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Uso de boro na produtividade de milho e soja

O teor inadequado de micronutrientes nas culturas, que é limitante ao seu crescimento, tem efeito direto sobre o desenvolvimento da cultura, mas também reduz a eficiência de uso dos fertilizantes contendo macronutrientes. Além disso, os micronutrientes estão particularmente envolvidos na fase reprodutiva e de crescimento das plantas e, consequentemente, na determinação da produtividade e da qualidade da cultura colhida.

O boro (B) é, entre os micronutrientes, um daqueles que mais frequentemente se apresenta deficiente nos solos. No Brasil, solos deficientes em boro são encontrados em várias regiões, com destaque para aqueles sob Cerrado, onde o cultivo de grãos tem se expandido a cada ano.

O uso de boro está relacionado a diversos processos do vegetal, tais como absorção iônica, transporte e metabolismo de carboidratos, sínteses de lignina, ácidos nucleicos e proteínas, além de atuar na divisão e diferenciação celular nos tecidos meristemáticos. Estudos sugerem atuação do boro na biogênese da parede celular. A participação do boro no desenvolvimento celular da planta é de suma importância, influenciando propriedades físicas, estruturais e a diferenciação da parede celular.

A deficiência de B resulta em inibição do crescimento da planta, devido às funções estruturais específicas desse elemento na parede celular e à limitada mobilidade do nutriente na maioria das plantas. Essa deficiência também causa alterações fisiológicas e bioquímicas no vegetal, tais como alteração da integridade e funcionamento da membrana celular, disfunções metabólicas e aumento na produção de compostos fenólicos.

Boro no solo

No solo, o B encontra-se na forma de ácido bórico não dissociado (H3BO3), que é a forma solúvel disponível para a planta. É um nutriente que apresenta um limite estreito entre o teor adequado e o nível tóxico nas plantas o que exige, portanto, uma adubação cautelosa.

Vários fatores relacionados ao solo influenciam a disponibilidade do B na solução do solo e, consequentemente, sua absorção pelas plantas. A concentração do uso de boro na solução depende das reações de adsorção entre o H3BO3 e seus adsorventes existentes no solo, tais como os óxidos de ferro e alumínio, os minerais de argila, a matéria orgânica, o hidróxido de magnésio e o carbonato de cálcio. A adsorção aumenta com o aumento do pH, do teor de materiais adsorventes e com a diminuição da umidade do solo.

A matéria orgânica (MO) é a principal fonte de B que irá suprir as exigências das plantas. Após a mineralização da MO o uso de boro é liberado para a solução do solo, podendo, a partir daí, seguir vários caminhos, tais como ser absorvido pelas plantas, ser perdido por lixiviação ou ser adsorvido pelos coloides do solo. No entanto, solos com baixos teores de MO e a ocorrência de fatores que diminuem a sua mineralização, predispõem as culturas à carência do micronutriente, sendo estes fatores limitantes frequentemente observados nos solos brasileiros.

Boro na planta

O B é o único nutriente que não atende ao critério direto de essencialidade, mas satisfaz o critério indireto. A maior prova da sua essencialidade consiste em que, nos solos das regiões tropicais, ao lado do zinco (Zn), é o micronutriente que mais frequentemente promove deficiência nas culturas.

A função fisiológica do B difere de qualquer outro micronutriente, pois não pertence a nenhum composto ou enzima específica, mas sabe-se que possui funções em muitos processos fisiológicos da planta, como: fixação biológica de nitrogênio, uma vez que protege a enzima nitrogenase de danos causados pela toxidez de espécies reativas de oxigênio; está ligado ao crescimento meristemático; integridade da parede celular; ao funcionamento da membrana celular; no transporte de auxinas (AIA); na síntese de ácidos nucleicos (DNA e RNA) e de fitohormônios e, ainda, atua no metabolismo de carboidrato. Porém, entre as diversas funções, a síntese da parede celular e integridade da membrana plasmática são as mais definidas.

A deficiência de boro aparece inicialmente causando um anormal e lento desenvolvimento dos pontos de crescimento apical. Os folíolos das folhas novas são deformados, enrugados, com frequência ficam mais grossos e com cor verde azulado escuro. Ocorre a inibição da síntese de lignina e estímulo da atividade da oxidase de ácido indolacético (AIA) e de enzimas na membrana plasmática. Com o progresso da deficiência, a elongação dos entrenós fica lenta, ocorre à morte dos pontos de crescimento terminal e a formação de flores é restrita ou inibida.

Em plantas de soja, a deficiência de boro prejudicou o desenvolvimento dos nódulos e das raízes, consequentemente, a fixação biológica de nitrogênio. Plantas com deficiência de boro apresentaram paredes celulares menos resistentes.

A ação do uso de boro na fase de florescimento para aumentar a fecundação das flores e formação de grãos em soja. Em soja, as doses de boro aplicadas proporcionaram um aumento no número de folhas, na massa seca das raízes e na área foliar das plantas.

boro

Sintoma da deficiência do boro

Fontes de boro

A escolha da melhor fonte de nutriente para aplicação no solo depende do tipo de solo, da cultura e do regime hídrico. A maioria dos adubos boratados apresenta alta solubilidade, assim o B está sujeito à grande mobilidade no solo e, consequentemente, ao maior grau de lixiviação no perfil do solo, principalmente no arenoso. Dessa forma, a preferência é por fontes de solubilidade lenta, portanto, menos suscetíveis a perdas por lixiviação.

Basicamente, existem duas classificações para os boratos:

Aqueles em que o material de origem passou por um processo de refinamento: são conhecidos como boratos refinados. Por exemplo: Ácido Bórico, Octaborato de Sódio Tetrahidratado, Borax Decahidratado, Borax Pentahidratado e o Borax Anidro.

Aqueles em que o material de origem não passou por nenhum processo de refinamento são conhecidos como boratos minerais ou não refinados. Por exemplo Hidroboracita, Colemanita e a Ulexita.

O boro participa de uma série de processos fisiológicos dentro da planta, o que faz com que sua deficiência se confunda com a de outros nutrientes como a de P e a de K. Entre as diversas funções, duas estão muito bem definidas: síntese da parede celular e integridade das membranas plasmáticas. Assim, na sua deficiência não há o crescimento de novas raízes e nem de novas brotações. 

A disponibilidade do boro na solução do solo é governada pela reação de adsorção do boro com os colóides do solo. A adsorção de boro aumenta com o teor de argila e com o pH do solo. As doses de boro atualmente aplicadas podem não fornecer a concentração adequada de B na solução do solo para o ótimo desenvolvimento das plantas, principalmente nos solos mais argilosos e com excesso de calagem.

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