Rehagro Blog

Patógenos causadores de mastite: quem são eles e como preveni-los?

Quando o assunto é mastite e qualidade do leite, uma pergunta bastante frequente é: “Qual o melhor antibiótico para tratar as vacas?” 

Assim como ocorre com outras doenças, definir o tratamento assertivo para a mastite depende de alguns fatores, como o conhecimento do agente, histórico de mastite da vaca, dados de contagem de células somáticas (CCS), produção de leite, status reprodutivo e DEL.

Um estudo publicado em 2018 identificou que apenas 20% a 30% dos casos de mastite clínica leve (presença de alterações visíveis no leite) se beneficiaram com o uso de antimicrobiano, reforçando a importância de conhecermos os dados de cada caso para as tomadas de decisão.

Ainda mais importante que definir as estratégias com as vacas doentes, é atuar de forma preventiva para reduzir os riscos de mastite e contaminação das vacas sadias. Sendo assim, conhecer os patógenos presentes no rebanho e suas principais características são partes fundamentais nesse controle.

Dentre os patógenos causadores de mastite, em média, 95% são bactérias, enquanto os demais casos são causados por fungos, leveduras e algas.

Vamos conhecê-los um pouco mais!

Existem várias formas de classificar esses patógenos, sendo a estratificação com base no comportamento etiológico dos agentes a mais comum.

Agentes contagiosos

Os patógenos contagiosos são aqueles cujo reservatório principal é a vaca (pele dos tetos e úbere).

A transmissão desses agentes ocorre durante a ordenha, tanto pelas mãos dos ordenhadores quanto pelo equipamento de ordenha. Sendo assim, manter o equipamento de ordenha em bom funcionamento, com manutenções preventivas e corretivas em dia, além de garantir uma boa rotina de ordenha, são pontos fundamentais no controle e prevenção desses agentes no rebanho.

Dentre os principais agentes contagiosos temos o Corynebacterium bovis, Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae e Mycoplasma spp.

Corynebacterium bovis

  • Bactéria gram positiva;
  • Habitante do canal do teto;
  • De característica contagiosa, porém pouco patogênica;
  • Alta taxa de cura na terapia da vaca seca.

Staphylococcus aureus

  • Bactéria gram positiva;
  • Formação de fibrose e micro abscessos, com eliminação intermitente no leite, sendo necessárias coletas seriadas para identificação do agente;
  • Capaz de formar biofilme, sendo baixa a taxa de cura espontânea e de tratamentos durante a lactação;
  • Taxa de cura é maior para casos de novilhas e vacas em início de lactação, sendo usual a terapia estendida;
  • Moscas, peles e mãos dos ordenhadores podem atuar como fonte de transmissão.

Streptococcus agalactiae

  • Bactéria gram positiva;
  • Maioria dos casos são subclínicos com aumento de CCS acima de 1 milhão de células/ml;
  • Sensível a penicilina e cefalosporinas, com taxas de cura próximas a 100% em protocolos de 3 dias;
  • Agente altamente contagioso e de rápida disseminação no rebanho, sendo recomendada realização de tratamento para os casos clínicos e subclínicos;
  • Agente possível de ser erradicado do rebanho ao seguir protocolos de tratamento, biosseguridade e segregação das vacas positivas.

Mycoplasma spp.

  • Bactéria sem parede celular;
  • Não crescem em meio de cultura tradicional, sendo recomendada técnicas como PCR para seu diagnóstico;
  • Não respondem a tratamentos com antimicrobianos;
  • Agente capaz de migrar via hematógena para outros órgãos e ser transmitido via aerossol, podendo causar quadros de otite, artrite e pneumonia em vacas e bezerros;
  • Seu controle está relacionado a identificação e ações de biosseguridade como o descarte de animais positivos.

Agentes ambientais

Os patógenos ambientais são aqueles cujo reservatório principal é o ambiente.

A transmissão desses agentes ocorre principalmente entre ordenhas e seu controle está relacionado a reduzir a exposição dos tetos a esses agentes, através dos manejos no ambiente de permanência das vacas e rotina de ordenha, garantindo tetos limpos e desinfetados.

Dentre os principais agentes ambientais temos a Escherichia coli, Klebsiella spp. e Streptococcus uberis.

Escherichia coli

  • Bactéria gram negativa;
  • Associada a mastites severas – maior patogenicidade e resposta imunológica intensa;
  • Alta taxa de cura espontânea, podendo chegar a mais de 80%;
  • Frequentemente isolado em mastites no período seco e início de lactação;
  • Apresenta-se na forma clínica com curta duração, na maioria dos casos sem necessidade de tratamento antimicrobiano

Klebsiella spp.

  • Bactéria gram negativa;
  • Fatores de risco para o agente incluem sujidade do úbere, manejo inadequado do ambiente de permanência das vacas e tetos com hiperqueratose;
  • Geralmente associada a casos crônicos e aumento de CCS;
  • Pouco responsiva a tratamento com antimicrobianos, sendo recomendada a terapia no momento da secagem;
  • Terapias utilizando cefalosporinas possuem taxa de cura próxima a 60%.

Streptococcus uberis

  • Bactéria gram positiva;
  • Frequentemente isolado em mastites no período seco e início de lactação;
  • Caracterizado como agente ambiental, podendo ser transmitido vaca-a-vaca na ordenha;
  • Sensíveis a penicilinas e cefalosporinas;
  • Terapia estendida (5 a 8 dias) para os casos clínicos aumentam a taxa de cura.

Outros agentes  

Além dos agentes descritos acima, outros agentes comumente associados a casos de mastite são os considerados “Staphylococcus não aureus”. São bactérias gram positivas e oportunistas. Habitam a pele e canal dos tetos, sendo pouco patogênicas e com altas taxas de cura espontânea e em terapias durante a secagem e lactação.

Outros agentes preocupantes no controle da mastite são agentes refratários. São patógenos não responsivos a tratamentos e que estão presentes na água e matéria orgânica. Alguns exemplos desses agentes incluem Serratia (bactéria gram negativa), Pseudomonas (bactéria gram negativa), Prototheca (alga) e leveduras.

Considerações

Ao conhecer um pouco mais sobre os principais patógenos relacionados aos casos de mastite, notamos a importância do diagnóstico para a decisão de tratamento e como medidas simples que podem ser feitas diariamente na propriedade podem contribuir para a redução da transmissão dos agentes e contaminação das vacas. Para isso, é indispensável a definição das rotinas e padronização dos processos junto aos funcionários do setor, além de trabalhar nos pontos de controle da mastite.

Pontos principais no controle dos agentes ambientais incluem:

– Manejo do ambiente para reduzir acúmulo de matéria orgânica e umidade;

– Rotina de ordenha com foco em limpeza e desinfecção dos tetos antes da ordenha;

– Diagnóstico de CCS ou CMT;

– Estratégias no tratamento de casos clínicos e subclínicos;

– Terapia da vaca seca.

Pontos principais no controle dos agentes contagiosos incluem:

– Rotina de ordenha com foco em uso de luvas e desinfecção dos tetos após a ordenha;

– Bom funcionamento do equipamento de ordenha;

– Diagnóstico de CCS ou CMT;

– Segregação de vacas crônicas e com agentes contagiosos;

– Estratégias no tratamento de casos clínicos e subclínicos;

– Terapia da vaca seca;

– Descarte de animais;

– Biosseguridade.

Dica extra 

A mastite pode levar a uma redução de 10 a 30% na produção de leite de animais doentes, gerando grande prejuízo para os produtores.

Seu controle é fundamental para o sucesso de qualquer projeto leiteiro, juntamente com cuidados nas áreas de nutrição, sanidade, reprodução e uma boa gestão financeira e de equipes. Resultados financeiros satisfatórios só vêm quando todos esses aspectos estão em dia.

Caso você queira aprender a melhorar ainda mais esses processos na fazenda onde você atua, aqui no Rehagro, temos a Pós-Graduação em Pecuária Leiteira, que aborda cada um desses pilares de forma prática e aplicável ao dia a dia da produção. 

Essa especialização já ajudou mais de 1.600 profissionais a dominarem toda a pecuária leiteira, melhorarem seu serviço e darem um passo à frente em suas carreiras. Talvez, possa ser útil para você também.

Conte sempre conosco e sucesso na produção!

 

 

Comentar