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Sintomas de Fitotoxicidade por herbicidas em cafeeiros

A interferência de plantas daninhas na cultura do café pode causar grandes prejuízos, devido a sua elevada capacidade de competir por água, luz e nutrientes. Por isso, deve ser feito o controle dessas plantas indesejáveis. Dentre os métodos de controle existentes, destaca-se o controle químico, que é amplamente utilizado devido a sua eficiência e por serem mais viáveis economicamente quando comparado ao controle manual.  

O controle químico é feito por meio da utilização de herbicidas, que podem ser definidos como qualquer produto químico que mata ou inibe grandemente o desenvolvimento de uma planta (LORENZI, 2014). Dessa forma os herbicidas são aplicados em lavouras com o objetivo de eliminar as plantas daninhas presentes, consequentemente facilitando o manejo delas.

No entanto, sua aplicação deve ser feita com muita atenção, seguindo as premissas da tecnologia de aplicação, a fim de evitar a ocorrência da deriva, uma vez que sua aplicação nas plantas pode acarretar em prejuízos as mesmas.

Abaixo, mostraremos os sintomas ocorridos pela deriva ou aplicação inadequada de três herbicidas na cultura do café, sendo eles:  glyphosate, Carfentrazone – ethyl e 2,4-D.

Glyphosato 

O glyphosate é um herbicida inibidor da EPSPs, que atua na síntese ne aminoácidos. Nesse sentido, há a inibição da síntese de corismato, que é percursor dos aminoácidos aromáticos essenciais: fenilalanina, tirosina e triptofano, conforme mostra o esquema abaixo (Figura 1).

Figura 1. Via do chiquimato

Sintomas

Os sin17tomas observados devido a fitotoxicidade deste herbicida são: estreitamento do limbo foliar, clorose e excesso de brotações nas regiões das gemas axilares de cafeeiros, conforme mostram as figuras abaixo (Figura 2, 3 e 4).

Sintomas de Fitotoxicidade

Figura 2. Estreitamento do limbo foliar e excesso de brotações das regiões apicais.
(Fonte: Rehagro).

Sintomas de Fitotoxicidade

Figura 3. Estreitamento do limbo foliar e excesso de brotações das regiões apicais.
(Fonte: Rehagro).

Sintomas de Fitotoxicidade

Figura 4. Planta de café com sintomas de fitotoxicidade pelo herbicida Glyphosate.
(Fonte: Rehagro).

Estudos feitos por Voltolini et al. (2019), com a simulação da deriva deste herbicida em cafeeiros jovens, mostram as influências no crescimento das plantas. O estudo foi feito com a simulação da deriva, sendo aplicado 0%, 10%, 25% e 50% da dose comercial recomendada de glyphosate, sendo 3,0 litros por hectare.  De acordo com os autores, houve um decrescimento linear na altura das plantas e na área foliar, com o aumento das doses desse herbicida (Figura 4 e 6).

Figura 5. Altura das plantas em função dos efeitos das doses de Glyphosate. Lavras/MG. (VOLTOLINI et al.,2019).

Figura 6. Área foliar das plantas em função dos efeitos das doses de Glyphosate. Lavras/MG. (VOLTOLINI et al.,2019).

No campo, são visíveis as interferências no crescimento e desenvolvimento das plantas, quando houve a intoxicação pelo glyphosate, conforme mostra a foto abaixo (Figura 7). A seta vermelha indica as plantas que foram afetadas pelo herbicida, devido a problemas na aplicação. Já a seta verde indica as plantas que não tiveram interferências com aplicação de glyphosate.

Sintomas de Fitotoxicidade

Figura 7. Plantas intoxicadas pelo herbicida glyphosate (seta vermelha), e plantas normais (seta verde).
(Fonte: Rehagro).

Carfentrazone – ethyl 

Carfentrazone – ethyl é um herbicida que atua na inibição da PROTOX, inibindo a enzima protoporfirogênio oxidade (PPO), responsável por uma das etapas da síntese de clorofila.

Sintomas 

Os sintomas observados são pontos necróticos irregulares no limbo foliar, principalmente nas regiões apicais.

Nas fotos abaixo, observamos os sintomas de fitotoxicidade do Carfentrazone – ethyl (pontos necróticos) e também a fitotoxicidade do herbicida Glyphosato (folhas afiladas).
(Figura 8 e 9).

Figura 8. Nesta foto observamos os sintomas de fitotoxicidade do Carfentrazone – ethyl (pontos necróticos) e também a fitotoxicidade do herbicida Glyphosato (folhas afiladas). (Fonte: Rehagro).

Figura 9. Nesta foto observamos os sintomas de fitotoxicidade do Carfentrazone – ethyl (pontos necróticos) e também a fitotoxicidade do herbicida Glyphosato (folhas afiladas). (Fonte: Rehagro).

2,4 D

O 2,4-D, ácido 2,4-diclorofenoxiacético atua como mimetizador de auxina, induzindo a expansão celular.

Sintomas 

Os sintomas observados no cafeeiro pela intoxicação pelo herbicida 2,4-D é encarquilhamento, epinastia (curvamento e dobramento das folhas) (Figura 10 e 11).

Sintomas de Fitotoxicidade

Figura 10. Encarquilhamento foliar (círculo vermelho) causado pela intoxicação pelo herbicida 2,4-D.

Sintomas de Fitotoxicidade

Figura 11. Epinastia – curvamento e dobramento das folhas. (Círculo vermelho) causado pela intoxicação pelo herbicida 2,4-D.

Um estudo feito por Silva (2016), visando avaliar os efeitos da fitotoxicidade em mudas de cafeeiro pela deriva do herbicida 2,4-D, mostrou que esse herbicida afeta negativamente o crescimento das plantas. De acordo com o estudo, houve decrescimento quadrático causado pela devida no 2,4-D com o aumento das doses (Figura 12).

Figura 12. Altura (cm) das plantas de café em função de cada dose de 2,4-D (L.ha-1). Lavras, MG – 2016.

Vale destacar que, de forma alguma, indicamos a aplicação de 2,4-D em lavouras de café.

Considerações:

Portanto, é importante estar atento a tecnologia de aplicação de herbicidas, a fim de evitar a ocorrência de deriva e consequentemente inferências ao crescimento e desenvolvimento das plantas.

Referências

  • LORENZI, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. 7. ed. Nova Odessa: Ipsis, 2011. 379 p. (Link)
  • SILVA, L. C. Fitotoxicidade do Herbicida 2,4-D em Cafeeiros. 2016. 38 p. (Graduação – agronomia). UFLA, Lavras, 2016.
  • VOLTOLINI, G. B., GUIMARÃES, R. J., DE OLIVEIRA ALECRIM, A., NETTO, P. M., PAULINO, R. N. L., DE CARVALHO CUNHA, B., & BRITO, H. R. Plantas de cafeeiro submetidas à deriva simulada do herbicida glyphosate. X Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil. ISSN: 1984-9249 8 a 11 de outubro de 2019, Vitória – ES.

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