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Você realiza gestão de indicadores?

Imagine a seguinte situação: você está dirigindo um carro onde o painel não funciona e passa por um radar. Sem saber exatamente a sua velocidade, você não desacelera o suficiente e acaba recebendo uma multa de trânsito. Em uma situação pior, você desacelera muito mais que o necessário, fazendo com que um outro veículo bata na sua traseira. Nesta analogia, o painel do carro nos mostra os indicadores do veículo, e não dar a devida importância para estes indicadores pode nos trazer vários problemas no percurso. É a partir do painel do carro que sabemos quanta gasolina ainda nos resta, quantos quilômetros por litro o nosso carro está fazendo, dentre outros.

Agora imagine que o carro é a sua fazenda e o painel é onde vemos os indicadores zootécnicos e econômicos. Trabalhar sem a gestão desses indicadores é como dirigir sem um painel, ou seja, é não saber se as bezerras estão com um ganho de peso suficiente ou se as vacas estão emprenhando na velocidade adequada, por exemplo. Nesse texto vamos falar um pouco sobre a gestão de indicadores e como utilizá-la para motivar a sua equipe de trabalho.

O que é a gestão de indicadores?

A gestão por indicadores consiste no monitoramento, avaliação e planejamento dos processos e atividades realizados na fazenda. Ela acontece através da análise dos dados coletados e pelo cumprimento ou não das metas e objetivos estipulados para cada sistema.

  • Os indicadores em fazendas de leite podem ser zootécnicos, econômicos/financeiros ou operacionais, por exemplo:
  • % de mortalidade de bezerras;
  • % de novos casos de mastite;
  • Gasto com medicamentos por litro de leite produzido; Custo da novilha prenha;
  • Hora máquina por atividade realizada; Colaboradores por litro de leite produzidos.

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Imagem 3: Indicador demonstrando o percentual de bezerras bem colostradas ao longo do ano.

Fonte: Equipe leite Rehagro

Por que fazer a gestão de indicadores?

Os indicadores são indispensáveis para gestão. São eles quem fornecem os dados para análise, fundamental para que se tome decisões assertivas e se construa um caminho a ser percorrido para o desenvolvimento da atividade leiteira. O objetivo da gestão por indicadores é conseguir visualizar e mensurar a eficiência de cada setor e processo na fazenda, para que seja mais fácil identificar os pontos fortes e aqueles a serem otimizados.

É um erro pensar que a gestão de indicadores só se aplica à grandes fazendas, ou até mesmo pensar que é algo transitório e passageiro para as que já possuem um sistema de gestão avançado. O estabelecimento de metas e a gestão dos indicadores deve, na verdade, ser realizado desde o início do negócio, independentemente do tamanho ou tipo de criação. A objetivo principal da gestão de indicadores é o de dar clareza e certeza do que está acontecendo na propriedade, não se baseando em achismos e sempre buscar melhorias!

O que isso tem a ver com a minha equipe?

A rotatividade de mão de obra representa, atualmente, um dos grandes problemas enfrentado pelas fazendas produtoras de leite no Brasil. Além dos custos com rescisões,

novas contratações e treinamentos, ela reduz a produtividade e o engajamento da equipe. São vários os fatores que influenciam nessa rotatividade, desde as condições de trabalho, distância percorrida das residências até as fazendas, salários, outras oportunidades de trabalhos, êxodo rural, até os conflitos internos a fazenda. Vários desses fatores causam a falta de motivação dos colaboradores. Motivação é o impulso, a vontade e a persistência de uma pessoa para realizar determinada tarefa, é a força que estimula a agir.

Várias são as teorias que buscam os fatores que motivam pessoas no trabalho. Dentre as principais podemos citar a teoria das necessidades e a teoria da fixação de objetivos. A primeira, de autoria de Abraham Maslow, nos diz cinco necessidades motivadoras do trabalho: fisiológicas, de segurança, social, estima e de auto realização, sendo as duas últimas de maior importância. Já a teoria da fixação de objetivos, de Edwin Locke e Gary Latham, explica que propor desafios a serem alcançados aumenta o desempenho dos colaboradores.

Podemos perceber então que a motivação para trabalhar dificilmente será estimulada pela tarefa em si, mas pode ser guiada por metas e objetivos. Por exemplo: a alimentação das bezerras, quando feita exclusivamente para que não passem fome, acaba se tornando uma tarefa puramente mecânica. Se esta atividade for vinculada ao objetivo de aumentar o ganho de peso das bezerras e a maior responsabilidade do colaborador, temos aqui um estímulo motivacional do trabalho, fazendo com que seja executada com maior cuidado e atenção, com o alimento e com o animal.

A construção de metas e a gestão de indicadores podem ser bons fatores de motivação de pessoal. No entanto, é comum ver gestores construindo metas e planejando mudanças nas rotinas de trabalho sem consultar os colaboradores que o irão realizar, ou até mesmo, sem parar para observar suas rotinas de trabalho. Esse tipo de ação gera descontentamento dentro das fazendas, desagregando e desmotivando a equipe de trabalho.

Construir uma meta é como olhar para frente: enxergar como quer ser e quais resultados alcançar no futuro. Para sua construção é fundamental olhar para trás: conhecer a fazenda e saber os resultados obtidos nos últimos meses. Mas não podemos nunca esquecer de olhar para dentro: cada indivíduo é extremamente importante para o sucesso da atividade. Assim, a adesão da equipe é tão importante quanto os próprios indicadores. É necessário que cada colaborador entenda a importância em se realizar anotações e que cada responsável participe na construção das metas do seu setor, afinal, ninguém melhor que ele para dizer o que é viável ser feito dentro do intervalo de tempo estabelecido.

Se o seu foco nesse momento é melhorar a qualidade do leite, por exemplo, identifique os indicadores pertinentes, como CCS, CBT, taxa de novos casos de mastite, escore de filtro de ordenha, dentre outros. Tenha em mãos os resultados relacionados à qualidade do leite de meses e anos passados, reúna-se com a equipe responsável, observe e converse sobre o manejo dos animais e sobre as atividades. Construa com seus colaboradores uma meta e um plano de ação, consultando-os a respeito das capacidades individuais em relação aos novos processos e à adaptação do novo manejo para toda equipe. Sempre que necessário, forneça treinamentos, tanto para que todos possam compreender a importância de se obter um leite de qualidade, quanto para capacitação técnica da equipe. E não se esqueça! Prepare-se para fornecer feedback positivo quando a meta for cumprida!

Quando construídas em conjunto, as metas passam a ter um outro valor: deixam de ser valores impostos e tornam-se desafios, que quando atingidos geram o sentimento de realização pessoal e maior disposição ao trabalho. Nada traz mais resultado que uma equipe motivada, bem relacionada e ciente da importância de sua função.

Como começar?

Basicamente: para analisar, precisamos primeiro mensurar e anotar! O primeiro passo é estabelecer os indicadores básicos, ou seja, aqueles de maior relevância que auxiliam na construção de metas para alcançar os objetivos. De maneira geral, os indicadores de uma propriedade devem ser:

  • Objetivos: diretamente relacionados à eficiência da propriedade, devem ser um meio para monitoramento ou construção de um plano de ações.
  • Relevantes: associados a pontos críticos, precisam estar vinculados aos objetivos principais da fazenda.
  • Mensuráveis: devem se basear em dados confiáveis e de relativa facilidade de mensuração.
  • Visíveis, de fácil entendimento: devem ser comunicados de forma adequada aos colaboradores, de forma que possam acompanhar os resultados e estimular a adesão ao programa de gestão por meio dos indicadores.
  • Comparáveis: optar por indicadores que permitam a comparação entre fazendas de sistemas e escalas diferentes, como os baseados em porcentagem dos animais ou custo por unidade produtiva.
  • Adaptáveis: dada a influência do mercado, clima e meio ambiente na produção e desempenho em fazendas de leite, é necessário que os indicadores não sejam fixos, se adaptando a fatores como as estações climáticas, manejo nutricional ao longo do ano, dentre outros.

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Imagem 2: Indicador comparativo da taxa de concepção ao longo dos meses de 2018 e 2019.

Fonte: Equipe Leite Rehagro

É muito importante saber quais indicadores usar, pois quando são mal definidos podem gerar interpretações erradas. Além disso, devem ser escolhidos de acordo com cada manejo e cada realidade. Tempo e esforço não devem ser empregados em atividades que não são relevantes ou em metas inalcançáveis: cada fazenda é única e merece uma gestão personalizada.

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