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broca no café

Não deixe a broca “perfurar” seus lucros

Não se engane!

Ele é um pequeno besouro, mas que pode causar grandes estragos na lavoura!

Uma infestação por essa praga pode depreciar o tipo do café, causando defeitos nos grãos, jogando a qualidade lá embaixo e, com ela, o preço da saca e a sua lucratividade!

Conheça mais sobre ela e veja as principais dicas de manejo.

Agente etiológico

A broca do café Hypothenemus hampei é a segunda praga mais importante em cafeeiro Arábica no Brasil, pertencente à ordem Coleoptera, o adulto da broca do café é um besouro de coloração preta (Figura 1), pertencente à ordem coleoptera.

Os machos dessa espécie são menores que as fêmeas, com cerca de 1,18 mm de comprimento, e não voam. Já as fêmeas dessa espécie, são maiores (1,65 mm) que os machos e voam, possibilitando assim que elas voem em direção aos frutos.

broca do café

Figura 1. Adulto da broca do café (Foto: Daniel Veiga)

Ciclo de vida 

O ciclo dessa espécie dura em torno de 17 a 46 dias de acordo com as condições climáticas, visto que em temperaturas mais altas acarreta em encurtamento do ciclo dessa praga. A fêmea fecundada perfura o fruto de café, faz uma galeria no seu interior e coloca seus ovos, de coloração branco leitosa. Após a eclosão dos ovos, que dão origem às larvas, elas se alimentam das sementes, causando danos às mesmas.

broca do café

Figura 2. Ciclo de vida da broca do cafeeiro (Fonte: Rehagro).

broca do café

Figura 3. Arquivo Rehagro.

Danos causados 

Os danos causados pela incidência de broca no cafeeiro vão de queda prematura dos frutos, redução do peso dos grãos de café dependendo da infestação e depreciação do tipo do café devido ao aumento de grãos brocados. Na classificação física, de 2 a 5 grãos brocados é considerado um defeito.  Além disso, os orifícios nos grãos causados pelas larvas da broca podem servir como porta de entrada para patógenos, podendo assim ocorrer fermentações indesejáveis, que comprometem a qualidade da bebida.

broca do café

Figura 4. Infestação da broca do café (Foto: Daniel Veiga).

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Figura 5. Larvas da broca se alimentando de grão de café e grãos brocados (Foto: Larissa Cocato).

Condições favoráveis

A broca do café sobrevive no campo de uma safra para outra nos frutos remanescentes da colheita estejam eles na planta ou no chão, por isso, uma colheita mal feita, lavouras abandonadas próximas e um período úmido na entressafra são condições que favorecem a sobrevivência dessa praga.

Monitoramento

O monitoramento é prática importante de ser realizada devido à dificuldade de controle dessa praga no período em que as larvas se encontram dentro dos frutos se alimentando das sementes. Dessa forma, o monitoramento no período de trânsito, a fim de verificar a infestação da praga é uma ótima alternativa para tomada de decisão.

Figura 6. Infestação da broca do café. (Foto: Luiz Paulo Vilela).

Como realizar o monitoramento?

Deve-se atentar ao monitoramento cerca de 60 dias após a maior florada, dessa forma, é importante estar atento à época das floradas para contabilizar o período de trânsito. A amostragem, deve ser realizada com o maior número de frutos possíveis, para que fique bem representativo, com cerca de 200 a 500 frutos, salientando a importância de se dividir as lavouras em talhões homogêneos.  Em relação ao nível de controle, na literatura é em torno de 3 a 5%, entretanto, na prática já se tem entrado com o controle com 1% de infestação, devido a rapidez com que essa de desenvolve e causa prejuízos ao produtor.

Figura 7. Fruto perfurado pela broca do café (Fonte: Luiz Paulo)

Controle cultural, biológico e químico

Após a proibição do Endosulfan, que era um inseticida barato com alta eficiência de controle porém muito tóxico, o controle dessa praga tornou-se um desafio para os produtores, entretanto, foram lançados muitos produtos registrados para a cultura. Apesar disso, o controle dessa praga ainda se apresenta muito dispendioso, dessa forma, além de um bom monitoramento para a tomada de decisões mais acertadas, é indispensável a realização de um manejo fitossanitário, que envolve a combinação de mais de um método visando o controle dessa praga.

Dentre os métodos de controle, podemos citar o controle cultural, biológico e químico. No controle cultural destaca-se uma colheita bem feita visando retirar os frutos remanescentes da planta ou do solo torna-se uma prática aliada para diminuir a fonte de alimento desses insetos. No controle biológico, utiliza-se o fungo Beauveria bassiana, que atua colonizando a broca do café (Figura 8), acarretando em sua morte.

Figura 8. Broca do café sendo colonizada pela Beauveria (Fonte: Daniel Veiga)

Para o controle químico, podemos citar alguns ingredientes ativos presentes nos produtos: Ciantraniliprole, Clorpirifós, Clorantraniliprole, Abamectina e Espinosade. Devendo-se sempre ter o cuidado com as doses utilizadas, as misturas de ingredientes ativos, ou mesmo a não rotação deles, que podem causar desequilíbrio de outras pragas, devido à morte de inimigos naturais.

E lembre-se! 

O monitoramento e o manejo adequado são a chave para evitar prejuízos causados pelas pragas e pelas principais doenças que afetam o cafeeiro.

Para saber mais detalhes sobre o controle de pragas, clique aqui.

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