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Uso de boro na produtividade de milho e soja

A maioria dos produtores se preocupam tanto com o fornecimento dos macronutrientes, que esquecem que muitos micronutrientes são também fundamentais. É o caso do boro (B).

O teor inadequado de micronutrientes nas culturas, que é limitante ao crescimento, tem efeito direto sobre o seu desenvolvimento, e também reduz a eficiência de uso dos fertilizantes contendo macronutrientes.

Em alguns casos, a deficiência de macronutrientes pode ser ‘driblada’ por meio indiretos, que não a adubação propriamente dita. É o caso do fornecimento de Nitrogênio por meio de bactérias, como o Azospirillum no milho e o Rhizobium na soja.

Outro ponto a ser levado em conta sobre os micronutrientes, é que eles estão, particularmente, envolvidos na fase reprodutiva e de crescimento das plantas e, consequentemente, na determinação da produtividade e no desempenho na colheita da cultura.

Não apenas os nutrientes desempenham papéis fundamentais no desenvolvimento da cultura, mas conhecer a fisiologia da planta, pragas, doenças e as principais daninhas é igualmente importante. No caso da produção de milho, temos um e-book totalmente gratuito abordando estes pontos. Basta clicar aqui para fazer o download.

Para quem produz ou pretende produzir, será benéfico para traçar estratégias de manejo, pois como estamos vendo nesse artigo, nem sempre damos importância aos micronutrientes, por exemplo, e ainda assim, a falta dele impacta na colheita.

Inclusive, as análises mostram que alguns micronutrientes estão em falta em nossos solos e o boro é um deles. O destaque maior, vai para aqueles solos sob Cerrado, onde o cultivo de grãos têm se expandido a cada ano.

O uso de boro está relacionado a diversos processos do vegetal, tais como:

  • Absorção iônica; 
  • Transporte e metabolismo de carboidratos; 
  • Sínteses de lignina, ácidos nucleicos e proteínas;
  • Atua na divisão e diferenciação celular nos tecidos meristemáticos. 
  • Atuação na biogênese da parede celular, segundo estudos. 

E mais! A participação do boro no desenvolvimento celular da planta influencia as propriedades físicas, estruturais e a diferenciação da parede celular.

Já a deficiência desse micronutriente, resulta em: 

  • Inibição do crescimento da planta, devido às funções estruturais específicas desse elemento na parede celular e à limitada mobilidade do nutriente na maioria das plantas. 
  • Causa alterações fisiológicas e bioquímicas no vegetal, tais como: alteração da integridade e funcionamento da membrana celular, disfunções metabólicas e aumento na produção de compostos fenólicos.

Boro no solo

No solo, o B encontra-se na forma de ácido bórico não dissociado (H3BO3), que é a forma solúvel disponível para a planta. É um nutriente que apresenta um limite estreito entre o teor adequado e o nível tóxico nas plantas, o que exige, portanto, uma adubação cautelosa.

A concentração do uso de boro na solução, depende das reações de adsorção entre o H3BO3 e seus adsorventes existentes no solo, tais como os óxidos de ferro e alumínio, os minerais de argila, a matéria orgânica, o hidróxido de magnésio e o carbonato de cálcio. 

A adsorção aumenta com a elevação do pH, do teor de materiais adsorventes e com a diminuição da umidade do solo.

A matéria orgânica (MO) é a principal fonte de B que irá suprir as exigências das plantas. Após a mineralização da MO, o uso de boro é liberado para a solução do solo, podendo, a partir daí, seguir vários caminhos, tais como: ser absorvido pelas plantas, ser perdido por lixiviação ou ser adsorvido pelos colóides do solo. 

No entanto, solos com baixos teores de MO e a ocorrência de fatores que diminuem a sua mineralização, predispõem as culturas à carência do micronutriente, sendo estes fatores limitantes frequentemente observados nos solos brasileiros.

Boro na planta

O B é o único nutriente que não atende ao critério direto de essencialidade, mas satisfaz o critério indireto. A maior prova da sua essencialidade consiste em que, nos solos das regiões tropicais, ao lado do zinco (Zn), é o micronutriente que mais frequentemente promove deficiência nas culturas.

A função fisiológica do B difere de qualquer outro micronutriente, pois não pertence a nenhum composto ou enzima específica, mas sabe-se que possui funções em muitos processos fisiológicos da planta, como: 

  1. Fixação biológica de nitrogênio (protege a enzima nitrogenase de danos causados pela toxidez de espécies reativas de oxigênio); 
  2. Crescimento meristemático; 
  3. Integridade e funcionamento da parede celular; 
  4. Transporte de auxinas (AIA); 
  5. Síntese de ácidos nucleicos (DNA e RNA) e de fitohormônios; 
  6. Atua no metabolismo de carboidrato. 

Características de deficiência de boro

A deficiência de boro aparece, inicialmente, causando um anormal e lento desenvolvimento dos pontos de crescimento apical. 

Os folíolos das folhas novas são deformados, enrugados, com frequência ficam mais grossos e com cor verde azulado escuro. Ocorre a inibição da síntese de lignina e estímulo da atividade da oxidase de ácido indolacético (AIA) e de enzimas na membrana plasmática. 

Com o progresso da deficiência, a elongação dos entrenós fica lenta, ocorre a morte dos pontos de crescimento terminal e a formação de flores é restrita ou inibida.

Em plantas de soja, a deficiência de boro prejudicou o desenvolvimento dos nódulos e das raízes, consequentemente, a fixação biológica de nitrogênio. Em soja, as doses de boro aplicadas proporcionaram um aumento no número de folhas, na massa seca das raízes e na área foliar das plantas.

Sintomas de deficiência do Boro. Fonte: https://brandt.co/our-insights/wet-weather-leads-to-increased-boron-deficiencies/

Fontes de boro

A escolha da melhor fonte de nutriente para aplicação no solo, depende do tipo de solo, da cultura e do regime hídrico. 

A maioria dos adubos boratados, apresentam alta solubilidade, assim o B está sujeito à grande mobilidade no solo e, consequentemente, ao maior grau de lixiviação no perfil do solo, principalmente no arenoso. Dessa forma, a preferência é por fontes de solubilidade lenta, portanto, menos suscetíveis a perdas por lixiviação.

Basicamente, existem duas classificações para os boratos:

  1. Aqueles em que o material de origem passou por um processo de refinamento: conhecidos como boratos refinados. Por exemplo: Ácido Bórico, Octaborato de Sódio Tetrahidratado, Borax Decahidratado, Borax Pentahidratado e o Borax Anidro.
  2. Aqueles em que o material de origem não passou por nenhum processo de refinamento: conhecidos como boratos minerais ou não refinados. Por exemplo: Hidroboracita, Colemanita e a Ulexita.

O boro participa de uma série de processos fisiológicos dentro da planta, o que faz com que sua deficiência se confunda com a de outros nutrientes como a de fósforo (P) e a de potássio (K). 

Em milho, a deficiência severa de boro pode resultar em espigas tortas e menores, enquanto na deficiência de potássio, as espigas também são reduzidas, o que mostra que a adubação em milho e demais grãos, precisa levar em conta macro e micronutrientes.

A  deficiência de boro, ocasiona, ainda, diminuição no crescimento de novas raízes e de novas brotações, já que está envolvido na síntese de parede celular e integridade da membrana plasmática.

A disponibilidade do boro na solução do solo é governada pela reação de adsorção do boro com os colóides do solo. A adsorção de boro aumenta com o teor de argila e com o pH do solo. 

As doses de boro, atualmente aplicadas, podem não fornecer a concentração adequada de B na solução do solo para o ótimo desenvolvimento das plantas, principalmente nos solos mais argilosos e com excesso de calagem.

Agora você já sabe a importância do boro para as culturas de grãos e que ele auxilia na melhoria da produtividade, mas muitas pessoas ainda confundem os sintomas. É o caso da Mancha-amarela em trigo, por exemplo, já que a falta de nitrogênio também deixa as folhas amarelas.

É preciso ficar atento e conhecer bem a cultura, suas principais doenças e, claro, o manejo adequado da fertilidade.

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