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Desbrota na cultura do café: realizar ou não essa prática?

A desbrota consiste na retirada de brotos que nascem no ramo ortotrópico da planta, denominados ramos “ladrões”. Esses ramos podem utilizar as reservas energéticas da planta para seu crescimento, dessa forma em cafeeiros adultos, podem acarretar em prejuízos na produção, além de prejudicar a estrutura da planta e reduzir a vida útil da lavoura. Já em cafeeiros jovens, esses ramos podem acarretar em enfraquecimento das plantas.

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Figura 1. Ramos “ladrões” na planta de café. (Foto: Larissa Cocato)

A desbrota em diversos casos é uma prática esquecida pelo produtor que fica desatento ao desenvolvimento dos brotos ou àqueles que optam pela não realização dessa prática por ser onerosa, considerando que a desbrota é uma atividade de baixo rendimento realizada exclusivamente por mão de obra manual.

Indicadores de desbrota na cultura do café

O número de pés desbrotados por pessoa varia em função do rendimento do funcionário e da condição da lavoura (número e estado dos brotos), no entanto, esse número está em torno de 200 a 1000 plantas por serviço.

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Ramos “ladrões” na planta de café. (Foto: Larissa Cocato)

Estudos com desbrota na cultura do café

Santinato, Figueredo e Silva (2008) realizaram um trabalho, com o intuito de estudar a desbrota do cafeeiro de forma total, ou seja, com eliminação de todos os tipos de brotos ladrões e a desbrota parcial, eliminando somente os ramos ladrões que vergam para o centro das ruas. O ensaio foi instalado em uma lavoura da cultivar Catuai vermelho (IAC-144), irrigado sob Pivô central, com 6 anos de idade, de espaçamento 3,7 m x 0,5 m. A partir dos resultados do estudo, os autores concluíram que o melhor tratamento foi a desbrota total em todos os anos, acrescentando 42% na produtividade (Tabela 1).

Tabela 1. Efeito da desbrota total e parcial em cafeeiros irrigados sob Pivô Central. Fonte: Santinato, Figueredo e Silva (2008).

Jordão Filho et al. (2017) estudaram a condução da brotação após poda do tipo decote e esqueletamento, a fim de obter informações sobre a desbrota, na região da Mogiana Paulista. O estudo foi realizado com lavoura da cultivar Mundo Novo 379/19, espaçamento 3,5 x 0,70, plantadas em fevereiro de2006. Em agosto de 2013, foi iniciado o trabalho aplicando a poda, sendo para três tratamentos do tipo decote + esqueletamento (safra zero) e outros três apenas o decote, considerando um tratamento como testemunha, onde não recebeu nenhum tipo de poda.

Foi possível concluir que, em relação ao modo de condução das lavouras após a poda, a realização da desbrota apresentou melhores resultados a curto prazo (Tabela 2).

Tabela 2. Produtividade nas safras pós-poda em cafeeiros sob diferentes sistemas de poda e de condução da brotação apical e ortotrópicas (2017). 

As médias seguidas da mesma letra minúscula não diferem entre si na coluna, pelo Teste Scott Knott a 10 % de probabilidade.

Lacerda et al. (2016) realizaram um experimento com o intuito de verificar a influência da desbrota na primeira produção após a poda por esqueletamento associado ao decote em altura média. Os ensaios foram instalados em modelo fatorial com duas cultivares e cinco tratamentos de condução de brotos, sendo uma da cultivar Mundo Novo IAC 376/4, com espaçamento de 3,8 x 0,8 m, e outra com a cultivar Catuai 99 com espaçamento 3,7 x 0,7 m. A poda foi realizada no inicio do mês de setembro com esqueletamento e decote a 1,7 m de altura. Os resultados observados nesse estudo estão descritos na tabela abaixo (Tabela 3). Dessa forma, conclui-se que o sistema de livre crescimento, ou seja, sem desbrota, reduz significativamente a produtividade.

Tabela 3. Primeira produção após esqueletamento com decote a 1,7 m de altura em lavouras com diferentes sistemas de condução de brotos. Varginha, 2016.

Médias seguidas da mesma letra minúscula não diferem entre si na coluna, pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade.

Considerações

Portanto, apesar dos prejuízos provenientes da não realização da desbrota normalmente não serem percebidos no primeiro ano, quando os brotos ainda se encontram pequenos, os estudos mostram as consequências de não realizar a desbrota na produtividade da cultura. Por isso, mesmo sendo uma prática dispendiosa e com grande demanda de mão de obra, a não realização dessa atividade, pode acarretar em prejuízos nas produtividades das safras seguintes e até redução da vida útil das plantas.

Referências

  • JORDÃO FILHO, M.; MATIELLO, J. B.; PAIVA, R. N.; FERREIRA, G. L.; GARCIA, A. A.; LACERDA, G. R. diferentes conduções das brotações apicais, da haste ortotrópica, em sistemas de podas do cafeeiro, na Alta Mogiana Paulista. 2017.
  • LACERDA, G. R., GARCIA, A. L. A., FERREIRA, I. B., S FILHO, M. J., & LOURENÇO, J. Condução da brotação em lavouras de café de porte alto e baixo, após o esqueletamento. 2016.
  • SANTINATO, R.; FIGUEREDO, E.; SILVA, V. A. Efeito da desbrota total e parcial em cafeeiros irrigados sob pivô central. 2008.

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