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Você tem perdido animais devido a problemas de casco?

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A doença de casco em conjunto com a mastite e os problemas reprodutivos são alguns dos maiores desafios na bovinocultura de leite e corte em todo o mundo, acarretando grandes perdas econômicas. Animais estão sendo descartados mais cedo por problemas de casco e antes dessa decisão, as perdas e custos já se fizeram presentes de maneira impactante.

Fatores de risco para afecções de casco

Os fatores de risco para doenças de casco são as características do animal ou do ambiente (condições ou situações) favoráveis ao surgimento ou agravamento das lesões nos cascos. O conhecimento e a identificação rápida desses sinais são importantes no estabelecimento de medidas para evitá-los, corrigi-los ou minimizá-los.

  • Nível de produção: animais mais produtivos exigem dietas mais “pesadas”, com maiores riscos de alterações metabólicas. São mais desafiados e, por isso, susceptíveis a problemas de casco.
  • Fase da lactação: os problemas podais são mais frequentes no início da lactação até 70 dias após o parto, aproximadamente.
  • Instalações: boas instalações desempenham um importante papel no conforto e bem estar dos animais. Diversos fatores devem ser avaliados, como o tipo de piso, as camas, a ventilação, cochos e bebedouros, as trilhas, as áreas de descanso, etc. Em geral avalia-se o conforto do animal.
  • Higiene e umidade: excesso de matéria orgânica, umidade e piso abrasivo proporcionam uma alta taxa de desgaste do casco, aumentando os riscos de infecções.
  • Densidade animal: quando elevadas, ocasionam competições, redução do conforto e maiores dificuldades no manejo, higiene e umidade.
  • Alimentação: a qualidade, quantidade e o balanceamento da dieta são essenciais para uma boa formação e nutrição dos cascos. Sobras excessivas (mais que 5%), fibras (mínimo 40-45%), tamanho da fibra (20% com 5 cm) e uniformidade da mistura são pontos importantes a serem avaliadas na dieta.

A ocorrência das afecções podais é maior nos membros posteriores do que nos anteriores. Isto é devido à biomecânica da locomoção. Nos membros anteriores há maior massa muscular, enquanto nos posteriores a estrutura óssea funciona como um sistema de alavanca. Este fato proporciona uma força do casco sobre o solo e uma reação do solo sobre o casco com diferenças de amortecimento entre os membros anteriores e os posteriores. Além do fato dos posteriores pisarem com maior frequência em fezes e urina.

Em relação aos dígitos, a ocorrência é maior nos dígitos laterais dos membros posteriores, e nos membros anteriores são os dígitos mediais. Por este motivo, devemos sempre conduzir as vacas de leite no seu passo, ritmo. Quanto mais acelerarmos os animais para a ordenha ou na saída, maior o risco de injúrias. O bovino deve ser conduzido de maneira calma.

O homem é também considerado um importante fator de risco, uma vez que está diretamente associado à saúde dos cascos dos bovinos. O manejo inadequado dos animais, desconsiderando o conforto do animal, possui um grande impacto no surgimento de claudicações.

Classificação por grau de intensidade das lesões de casco

As lesões podem ser classificadas quanto a sua intensidade. Ou seja, lesões leves (grau 1), lesões moderadas (grau 2) e lesões graves (grau 3). Normalmente, a prevalência de lesões grau 1 e 2 é superior às lesões de grau 3. Este fato pode ser observado quando realizamos o escore de claudicação e identificação das lesões.

No dia a dia da fazenda, a percepção é de baixa prevalência de animais claudicando, pois, a atenção é maior para as lesões de grau 3. Sendo assim, a atuação nos problemas podais torna-se basicamente curativa e imediatista. O foco para um bom controle deve ser animais de escore 2 e 3. Desta forma, evitando a evolução das lesões, menor será o impacto no sistema de produção. O objetivo é ter o menor número de animais nos escores 4 e 5. É importante conhecer qual o problema de casco mais prevalente na propriedade, pois as lesões de casco podem ser divididas de acordo com a origem.

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Prejuízos decorrentes dos problemas de casco

As perdas econômicas decorrentes das doenças de casco são um somatório de gastos com tratamento (medicamentos + mão de obra), perdas reprodutivas e mastite. Para termos uma noção completa deve-se considerar, ainda, as perdas por vaca e por ano no rebanho. Embora muitos pensem que o gasto maior dos problemas locomotores está no tratamento, este custo é o menor quando comparado com a perda produtiva, reprodutiva e com os descartes involuntários. As perdas são ainda maiores quando os problemas não são identificados no início, pois quando já estão em grau avançado, além das perdas na produção existe o gasto com medicamentos a fim de conter as infecções.

Prejuízos das doenças de casco

  • Queda de produção: o estresse causado pela dor leva à queda de produção.
  • A diminuição do consumo de alimentos, que de maneira geral ocorre em casos de doenças, é exacerbada nos problemas de cascos, já que o animal evita se locomover. Tudo isso, acarreta em perda de condição corporal, que prejudica ainda mais a produção.
  • Reprodução: animais com afecções de casco não realizam a monta, o que prejudica a identificação do cio. A concepção em animais mancos é menor.
  • Mastite: os animais passam mais tempo deitados, muitas vezes em locais inadequados.
  • Tratamento: alto custo com medicamentos, descarte de leite com resíduos de medicamentos, necessidade de mão de obra especializada e aumento da mão de obra na rotina.
  • Descartes involuntários: menor longevidade de animais, descartados precocemente.
  • Mortes: decorrentes de complicações das afecções.

Os problemas de casco são constantes nas propriedades leiteiras e acarretam grandes prejuízos. Conhecer os fatores de riscos para ocorrência das lesões, assim como conseguir definir quais as lesões mais prevalentes em cada rebanho e como monitorá-las são fundamentais para um bom controle das afecções de casco. Nos dois materiais citados e destacados neste artigo, você encontrará informações valiosas para entender e combater de vez os problemas de casco! Acesse-os:  

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