Em uma fazenda de cria, não basta saber quantas vacas ficaram prenhes, também importa quando elas emprenharam.
Uma matriz que concebe no início da estação de monta tende a parir mais cedo, ter mais tempo para se recuperar antes do próximo período reprodutivo e permanecer melhor posicionada dentro do ciclo produtivo. Já concepções muito tardias podem perpetuar partos tardios e dificultar a prenhez no ano seguinte. A Embrapa destaca justamente essa relação ao recomendar a concentração das concepções e dos partos.
Por isso, estabelecer um período definido para a reprodução é uma das decisões mais importantes no manejo de um rebanho de cria.
Mas simplesmente colocar os touros com as vacas durante alguns meses não é suficiente. É preciso definir época, duração, condição das matrizes, estratégia nutricional, método reprodutivo e indicadores para avaliar o resultado.
O que é estação de monta?
A estação de monta é o período do ano destinado à reprodução das matrizes. Fora desse intervalo, vacas e reprodutores permanecem separados quando se utiliza monta natural.
A mesma lógica pode ser aplicada quando a fazenda trabalha com inseminação artificial ou IATF. O objetivo continua sendo concentrar as concepções em determinado período e, consequentemente, concentrar os nascimentos.
Na prática, isso cria um calendário produtivo. Quando os partos estão concentrados, também é mais fácil organizar diagnóstico de gestação, vacinação, desmama, formação de lotes, seleção de matrizes e outros manejos. A Embrapa aponta ainda que a maior homogeneidade dos bezerros favorece a organização da recria, da engorda e das avaliações de desempenho.
Por que fazer estação de monta em bovinos de corte?
Uma das principais vantagens é aproximar o momento de maior exigência nutricional das matrizes da época em que existe maior disponibilidade e qualidade de forragem.
No Brasil Central, por exemplo, a estação reprodutiva costuma ser planejada em função do início das chuvas e da recuperação das pastagens. Isso permite que etapas críticas, como reprodução e lactação, ocorram em condições alimentares mais favoráveis.
Além disso, a estação ajuda a:
- Concentrar os nascimentos;
- Produzir lotes de bezerros mais homogêneos;
- Melhorar o controle zootécnico;
- Identificar matrizes mais e menos férteis;
- Planejar descarte e reposição;
- Organizar melhor mão de obra, sanidade e nutrição.
A concentração também cria uma informação gerencial importante: quais vacas emprenham cedo e quais dependem de um período muito longo para conceber?
As matrizes que emprenham no início tendem a ter mais tempo de recuperação pós-parto e maior oportunidade de voltar a conceber cedo na estação seguinte.
Qual é a melhor época para a estação de monta?
Não existe um mês universal que funcione para todas as propriedades brasileiras. O período deve ser definido principalmente a partir da disponibilidade de alimento ao longo do ano.
Em recomendação para a região Centro-Oeste, a Embrapa situa a estação entre outubro e março, com o início ajustado à chegada das chuvas e à disponibilidade de forragem, mas isso não significa que toda fazenda deva começar em outubro.
Regime de chuvas, espécie forrageira, reservas de alimento, suplementação, categoria das matrizes e sistema produtivo alteram a decisão. Por isso, o calendário reprodutivo deve nascer junto com o planejamento forrageiro.
O objetivo é fazer com que a vaca chegue ao período crítico de reprodução com condição nutricional suficiente para ciclar e conceber. A sazonalidade das pastagens torna esse planejamento especialmente importante na pecuária a pasto.
Quanto tempo deve durar a estação de monta?
A Embrapa utiliza 90 dias como referência para uma estação concentrada e aponta que, para novilhas, o período pode ser ainda menor, próximo de 60 dias.
Na prática, entretanto, existem propriedades trabalhando com períodos maiores. Em rebanhos zebuínos do Brasil Central, são observadas estações de aproximadamente 120 dias em função de fatores como condição corporal, ordem de parto, presença do bezerro e retorno à ciclicidade.
Isso mostra por que a duração não deve ser reduzida apenas para cumprir um número. Quando a fazenda ainda possui baixa eficiência reprodutiva, encurtar agressivamente a estação sem corrigir nutrição, ciclicidade e manejo pode apenas aumentar o número de vacas vazias.
Por outro lado, prolongá-la indefinidamente também traz problemas.
Estações de quatro, cinco ou seis meses tendem a espalhar os partos pelo ano. Vacas que parem muito tarde possuem menos tempo para se recuperar antes da próxima estação e podem continuar atrasadas nos ciclos seguintes.
O caminho é melhorar as condições do sistema para que mais vacas concebam cedo, permitindo uma redução consistente da estação ao longo do tempo.
Como preparar o rebanho antes da estação de monta?
Avalie a condição corporal das matrizes
O escore de condição corporal é uma ferramenta simples para avaliar as reservas corporais das vacas.
Isso é especialmente relevante na reprodução porque fêmeas em condição nutricional inadequada podem apresentar retorno tardio à ciclicidade após o parto. Primíparas merecem atenção adicional, pois ainda estão crescendo ao mesmo tempo em que precisam sustentar lactação e reprodução.
Esperar o início da estação para descobrir que as matrizes estão magras costuma deixar pouco espaço para correção.
Prepare touros e defina a estratégia reprodutiva
Quando há monta natural, a fertilidade e capacidade de serviço dos reprodutores são decisivas. A avaliação precisa acontecer antes de os touros entrarem com as matrizes.
Se houver inseminação ou IATF, também é necessário planejar sêmen, protocolos, mão de obra, instalações e calendário de manejos.
Monta natural, inseminação convencional e IATF possuem vantagens e limitações diferentes, e a escolha precisa considerar a estrutura e os objetivos da propriedade.
Planeje alimentação e sanidade
A estação reprodutiva não começa no dia em que o touro entra no lote.
Oferta de forragem, suplementação, condição das matrizes e programa sanitário precisam ser planejados anteriormente.
Isso é particularmente importante porque falhas nutricionais ou sanitárias podem aparecer depois na forma de baixa concepção, perdas gestacionais ou maior quantidade de matrizes vazias.
Monta natural, inseminação ou IATF: qual utilizar?
Não existe uma única técnica obrigatória para uma boa estação.
A monta natural possui operação mais simples, enquanto inseminação e IATF ampliam as possibilidades de utilização de genética e controle reprodutivo. A IATF acrescenta ainda a capacidade de sincronizar a ovulação e concentrar inseminações sem depender da detecção individual de cio.
Um estudo apresentado pela Embrapa utilizou IATF no início de uma estação de 90 dias, seguida por repasse com touros, justamente como estratégia para antecipar e concentrar concepções. Os resultados variaram entre os grupos avaliados, e os próprios autores alertaram para a necessidade de interpretar algumas diferenças com cautela devido à composição dos lotes.
Portanto, a pergunta não deveria ser simplesmente “IATF ou touro?”. A questão é qual estratégia produz o melhor resultado reprodutivo e econômico dentro da estrutura disponível na fazenda.
Quais indicadores acompanhar durante e depois da estação?
O resultado não deve ser resumido apenas à porcentagem final de vacas prenhes. Vale acompanhar:

A Embrapa recomenda calcular a taxa final de prenhez a partir das vacas que efetivamente participaram da estação e passaram pelo diagnóstico.
Mas existe uma informação ainda mais estratégica: em qual parte da estação ocorreram as concepções?
Uma fazenda pode apresentar uma taxa final aparentemente satisfatória e, ao mesmo tempo, concentrar muitas prenhezes no final do período. Esse atraso tende a reaparecer na estação seguinte.
Quais são os erros mais comuns?
Um dos erros mais frequentes é estender a estação porque muitas vacas continuam vazias. Isso resolve o percentual do ano no papel, mas pode manter no rebanho matrizes menos eficientes e espalhar ainda mais os partos.
Outro problema é definir a data sem considerar disponibilidade de alimento.
Também merecem atenção a entrada de matrizes com baixo escore corporal, falta de avaliação dos reprodutores, ausência de diagnóstico de gestação e falta de registros que permitam identificar prenhezes precoces e tardias.
Quando a fazenda ainda trabalha com reprodução durante quase todo o ano, a transição também precisa ser planejada. A Embrapa alerta que passar abruptamente de monta durante todo o ano para um período muito curto pode derrubar os índices de fertilidade no primeiro momento.
Conclusão: a estação de monta organiza todo o sistema de cria
A estação de monta não é apenas uma técnica para definir quando vacas serão cobertas ou inseminadas.
Quando bem planejada, ela organiza reprodução, nutrição, sanidade, partos, desmama, seleção e utilização da mão de obra.
A duração e a época precisam respeitar a realidade da propriedade. Mais importante do que simplesmente buscar uma estação curta é criar condições para que uma grande proporção das matrizes conceba logo no início.
Isso exige conhecer o escore das vacas, alinhar reprodução e planejamento forrageiro, preparar reprodutores, acompanhar as concepções e usar o diagnóstico de gestação como ferramenta de seleção e gestão.
No fim, uma estação eficiente não é aquela que apenas termina cedo. É aquela que consegue produzir mais prenhezes precoces, mais bezerros e melhor organização do sistema sem perder eficiência econômica.
Reprodução eficiente não depende de uma única tecnologia
IATF, condição corporal, estação de monta, genética e nutrição entregam resultados quando são utilizados dentro de uma estratégia bem planejada.
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Texto produzido pela Equipe Corte Rehagro.
Referências:
- Comunicado técnico Embrapa. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1077227/1/Estrategiasdemanejoparaencurtaraestacaodemonta.pdf
- Estação de monta para bovinos de corte no Brasil Central – Embrapa. Disponível em: https://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD14.html?







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