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Feijoeiro-comum no Brasil: origem e histórico do cultivo

O Phaseolus vulgaris, também conhecido como feijoeiro-comum, é uma das 55 espécies pertencentes ao gênero Phaseolus, cujo centro de origem se deu nas Américas. Essa espécie tem grande importância econômica, alimentícia e cultural em diversos países. No Brasil, o feijão é um dos principais pilares do agronegócio. 

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O feijão-comum está entre os alimentos mais antigos do mundo. Seus registros estão diretamente associados à história da humanidade. No antigo Egito e na Grécia, os feijões eram cultivados e cultuados como símbolo da vida. Já em Roma, os antigos romanos utilizavam o feijão em festas gastronômicas e também como forma de pagamento de apostas. 

Documentações também apontam que, na Suíça, durante a Idade do Bronze (cerca de 1.000 a.C), já existiam registros do cultivo dessa leguminosa. Na antiga Tróia, evidências mostram que o feijão era o prato favorito dos robustos guerreiros troianos. Historiadores atribuem essa vasta disseminação do feijão no mundo em decorrência de guerras, pois esse era o alimento principal da dieta dos combatentes em marcha. 

Existem diversas hipóteses sobre a origem e domesticação do feijoeiro-comum. Atualmente, aceita-se que o grão teve dois centros de domesticação e um terceiro com menor expressão. Relatos indicam que tipos selvagens, similares a variedades crioulas foram encontradas na região central das Américas, como no México. 

Acredita-se que essa região originou a maioria dos cultivares de grãos pequenos, como o carioca. O segundo local é atribuído ao sul dos Andes, mais especificamente ao norte da Argentina e sul do Peru, de onde possivelmente se desenvolveram os cultivares com sementes mais graúdas, como o Jalo. O terceiro, mas não menos importante centro de domesticação do feijão, é a Colômbia.

O que difere os grãos de feijão encontrados nestas três regiões citadas e que possibilitou afirmar a existência de três centros de origem e domesticação do feijão por auxílio de padrões eletroforéticos, é em relação ao tipo de proteína existente nos grãos. 

Os feijões originários do México, conhecidos como mesoamericanos, possuem a proteína faseolina do tipo S. Enquanto que os de origem no sul dos Andes possuem a faseolina do tipo T e os provenientes da Colômbia possuem além das faseolinas S e T, os tipos B, C e H.

O feijoeiro-comum é um dos pratos mais conhecidos e tradicionais da culinária brasileira. Além de ser uma excelente fonte de proteína, os grãos também são compostos por carboidratos e minerais. Em especial, podemos citar o ferro, que é muito importante para o bom funcionamento do organismo. 

No Brasil, existem diversas espécies e tipos de feijão cultivados e sua ocorrência é bastante regional e cultural, como por exemplo o feijão-caupi ou feijão de corda, muito cultivado no Norte e Nordeste do país, regiões pouco favoráveis ao cultivo do feijão-comum.  

Como a sua produção no Brasil pode ocorrer em três épocas distintas, a possibilidade de incorporação de novas áreas sempre foi possível e isso permitiu com que seu cultivo tenha sido bastante difundido para todas as regiões do país. 

Mesmo sendo uma cultura considerada de subsistência e de produção familiar, o cultivo desta leguminosa é crescente. Com isso, agricultores considerados tecnificados e que dispõem de maior quantidade de terras, maquinários e investimentos para ser aplicado ao cultivo, tornam a produção desta leguminosa mais promissora. Assim, o Brasil se torna um dos maiores produtores de feijão no mundo. 

Referências

CARNEIRO, J. E.; JÚNIOR, T. J. P.; BORÉM, A. Feijão: do plantio à colheita. 2015

EMBRAPA Arroz e Feijão. Origem e história do feijoeiro comum do arroz. 2000

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