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Suplementação na cria: estratégias práticas para melhorar desempenho do rebanho

Vacas de cria e bezerro em uma pastagem

A fase de cria é, sem dúvida, o maior desafio dentro de um sistema de pecuária de corte. É nela que o sucesso reprodutivo e o peso dos bezerros são definidos, impactando diretamente a rentabilidade da fazenda.

Porém, muitos sistemas ainda enfrentam baixos índices de prenhez, bezerros leves e vacas em más condições corporais, problemas que, na maioria das vezes, têm origem em falhas de planejamento nutricional e reprodutivo.

Nos últimos anos, o uso estratégico da suplementação na cria tem se consolidado como uma das ferramentas mais eficazes para corrigir esses gargalos. Quando bem aplicada, ela melhora o escore corporal das vacas, acelera o retorno ao cio pós-parto e eleva o peso dos bezerros ao desmame, sem que isso signifique aumento descontrolado de custos.

Neste artigo, você vai entender como planejar, ajustar e aplicar a suplementação na cria de forma técnica e rentável, usando como base conceitos amplamente aplicados em fazendas de referência no país.

 

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Entendendo o sistema de cria e suas exigências nutricionais

O sistema de cria é composto por vacas, bezerros, bezerras, novilhas e touros. Cada grupo tem exigências nutricionais diferentes, que variam conforme a fase produtiva, a idade e o estado fisiológico.

Por exemplo, novilhas precoces (12 a 14 meses) ainda estão em fase de crescimento acelerado e, portanto, demandam maior energia e proteína do que novilhas adultas. Já as vacas primíparas, por estarem em lactação e ainda em crescimento, possuem uma das maiores exigências do rebanho.

Diferentemente das vacas multíparas, que já completaram seu desenvolvimento corporal, as primíparas precisam equilibrar energia entre mantença, produção de leite e reprodução, o que explica sua maior dificuldade em voltar ao cio.

Reconhecer essas diferenças é essencial para planejar dietas específicas por categoria, evitando um dos erros mais comuns na pecuária: tratar todos os animais da fazenda da mesma forma.

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O papel do planejamento reprodutivo na suplementação

Antes de definir qual suplemento usar, é indispensável estruturar um planejamento reprodutivo coerente com a oferta de forragem da fazenda.

O ideal é que o terço médio de gestação das vacas coincida com o período de maior produção e qualidade das pastagens, normalmente, nos meses de maior pluviosidade. Essa sincronia garante que as fêmeas tenham energia suficiente durante a formação das fibras musculares do feto, resultando em bezerros mais pesados e com melhor desempenho ao longo da vida.

Tipos de suplementos utilizados na cria

O sucesso da suplementação depende de selecionar o produto certo, na época certa e para a categoria certa. Entre os tipos mais utilizados estão:

Tabela com tipos de suplementos utilizados na cria

A escolha deve levar em conta a categoria animal, a época do ano, a estrutura disponível (cochos, logística, pasto) e o custo-benefício da estratégia.

Como escolher o suplemento ideal

Definir o suplemento adequado exige responder algumas perguntas estratégicas:

1. Qual categoria será suplementada?

Precocinhas, novilhas, primíparas e multíparas têm exigências diferentes. Apartar os lotes é o primeiro passo.

2. Qual é o objetivo?

Ganhar peso para atingir a puberdade, recuperar escore, manter lactação ou apenas garantir a mantença?

3. Quanto tempo tenho para atingir a meta?

O tempo até a estação de monta define o plano nutricional e o nível de investimento necessário.

4. Qual é a época do ano?

Nas águas, o foco deve ser potencializar a forragem; na seca, corrigir deficiência de proteína e energia.

5. O caixa da fazenda suporta a estratégia?

Cada nível de suplementação implica em um custo. É fundamental alinhar o plano ao orçamento.

Ao responder essas perguntas, o profissional consegue montar um plano nutricional realista e eficiente, evitando desperdícios e maximizando o retorno.

Importância do escore corporal

O escore de condição corporal (ECC) é um dos indicadores mais práticos e eficazes para avaliar se o manejo nutricional está adequado.

Em vacas de cria, manter um escore entre 3 e 3,5 (em escala de 1 a 5) é o ideal para garantir boa taxa de prenhez. Animais abaixo de 2,5 entram em balanço energético negativo, o que compromete a ovulação e reduz drasticamente o desempenho reprodutivo.

Tabela escore de condição corporal

Estudos mostram que a cada ponto de escore corporal perdido, a vaca precisa ganhar de 35 a 55 kg para retornar ao estado ideal. Por isso, suplementar corretamente antes da estação de monta é essencial.

Erros comuns na suplementação de vacas de cria

  1. Tratar todas as categorias de forma igual: Cada fase exige um plano nutricional diferente, especialmente primíparas e vacas em lactação.
  2. Ignorar a estrutura de cochos e bebedouros: Falta de espaço ou lama reduz o consumo e compromete o resultado.
  3. Acreditar que o suplemento corrige falhas de manejo: A suplementação deve complementar a dieta de pasto, não substituir a gestão da forragem.
  4. Falta de monitoramento: Sem registro de consumo, não é possível saber se o suplemento está sendo fornecido corretamente.
  5. Não avaliar o custo-benefício: Suplementar é investimento e precisa gerar retorno financeiro mensurável.

Como avaliar se o manejo está funcionando

Monitorar o fornecimento e o consumo é essencial. Isso pode ser feito por meio de planilhas simples com as seguintes informações:

  • Quantidade de animais por lote;
  • Tipo e quantidade de suplemento fornecido;
  • Data e responsável pelo fornecimento;
  • Consumo médio estimado por cabeça.

Além disso, a análise visual das fezes pode indicar se a dieta está equilibrada. Fezes muito ressecadas sugerem deficiência proteica; já fezes pastosas indicam dieta adequada.

Conclusão

A suplementação na cria deve ser tratada como uma ferramenta de gestão estratégica, e não como um custo inevitável. Quando aplicada com base em dados, planejamento e acompanhamento técnico, ela se transforma em um dos pilares mais rentáveis da pecuária de corte.

Mais do que alimentar, o papel do nutricionista é equilibrar o sistema, garantindo que cada categoria receba o suporte adequado para expressar seu potencial produtivo e reprodutivo.

O resultado é uma fazenda mais eficiente, com vacas prenhes, bezerros pesados e um caixa saudável, a verdadeira essência da pecuária moderna.

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