de nutrientes no sistema solo-planta-atmosfera é dinâmico e, portanto, passível de mudanças, cujas magnitudes dependem das condições ecológicas locais e da interação com a exploração agrícola. 

Em solo já cultivado, as mudanças dependem das condições iniciais de cultivo, do manejo adotado, da cultura trabalhada e das condições climáticas locais. 

A agricultura moderna exige a determinação precisa do teor de nutrientes no solo e na planta, para permitir um manejo que aperfeiçoe a produção e que garanta altas rentabilidades, sem perdas de sustentabilidade no tempo, nem danos ambientais ao ecossistema, onde a atividade agrícola está inserida. 

Materiais para análises 

A análise de solo e a análise de tecido vegetal constituem as ferramentas apropriadas para isso, viabilizando a avaliação da fertilidade do solo. A partir dos resultados de análise do solo e de tecido vegetal, é possível tomar as decisões técnicas adequadas, levando em conta:

  • Os tipos de fertilizantes necessários; 
  • Quantidades adequadas; 
  • Modo de aplicação e ação;
  • Melhor época de aplicação de corretivos e fertilizantes.
  • Tudo isso para obter as melhores produtividades das diferentes culturas.

Figura 2. Agrônoma analisando amostra para análise de solo

fertilidade do solo

Fonte: Freepik (Aleksandarlittlewof)

Para uso adequado das análises de solo e de tecido vegetal como ferramentas que permitem avaliar a fertilidade e recomendar a correção do solo e adubação das culturas, é importante o entendimento de alguns termos técnicos.

Fertilidade do solo

É a capacidade que o solo tem em fornecer nutrientes para as plantas. É caracterizada pelos teores disponíveis dos nutrientes:

N: nitrogênio;
P: fósforo;
K: potássio;
Ca: cálcio;
Mg: magnésio;
S: enxofre;
B: boro;
Cl: cloro;
Cu: cobre;
Fe: ferro;
Mn: manganês;
Mo: molibdênio;
Ni: níquel;
Zn: zinco .

Outra característica importante avaliada é a acidez ativa:

H: hidrogênio; 

Trocável: alumínio – Al;

Potencial (H+Al);

E, por fim, o teor de matéria orgânica (MO). 

Os teores disponíveis de nutrientes são medidos utilizando extratores químicos que simulam a extração de nutrientes pelas raízes das plantas.

Disponibilidade do nutriente 

A disponibilidade de um nutriente é a porção de seu teor total que o solo pode ceder às plantas durante todo seu ciclo. A esta porção chamamos de lábil ou de fator quantidade. Já a fração do nutriente que está na solução do solo e é facilmente disponível, podendo ser absorvida pelas plantas a qualquer momento, é denominada de fator intensidade. 

A capacidade do solo em manter constante a concentração do nutriente na solução do solo, por meio de reposição a partir dos nutrientes adsorvidos às partículas minerais, chama-se fator capacidade. 

Um solo fértil tende a manter os teores dos nutrientes na solução do solo razoavelmente constantes por longo período de tempo, mesmo em condições normais de cultivo. Um exemplo prático do uso desses conceitos é a análise de fósforo e enxofre no solo: os teores disponíveis desses nutrientes dependem estreitamente da capacidade tampão do solo, de modo que o teor de argila é amplamente utilizado como estimador dessa capacidade.

Teor disponível 

É o teor recuperado do solo por determinado extrator químico, que reflete a quantidade de nutriente que é absorvido e acumulado na planta em condições controladas de cultivo. 

Há diversos extratores químicos e as interpretações dos teores são válidas para cada extrator específico. 

Os elementos trocáveis, de modo geral, (K, Na, Ca, Mg e Al) são pouco influenciados pelos extratores usados no Brasil. No entanto, os teores de fósforo medidos pela resina trocadora de íons (Sistema IAC de Análise de Solo) e pelo extrator duplo ácido (Sistema Embrapa de Análise de Solo) são bem contrastantes em suas características e sensibilidade do fator capacidade tampão de fosfato. 

Em geral, a sensibilidade da resina ao teor de argila do solo é baixa, tornando desnecessária a sua indexação com os teores de argila; já os extratores ácidos, especialmente o Mehlich-1, tem necessidade de classificação dos teores recuperados de fósforo em função do teor de argila do solo, como um estimador de sua capacidade tampão de fosfato.

Nutriente trocável 

É o nutriente presente na superfície das partículas do solo, que é facilmente trocável por outro íon de igual caráter eletrônico, vindo de um sal neutro (por exemplo, K+ do KCl substitui NH4+, Ca2+, Mg2+ e Al3+ adsorvido nas partículas da fração argila) ou de um ácido forte diluído (por exemplo, o ânion fosfato substitui o sulfato; o cloreto substitui o nitrato; ou o H+ do duplo ácido substituindo o K+ e o Na+).

Elementos essenciais

Aqueles cuja deficiência impede que a planta complete seu ciclo vital. Não podem ser substituídos por outros com propriedades semelhantes. 

Elementos que fazem parte de moléculas essenciais ao metabolismo da planta ou que participam diretamente nesse metabolismo. 

Nem todos os elementos encontrados em grandes concentrações nas plantas são essenciais, pois as plantas possuem capacidade limitada de absorção seletiva, podendo absorver elementos não essenciais e até mesmo tóxicos.

Macronutrientes 

São os elementos essenciais que as plantas exigem em grandes quantidades normalmente em kg ha-1.

Figura 3. Fertilizante do tipo uréia granulada – fornece N.

fertilidade do solo

Fonte: Carlos Dias (Embrapa)

Eles são subdivididos em macronutrientes primários (N, P e K) e secundários (Ca, Mg e S) em função de sua presença predominante ou não na maioria dos fertilizantes comercializados.

Micronutrientes 

São os elementos essenciais que as plantas exigem em pequenas quantidades, geralmente em g ha-1

São eles: B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo, Ni e Zn.

Acidez ativa – pH 

A acidez ativa do solo é a concentração hidrogeniônica em solução. 

A escala de pH utilizada para medir a acidez ativa varia de 0 a 14. 

  • Valores de pH entre 2 e 3, indicam a presença de ácidos livres provenientes da pirita que, quando oxidada, passa para H2SO4
  • Quando o pH se situa entre 4 e 5, indica a presença de alumínio trocável. 
  • Quando o pH está em torno de 5,2 a 5,3, o alumínio trocável está quase na sua totalidade insolubilizado e não causa mais danos às raízes. 
  • Solos calcários apresentam pH entre 7 e 8. 
  • Quando o pH é próximo de 9, indica a presença de sódio.

Acidez trocável ou alumínio trocável 

Figura 4. Acidez por alumínio em plantas anuais.

fertilidade do solo

Fonte: Embrapa

A acidez trocável é representada pelo alumínio (Al3+). 

A presença de alumínio no solo pode inibir o crescimento radicular e influenciar na disponibilidade de outros nutrientes e processos como a mineralização da matéria orgânica. 

A correção do solo com calcário eleva o pH e insolubiliza o Al3+, tornando-o inofensivo para as raízes e processos do solo. 

Insistir em não fazer calagem quando o Al3+ no solo é maior que 0,5 cmolc dm-3, não é recomendado, pois, pode trazer prejuízos com a queda da produtividade. Algumas culturas são mais sensíveis ao Al3+ que outras.

Acidez total ou potencial 

A acidez potencial é composta pela acidez trocável e não trocável e é representada pelo H+Al.

Pode ser obtida diretamente através do método do acetato de cálcio a pH 7. 

O método baseia-se na relação existente entre o pH de uma solução tamponada, adicionada ao solo e o teor de H+Al. 

A relação é dependente de atributos físicos, químicos e mineralógicos do solo.

Capacidade de troca catiônica 

A capacidade de troca catiônica (CTC) pode ser obtida por soma de bases, conforme a fórmula: CTC = Ca2+ + Mg2+ + K+ + H+Al. 

  • Valores maiores do que 15 cmolc dm-3, indicam presença de argila 2:1 na fração argila. 
  • Valores menores que 5 cmolc dm-3, indicam baixo teor de argila ou predominância de argila 1:1 como a caulinita. 

Em solos intemperizados, boa parte da CTC vem da matéria orgânica. 

A capacidade de troca catiônica é um dado a ser considerado no manejo da adubação. Em solos de baixa CTC o parcelamento do nitrogênio e do potássio é necessário para evitar perdas por lixiviação.

Saturação por bases (V%) 

A saturação por bases é a proporção da capacidade de troca catiônica ocupada pelas bases. 

  • Solos com saturação por bases maiores que 70%, indicam bons teores de Ca, Mg e K.
  • Solos com saturação por bases menores que 50%, têm cargas ocupadas por componentes da acidez H ou Al e necessitam de correção. 

Solos férteis

Todo aquele que pretende produzir, principalmente culturas anuais, precisa estar ciente que a análise do solo deve ser constante, ao menos a cada nova semeadura.

Conforme você pôde notar no artigo, entender os macro e micronutrientes são essenciais, pois as culturas são dependentes deles, no entanto, há também os limitantes, como o alumínio.

É possível reduzir as perdas ao se adequar o solo, mas mais do que isso, podemos mudar o foco, e nos perguntarmos: como torná-lo ainda mais produtivo? Como conseguir que seu solo esteja adubado o bastante para ter lavouras altamente produtivas?

O artigo a seguir pode te ajudar:

Fertilidade para máxima eficiência

Boa leitura.

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