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Entrevista especial – Michel Torteli fala sobre o mercado mundial de carnes

O final de ano chegou e uma dúvida não sai da cabeça dos produtores brasileiros: será que os preços da arroba manterão essa alta expressiva em 2020? O Sócio Diretor da FinPec, Michel Torteli, tem a resposta para este e outros questionamentos. Em entrevista concedida ao Consultor Técnico do Grupo Rehagro, Cristiano Rossoni, Michel dissertou sobre as tendências mundiais e o que o futuro reserva para o mercado mundial de carnes.

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Cristiano Rossoni: Estamos vivendo um momento incomum no mercado de carne brasileiro, já que os preços da arroba atingiram níveis nunca vistos. Ao que se deve essa alta tão expressiva da arroba?

Michel Torteli: A demanda da China. Com o surto da Peste Suína Africana, eles tiveram uma redução de 60% do rebanho suíno. Isso representa uma perda de 25 mil toneladas da carne de porco. Mesmo se toda a exportação mundial fosse para a China, o produto ainda estaria em falta. Para preencher essa demanda, o país tem consumido aves e carne bovina. 

CR: A demanda chinesa tem potencial para reverter a atual situação do mercado mundial de carne bovina? 

MT: O aumento de renda faz com que a demanda chinesa pela carne bovina seja crescente. Essa procura continuará sendo positiva, mas não no mesmo ritmo deste ano. Mesmo já tendo se equilibrado em um patamar mais alto com os valores das proteínas, o mercado já está chegando a um limite de preço. 

CR: Na sua opinião, este cenário de alta está só no início, ou ainda temos espaço para maior valorização da arroba?

MT: O mercado doméstico brasileiro ainda não recuperou toda a sua renda. Ainda temos muito desemprego, massa salarial sem crescimento e concorrentes bastante competitivos no ramo de proteínas. O mercado de aves em especial, expandiu consideravelmente em relação à carne suína. Acredito que a arroba esteja no limite e não vejo espaço para novas altas.

CR: Quais impactos essa valorização pode proporcionar no mercado? Existem possíveis reflexos negativos associados a essa alta da arroba?

MT: Nesta velocidade, o reflexo negativo da alta será a perda de mercado no Brasil. Teremos migração de consumo, principalmente para frango. 

CR: Pensando no primeiro trimestre de 2020, você acredita que a valorização continuará como está ou se estabilizará? Acha que existe alguma tendência de baixa nos valores da arroba?  

MT: Com relação aos preços atuais (São Paulo próximo a R$230,00/@), acredito que os valores cairão até março. Poderemos ter um equilíbrio de R$200,00, aproximadamente. O mercado interno é sempre mais fraco durante o primeiro trimestre do ano. Além disso, os preços na china já dão sinais de cansaço.

CR: Quais são suas expectativas para o mercado de médio a longo prazo?

MT: Apesar da forte alta, estou otimista com o setor. Todos os elos estão tendo lucros (frigorífico, engorda, recria e cria). Acho que está havendo um pouco de exagero em relação a expectativa de preços. Muitos acham que essa é a solução para tudo. É preciso entender que o preço é feito pelo mercado, nós apenas temos o controle de custos e produtividade. Os valores continuarão em um patamar elevado, mas é preciso tomar cuidado ao utilizar ferramentas de proteção na bolsa, uma vez que o capital empregado na operação de pecuária está muito alto e qualquer variação negativa trará grandes prejuízos. Creio que os próximos anos serão bons para investimentos em produtividade e que o preço da arroba será bem mais motivante. 

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