Rehagro Blog

Pragas e doenças na lavoura do café: como identificá-las

A lavoura de café pode ser atacada por várias pragas e doenças. Isso influencia no desenvolvimento das plantas e provoca perdas na produção e na qualidade do produto final.

A broca do café, um pequeno besouro, é a segunda praga em importância na cafeicultura brasileira (café arábica) e no café robusta (conillon). Ela também é considerada praga-chave da cultura nas principais áreas produtoras de café do mundo, atacando frutos em qualquer estádio de maturação, de verdes a secos. Após ter feito o acasalamento, as fêmeas deixam os frutos que estão no solo ou na planta e vão à procura de frutos da nova safra.

As fêmeas perfuram os frutos na região da coroa. Geralmente, ocorre uma por fruto, mas em caso de alta infestação pode haver mais de uma perfuração.

pragas e doenças no café

Perfuração da broca no grão de café

As fêmeas abrem um túnel até atingir a semente, na qual constroem uma galeria e iniciam a oviposição. Lá, surgem as larvas que se alimentam das sementes. Com isso, ela pode danificar diretamente o fruto e sua qualidade, provocando prejuízos na própria safra. Os prejuízos ocorrem de três formas:

  • Queda de frutos, nos estágios de chumbinho a verde aquoso;
  • Redução de peso dos grãos danificados, diminuindo o rendimento do café;
  • Perda de qualidade devido aos grãos brocados.

As condições favoráveis para broca são lavouras onde a colheita foi mal feita. A partir disso, temos uma maior quantidade de grãos no chão ou no pé, lavouras sombreadas e períodos úmidos na entressafra. Tudo isso favorece a sobrevivência dos insetos e aumenta a infestação na próxima safra.

A época de evolução da broca começa a partir de novembro. Por esse motivo, é muito importante começar a fazer o monitoramento das lavouras para que seja feito o controle  na hora certa. Esse monitoramento é feito por meio de amostragens conduzidas nas lavouras, com o objetivo de conhecer a porcentagem de infestação. Na primeira amostragem, se um valor maior ou igual a 1% de grãos brocados (brocas vivas) for atingido, é preciso entrar com o controle usando inseticida (Endossulfan), lembrando que a literatura recomenda iniciar o controle com 3% de grãos brocados.

Monitoramento das lavouras

É muito importante fazer o monitoramento das lavouras, mesmo que já tenha sido feito o controle. Assim, é possível verificar a quantidade de brocas vivas e mortas. Já na segunda amostragem, o controle só é feito se houver 3% de grãos com brocas vivas.

Existem várias maneiras de se fazer o monitoramento. Uma opção é, em cada lavoura ou talhão, selecionar cinco pontos diferentes. Em cada ponto, escolher duas fileiras (uma de frente à outra) e em cada uma delas, cinco plantas. Em cada planta, escolher uma rama inteira, da qual se colherão os frutos. Na primeira planta, deve-se escolher uma rama situada entre as partes média e superior, na segunda, entre as partes média e inferior, e assim por diante até a décima planta do ponto selecionado. Para facilitar, os frutos de cada lavoura ou talhão, poderão ser misturados formando uma única amostra. Em seguida, é feita a separação dos frutos brocados e não brocados para a determinação da percentagem de infestação.

Exemplos de frutos brocados e não brocados

Supondo que foram amostrados 2000 frutos e que nessa amostra existam 20 frutos brocados, para se obter a percentagem de infestação é necessário fazer a seguinte regra de três:

2000 frutos ——– 100%
20 frutos ————- X
X = 20 x 100 / 2000 = 1% de frutos brocados

Outro ponto importante a ressaltar é o período de carência.  Nas lavouras onde foi feito o controle com endosulfan, o período mínimo de 70 dias de carência deve ser respeitado antes de colher. Sendo assim, toda fazenda deve ter uma programação de amostragem para evitar que um controle de broca possa atrasar a colheita.

Estando atento às pragas e doenças, é possível  ter uma boa produtividade e um produto final de qualidade.

webinar-leite

Comentar