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gado nelore

Usando a cerca elétrica em pastejo rotacionado de gado de corte

Ao analisarmos a eficiência do pastejo de acordo com o manejo de pastagem utilizado, nota-se uma grande diferença nesse aproveitamento. A maioria dos dados de literatura, mostra eficiência por volta de 30% quando o pastejo é contínuo e por volta de 60% quando o pastejo passa a ser rotacionado com 1 dia de permanência. No meio desse caminho entre pastejo contínuo e rotacionado de 1 dia , estão o manejo alternado, rotacionado de 15, 10, 5, 3 e 2 dias de permanência (como podemos ver no gráfico 1 ).

eficiência do pastejo

À medida que o manejo vai mudando para rotacionado a eficiência vai aumentando e consequentemente aumenta a capacidade de suporte da propriedade. Apesar de parecer um raciocínio simples e lógico, o que se encontra na maioria das fazendas, ainda é o pastejo contínuo ou alternado. Com isso, existe um alto potencial de ganho a ser alcançado ao se rotacionar o pastejo. E isto pode ser conseguido no primeiro momento, apenas com manejo e praticamente sem custo. Este é o primeiro passo no aumento da intensificação e produtividade, mas que traz ganhos significativos de capacidade de suporte.

Esta primeira ação passa em modificar o manejo do pastejo de fixo para alternado, e depois rotacionado de quinze dias, dez dias, e cinco dias de permanência. A meta de chegar a pelo menos 5 dias, parte do princípio de evitar que a permanência seja menor que o tempo de rebrota da maioria das gramíneas tropicais que não estejam sendo adubadas com nitrogênio. Com isso, é possível evitar que haja pastejo da rebrota que foi há pouco pastejada. Neste caso há outro ganho que é o respeito à fisiologia do capim, gerando aumento de produtividade. Outra vantagem obtida com este manejo é que, para obter permanência de 5 dias por piquete, a pressão de pastejo é mais alta e gera uma maior uniformidade deste, evitando áreas de sub ou super pastejo (conforme pode ser visto na foto abaixo), aumentando a longevidade dos pastos.

pasto contínuo

Foto: pastejo contínuo.

Com estes fatores, o que vem sendo obtido de aumento da capacidade de suporte nas fazendas quando se toma a decisão de rotacionar o pastejo, pode chegar até em 40 % de ganho em comparação com o pastejo contínuo. Na prática, como a maioria das fazendas assistidas quando inicia o trabalho, utiliza o manejo alternado, o ganho de suporte tem ficado por volta de 20-30 %.

Como levar o manejo do pastejo de contínuo para rotacionado? O caminho só poderá ser: aumento do tamanho dos lotes ou redivisão dos pastos. Com isso, quando não se consegue rotacionar pastagens (5 dias) com lotes de até 200 animais (sem adubação nitrogenada), a estratégia tem sido a divisão de pastagens. Na prática, em pastos acima de 20-25 hectares, 200 UA necessitam de mais de 5 dias para consumir toda a oferta de forragem disponível (em média).

De uma maneira geral temos projetado divisões de módulos de 50 a 100 hectares com 8-10 piquetes, visando permanência de 3-6 dias; dependendo da época do ano e do tipo de gramínea (exemplo no desenho abaixo).

Para se alcançar esse nível de divisões, uma alternativa viável tem sido a cerca elétrica. Na maioria dos casos, os custos da cerca elétrica têm ficado em torno de um terço a um quarto dos custos da cerca convencional.

A cerca elétrica também tem encontrado muita resistência por parte dos produtores e funcionários, mas, quando se utiliza materiais de boa qualidade e a construção é criteriosa, a sua eficácia é muito alta. Critérios como qualidade do aterramento, dimensionamento do aparelho eletrificador, vida útil do material, utilização de fio negativo, proteção contra descargas elétricas (raios) e uso de linha-mestra são muito importantes para o bom resultado deste tipo de cerca.

Dentre as principais vantagens da cerca elétrica podemos citar:

  • Fácil e rápida construção;
  • Facilita o manejo;
  • Amansa os animais;
  • Versátil;
  • Viável economicamente;

Dicas práticas para um bom funcionamento e vida útil da cerca:

a) Aterramento:

Este é um dos pontos-chave para o sucesso da cerca elétrica. O número de hastes deve variar de acordo com o tamanho do aparelho, mas deve ter no mínimo 3 hastes. Existe um teste que indica a quantidade necessária para aterrar cada aparelho em cada tipo de solo. Consiste em medir a voltagem no aterramento após colocar 3 hastes em contato com a cerca e o solo (a uma distância de 100 metros do aterramento). É muito importante que as hastes sejam aterradas em local que fique úmido mesmo na época da seca. Caso isto não seja possível, o aterramento deverá ser molhado com fartura e semanalmente na seca. Lembrar que se a haste for de cobre, o fio de ligação deve ser de cobre e se for zinco, fio de zinco. A distância entre hastes é de 3 metros. Quando o raio de distância do aparelho ultrapassar 1 Km, devem ser construídos aterramentos secundários no fio negativo usando uma ou duas hastes em cada aterramento.

b) Proteção contra raios:

É outro fator muito importante. Deve ficar a uma distância de 20 metros do aterramento do aparelho. É feito no fio eletrificado, sendo que ele é interrompido com um isolador tipo castanha e interligado com uma mola própria (resistência). Próximo à mola deve ser colocado o centelhador e este ligado ao fio eletrificado e ao aterramento contra raios. Este aterramento deve ter sempre uma haste a mais que o aterramento do seu respectivo aparelho. Em projetos muito longos, podem ser feitos outras proteções secundárias.

c) Número e altura de fios:

As cercas devem no mínimo ter dois fios (dois fios positivos ou um positivo e outro negativo), sendo que o fio de cima a uma altura 100-110 cm (positivo) e o fio de baixo (negativo) com 50-60 cm. Nas áreas de sequeiro onde há má distribuição de chuvas, também em projetos mais distantes (acima de 5 km de raio) e solos mais arenosos; há a necessidade de que o fio de baixo seja sem choque (negativo). Nas áreas irrigadas, como o uso será intensivo, a cerca pode ser com os dois fios positivos (devido ao solo úmido). Esta cerca é mais segura. O fio negativo deve acompanhar toda a cerca e em todas as passagens subterrâneas até que chegue ao aterramento principal do aparelho. No aterramento, este fio deve ser ligado à haste mais distante do aparelho. O arame deve ser próprio para cerca elétrica (tripla camada de galvanização), mas o arame ovalado pode ser usado (é mais caro e tem vida útil menor).

d) Dimensionamento do Aparelho:

A recomendação do aparelho é que este tenha a potência de 1 Joule para 5 km de fio eletrificado (metade da distância recomendada pelos fabricantes), visando suprir possíveis perdas..

e) Uso de Fio Subterrâneo:

Nas passagens de porteiras e estradas é mais indicado o uso de fio subterrâneo com dupla camada de revestimento, ao contrário do fio aéreo ou de arames revestidos por mangueiras. Nestas passagens deve passar também o fio negativo (arame sem capa).

f) Uso de Catracas Isoladas:

Nos casos de linhas de cercas mais longas (acima de 100 m) é indicado o uso de catracas isoladas para manter a boa tensão dos fios positivos (fácil manutenção). No caso das cercas de pivô onde os lances são curtos (50 metros) não há esta necessidade.

g) Madeira:

Nas linhas longas há a necessidade do uso de esticadores nos cantos, com diâmetro acima de 10 cm. Nos lances curtos de pivô e nas estacas de meio pode ser usada madeira com diâmetro de 6-8 cm. A distancia entre estacas pode ser até de trinta metros (média de 20 m) No caso dos lances do pivô serão usadas 3 estacas por lance.

h) Isoladores:

Os isoladores devem ser de bom isolamento e com proteção para raios UV. Os melhores são do tipo W ou anel, mas a mangueira própria também pode ser usada. Nos isoladores de canto é usado o tipo castanha.

i) Porteiras:

É sugerido o uso de porteiras com molas de maior elasticidade (igual à do pàra – raio), com manopla isolante própria e o mesmo número e altura de fios existentes na cerca. Nestas porteiras elétricas, a largura deve ser de 6-8 metros. Também nos corredores (quando houver), a largura deve ser de 8 metros.

j) Área de Lazer:

O mínimo de área por animal deve ser de 10 m2, onde houver mais espaço a área poderá ser de 20 m2 / animal. A sombra é muito importante e a sua projeção deve ter, no mínimo, 4 m2 por animal.

k) Aceiros:

Com relação aos aceiros, os aparelhos quando bem dimensionados, suportam algumas perdas com o encosto do capim. Isto deve ser monitorado com o voltímetro e quando estiver sendo limitante, deve ser feito o aceiro químico (dessecante). Normalmente é feito no início do verão nas áreas de sequeiro e outra segunda vez (se necessário) nas áreas irrigadas.

l) Ligações:

As ligações feitas nas passagens subterrâneas, nos cantos de cercas e nas emendas devem ser de boa qualidade e com grampo conector próprio. No caso de desligar as cercas que não estão sendo usadas, ela deve ser feita com chave própria (chave faca). Para que não se gaste muitas chaves e para diminuir a administração, esta chave pode ser usada de maneira setorizada.

m) Linha-Mestra:

Em projetos com raio muito grande (acima de 5 km), é necessário o uso de uma linha-mestra que leve energia para a cerca nas áreas mais distantes. Esta linha deve conter mais fios eletrificados (3 ou 4) e interligados entre si.

A não observação destes detalhes pode colocar este excelente recurso em descrédito.

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