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Como evitar prejuízos com cisticercose bovina?

Mais prejuízos ao produtor! É sobre isso que se traduz a ocorrência da cisticercose bovina em um rebanho de corte. Conhecer bem e saber prevenir contra a doença, é a melhor maneira de evitá-la em sua propriedade.

A cisticercose

O homem é o principal disseminador da doença. Isso porque é através da ingestão de ovos de um parasita intestinal do homem, a Taenia saginata (popularmente conhecido como solitária), que o bovino adquire a doença. A infecção ocorre quando o bovino ingere água, pastagens ou outros alimentos contaminados por fezes de pessoas portadoras do verme.

Nestes alimentos estão presentes ovos do verme que, no interior do intestino do bovino, liberam formas larvares infectantes do parasito. Estas, ao atravessarem a parede intestinal do bovino, ganham a circulação e migram para os tecidos, onde se encistam e formam os cisticercos (Cysticercus bovis), também conhecidos como “canjiquinhas”. Cérebro e musculatura são os tecidos de predileção para a formação dos cisticercos.

Quando o homem ingere carne bovina crua ou mal cozida contendo cisticercos viáveis, estes evoluem para a forma adulta do verme no interior do seu intestino, fechando assim o ciclo do parasito.

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Levantamentos epidemiológicos têm alertado para a importante participação do homem na ocorrência da cisticercose bovina, ao constatarem altos percentuais de carcaças infectadas provenientes de confinamentos. Tal fato pode ser explicado pelo intenso contato humano na manipulação das dietas fornecidas aos animais.

O fato é que uma vez instalada nos animais a doença geralmente não apresenta sintomas e passará despercebida aos olhos do produtor, que tomará conhecimento da doença somente no momento do abate. Neste momento já não é possível fazer qualquer tipo de tratamento dos animais e a condenação parcial ou total das carcaças cisticercóticas implicará em prejuízos ao produtor.

Prejuízos

Os prejuízos dependerão do grau de infestação da carcaça, estendendo-se desde penalizações à condenação total da carcaça. O Art. 185 do Decreto 9013/17, do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA) descreve a condenação e destino para as carcaças. O diagnóstico da cisticercose bovina é realizado durante a inspeção post mortem que ocorre durante o abate nos matadouros, e consiste basicamente na avaliação visual macroscópica de cisticercos em tecidos e órgãos da carcaça.

Coração, músculos da mastigação, língua, diafragma e seus pilares e massas musculares da carcaça são as principais áreas analisadas. Em geral, na rotina de inspeção, a carcaça será considerada por infecção intensa se encontrados, pelo ou menos, oito cistos viáveis ou calcificados, ou dois ou mais cistos localizados, simultaneamente em pelo menos dois locais de eleição examinados na linha de inspeção, ou quatro ou mais cistos localizados no quarto dianteiro ou no quarto traseiro.

Para um aproveitamento condicional, considerando uma pesquisa em todos os locais de eleição examinados na linha de inspeção e na carcaça correspondente, pode-se utilizar o uso do calor quando encontrado mais de um cisto viável ou calcificado, ou tratamento pelo frio ou salga quando encontrado um cisto viável, ou até mesmo destinado ao consumo humano quando observado apenas um cisto já calcificado, em todos os casos, sempre após a remoção e condenação das áreas atingidas.

Controle

O controle da cisticercose bovina se baseia em medidas higiênico-sanitárias que interrompam o ciclo do parasita e impeçam que bovinos ingiram ovos do verme. Logo, o controle deve se basear em algumas medidas:

  • Sendo o homem o responsável pela contaminação de aguadas e pastagens através de suas fezes, o uso de fossas sanitárias na propriedade deve ser instituído com o intuito de evitar tal contaminação. Porém, a medida só é efetiva após garantida a conscientização dos funcionários, que só deixarão de contaminar as pastagens quando estiverem cientes de sua importância no controle da doença.
  • Garantir que os animais não tenham acesso a locais que recebam esgoto humano.
  • Tratamento antiparasitário semestral dos funcionários da fazenda com medicamento específico para o parasito, diminuindo assim as chances de ocorrência do parasito no intestino do homem e possível eliminação de ovos nas fezes. Medicamentos à base de praziquantel ou albendazol são indicados para o tratamento da teníase, porém deve-se procurar um médico para a escolha do melhor tratamento.
  • Inspeção em abatedouros, sequestro ou tratamento de carcaças infectadas e combate ao abate clandestino (não inspecionado) também deve ser dada grande importância, uma vez que reduzem as chances do homem ingerir carne bovina infectada.
Bibliografias consultadas:

MIRANDA, Z. B. Inspeção de produtos de origem animal. Revista CFMV, n.26, p. 21-26, agosto 2002

QUEIROZ, R. P. V., SANTOS, W. L. M., BARBOSA, H. V., SOUZA, R. M., SANTOS FILHO, A. M. P. A importância do diagnóstico da cisticercose bovina. Revista Higiene Alimentar, v.11, n.77, p.12-15, 2000.

Combate à cisticercose ganha novo impulso. Revista DBO Rural, p. 134-136, junho-2000.

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