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cigarrinha da cana

Métodos de manejo das principais pragas na cultura da cana-de-açúcar

Métodos de manejo das principais pragas na cultura da cana-de-açúcar
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Conhecendo as principais pragas que atacam o cultivo de cana-de-açúcar, o próximo passo será determinar quais serão as táticas de manejo para controlá-las. Para isso, devemos entender algumas questões que envolvem o manejo de pragas, fique atento:

As pragas, são insetos capazes de causar danos econômicos à atividade agrícola, ou seja, causam prejuízos na produção final, bem como prejuízos econômicos em termos de gastos com produtos, de forma desnecessária. Portanto, a forma mais eficiente de avaliar se está ocorrendo um ataque de pragas na lavoura, é através de amostragem/monitoramento.

O monitoramento é feito através de atividades contínuas de levantamento, estimativas de densidades populacionais, cálculo de perdas, recomendações de controle, acompanhamento dos resultados, correções de métodos, avaliações das novas correções e assim sucessivamente. Buscando sempre reduzir os danos causados pelas pragas.

Para realizar a amostragem, existem algumas metodologias específicas para cada praga que podem ser seguidas. Para isso, é necessário que o amostrador seja orientado de forma correta para a atividade e que ele conheça as características do inseto que causa problemas. Erros de identificação nesta operação poderão prejudicar a tomada de decisão, assim como não controlar a espécie desejada e permitir com que a mesma ganhe mais tempo e se multiplique, aumentando os danos na lavoura. Abaixo serão discutidos, alguns  métodos de amostragem e controle para as duas principais pragas da cana-de-açúcar:

Broca-da-cana-de-açúcar

O monitoramento é realizado desde a fase vegetativa até a maturação da planta. O levantamento da quantidade de lagartas presentes, terá início quando as plantas apresentarem os primeiros internódios visíveis, cerca de 3 meses de idade, devendo ser realizado a cada quinze dias ou uma vez por mês.

Uma técnica que pode ser utilizada, consiste na avaliação de dois pontos da lavoura por hectare, em linhas de 5 metros lineares de duas ruas paralelas, perfazendo um total de 10 metros lineares, conforme esquema abaixo:

Broca-da-cana-de-açúcar

Após selecionar aleatoriamente os pontos, os colmos de todas as plantas serão avaliados, e aqueles que possuírem orifícios de entrada da broca, deverão ser abertos e observados. Deve-se anotar em um ficha as seguintes avaliações:

O levantamento do número de lagartas e de parasitoides encontrados no canavial, é de extrema importância para a tomada de decisão, principalmente no caso de se escolher o controle biológico. A forma de se utilizar o controle com uso de inimigos naturais, está disponível em nosso site, o qual é abordado tanto o controle para a broca, quanto para a cigarrinha, que são pragas que apresentam controle biológico usual e acessível ao produtor.

Outra forma de se amostrar brocas é o levantamento populacional das lagartas da seguinte forma: coleta-se 100 colmos por talhão, em 5 pontos diferentes. Após essa coleta, faz-se o cálculo do índice de infestação (IF%), que consiste na contagem do número de internódios presentes, e o número de internódios atacados.

Se caso o IF der igual ou superior a 3%, significa que este é o momento exato para entrar com uma medida de controle, tais como:

Controle químico, que neste caso pode se tornar pouco eficiente devido ao hábito de sobrevivência da lagarta, que permanece, na maior parte de seu desenvolvimento, dentro do colmo. No entanto, ao se optar pela pulverização de inseticida, poderão ser utilizados os seguintes produtos: triflumuron, lufenuron ou fipronil, que deverão ser direcionados para a região do palmito.

Outra medida de controle que poderá ser adotada, visando controlar a presença da broca em áreas de  cultivos próximos aquela área referência, bem como cultivos futuros, é o controle cultural, o qual poderá ser feito o uso de cultivares resistentes ou tolerantes à praga. Além disso, deve-se optar por fazer o corte da cana sem desponte, fazer moagem rápida após o corte e eliminar as plantas hospedeiras da praga próximas à lavoura.

Cigarrinha-das-raízes

O monitoramento para a cigarrinha-das-raízes é geralmente, realizado no período de setembro a abril, período o qual tem maior chance de incidência da mesma. Recomenda-se que a amostragem seja feita cerca de 20 a 30 dias após uma chuva, com periodicidade quinzenal.

O levantamento de populações de cigarrinha na lavoura poderá ser feito contabilizando a presença de ninfas nas áreas. Portanto, deve-se selecionar cinco pontos por hectare na lavoura, cada ponto corresponderá a 1 metro linear. As plantas que apresentarem sintomas de produção de espuma serão retiradas e observadas, caso haja presença de cigarrinha, as mesmas deverão ser quantificadas.  Cigarrinha-das-raízes

Há indicações de que o número de ninfas capaz de causar danos à lavoura, gira em torno de 8-10 ninfas/metro linear. Enquanto que a recomendação para controle seja de 3-5 ninfas/metro linear.

Quando a população de ninfas atinge o nível de dano (8-10 ninfas/m), quer dizer que haverá reflexo em produtividade e qualidade do produto final. Por isso é muito importante realizar adequadamente a amostragem, a fim de controlar a praga antes que a mesma cause prejuízos econômicos, ou seja, atinja o nível de dano.

Para o controle da cigarrinha, pode ser utilizado algumas táticas, como controle biológico, que assim como para a broca-da-cana-de-açúcar, existe a possibilidade de se controlar esta praga causando menos danos ao meio ambiente.

Controle químico, que poderá ser feito por meio de aplicação de inseticidas de ação sistêmica como: aldicarb, carbofuran e thiamethoxam. As formas de aplicação de inseticidas podem ser realizadas tanto na base das touceiras, sobre a palha quanto incorporado ao lado da linha de cana.

Controle cultural, o qual poderá realizar o afastamento de forma mecânica da palha na linha de cultivo, ou a retirada total da palha, pois esta cria um microclima úmido favorável para as cigarrinhas. Além disso, recomenda-se também o controle eficiente de plantas daninhas. Embora este controle não seja 100% eficiente, ainda assim é uma forma de manejar a infestação da praga.

O uso de variedades resistentes não se aplica tanto à essa praga, uma vez que na prática, tem sido observado suscetibilidade em todas as variedades. Para tanto, poderá ser utilizado aqueles materiais que sejam menos afetados pela presença da cigarrinha.

É importante ressaltar que deve-se fazer sempre um bom levantamento amostral de pragas, bem como empregar diferentes técnicas de controle, para que não gere resistência às pragas e para se obter melhores resultados.

Referências:

MACEDO, N.; MACEDO, D. As pragas de maior incidência nos canaviais e seus controles. Visão agrícola, v. 1, n. 1, 2004.

Agência EMBRAPA de Informação Tecnológica – Pragas no colmo.

PINTO, A. S; LOPES, V. L; LIMA, A. A. Manejo de pragas. Cana-de-açúcar do plantio à colheita, 2016.

CTC – Centro de Tecnologia Canavieira.