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bezerro holandês

Como realizar e avaliar a cura de umbigo das bezerras?

Durante o período gestacional as estruturas umbilicais estabelecem a ligação materno-fetal para que haja fornecimento de nutrientes ao feto e sejam feitas trocas gasosas e metabólicas. Logo após ao parto essas estruturas se rompem, perdem a funcionalidade e originam o coto umbilical, que ainda assim possui importância para as bezerras recém-nascidas devido representar uma “ferida aberta” que serve como porta de entrada de microorganismos do ambiente para o organismo. Sendo assim, o processo de cura de umbigo representa um cuidado inicial extremamente importante para a saúde das leiteiras e que impacta diretamente em seu desenvolvimento futuro. Neste texto serão discutidos aspectos sobre a anatomia umbilical, consequências das onfalites, cura adequada do umbigo e monitoramento da saúde umbilical. Acompanhe!

Anatomia umbilical e as consequências das onfalites

Conforme demonstrado pela imagem abaixo, a anatomia umbilical é composta por uma veia que se direciona diretamente ao fígado, por duas artérias que se distribuem pelo organismo e pelo úraco que estabelece ligação com a bexiga.

umbigo de bezerras

Conhecer as estruturas que compõem o umbigo das bezerras é essencial para entender as consequências das infecções umbilicais, denominadas também como onfalites. O desfecho dos quadros de onfalite depende principalmente da estrutura umbilical acometida e da eficiência de processos como a colostragem. O esquema apresentado abaixo expõe as principais consequências das onfalites de acordo com a estrutura umbilical acometida.

umbigo de bezerras

Além da possibilidade de acarretar alterações físicas e fisiológicas no organismo das bezerras, estudos demonstram que os distúrbios gerados pelas infecções umbilicais possuem correlação com redução da produção de leite já na primeira lactação. Em casos onde a bezerra não foi bem colostrada e desenvolveu onfalite, por exemplo, as consequências são ainda mais graves. Onfalites não diagnosticadas e/ou não tratadas tendem a se complicar, ocasionando septicemia e levando os animais ao óbito.

umbigo de bezerras

Como realizar corretamente a cura do umbigo?

Realizar a cura de umbigo significa imergir o coto umbilical até a sua base em uma substância antisséptica e desidratante. A substância que possui essas características e que é mais recomendada para este processo é a tintura de iodo com concentração a 10%. Recomenda-se que a cura de umbigo seja feita imediatamente após o nascimento da bezerra, imergindo o cordão umbilical até a sua base na tintura de iodo durante aproximadamente 30 segundos.

A frequência mínima a ser adotada é de 2 vezes por dia, até o dia em que o umbigo seque e se desprenda do abdômen. A conservação da tintura de iodo ao abrigo da luz solar e da matéria orgânica é essencial para garantir o seu desempenho, visto que o contato do produto com esses fatores reduz a sua bioeficiência. É por esses motivos que se indica o armazenamento do iodo em um recipiente âmbar (reduz a passagem de radiação solar) do tipo copo sem retorno (evita o retorno de sujidade do ambiente para a tintura).

A tintura de iodo pode ser de origem comercial ou produzida pela própria fazenda. Independente da sua origem, a tintura deve ser de qualidade a fim de promover uma adequada cura de umbigo. Na tabela a seguir está demonstrada uma fórmula de tintura de iodo 10% para fabricação na fazenda, confira.

Como fazer a tintura: Macerar as 75 gramas de iodo metálico e as 25 gramas de iodeto de potássio, diluindo-as em 50 – 100 ml de água destilada. Acrescentar 900 – 950 ml de álcool absoluto até que a tintura complete 1 litro. Armazenar todo o volume em um frasco de cor âmbar, tampado e ao abrigo da luminosidade. Transferir a tintura de iodo para o copo sem retorno quando necessário.

Como saber se a cura do umbigo está sendo eficiente?

A eficiência da cura de umbigo deve ser monitorada constantemente e periodicamente. Recomenda-se realizar a avaliação do umbigo das bezerras por meio de palpação manual cerca de 15 a 20 dias após o nascimento para averiguar a eficiência do processo de cura de umbigo e detectar possíveis alterações/infecções. O esperado é que bezerras com umbigo saudável apresentem diâmetro umbilical próximo ao de uma carga de caneta esferográfica. Avaliações a campo tem observado que os animais oriundos de FIV/TE têm apresentado um maior diâmetro do umbigo, o que deve ser diferenciado dos casos de onfalite.

Palpações umbilicais realizadas fora do período ideal, ou seja, entre os 15 e 20 dias de idade, não são muito confiáveis, pois antes dessa fase o reconhecimento das estruturas umbilicais internas não é tão fácil e após os 20 dias aumenta-se a tensão da musculatura abdominal das bezerras, dificultando o acesso das estruturas pela palpação. Durante a palpação deve-se classificar o umbigo em um escore de 0 a 2:

Uma meta comumente trabalhada como ideal é de que no mínimo 90% das bezerras avaliadas apresentem escore umbilical 0, ou seja, sem alterações.

Considerações finais

Dada a importância da saúde do umbigo, torna-se essencial intensificar e dar prioridade ao processo de cura de umbigo. Casos de onfalite contribuem para redução do desempenho das bezerras, ocorrência de doenças concomitantes, aumento nos custos com tratamento e redução nas taxas de sobrevivência dos animais. Avaliar a condição umbilical de forma periódica e sistemática através da palpação manual garante o monitoramento da eficiência do processo de cura de umbigo.

Referências

  • Mee, J. F. Newborn Dairy Calf Management. Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, 24(1), 1–17, 2008. (Link)

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