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alimentação de bovinos de corte

5 dicas básicas da alimentação e manejo nutricional de gado de corte

5 dicas básicas da alimentação e manejo nutricional de gado de corte
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Produtividade entra pela boca. Este é um ditado popular que se adequa perfeitamente quando o assunto é produção de proteína animal de qualidade. Na pecuária de corte, existe um tripé que sustenta e confere dinamismo quando se fala em produção de bovinos, que consiste em genética, sanidade e nutrição. Para se obter boa eficiência produtiva é importante que o manejo nutricional de bovinos de corte seja fundamentado em conhecimentos técnicos e aprofundado sobre nutrição animal. Isto permite que sejam adotadas estratégias para melhorar a eficiência alimentar dos animais e também a eficiência econômica do sistema.

Alimentação e manejo nutricional de gado de corte pode ser considerado um assunto complexo, pois são diferentes variáveis que podem influenciar no sucesso deste manejo. Pensando em pecuária de corte brasileira, o dinamismo na atividade é ainda maior,  em função de quantidade de raças de animais utilizadas, condições climáticas e ambientais que mudam de região para região, variedade da composição nutricional da dieta utilizada para os animais nos diferentes sistemas, diversidade de forrageiras disponíveis, entre outras variações observadas entre os sistemas e que podem impactar sobre o resultado obtido com o manejo nutricional adotado.

Embora todas estas variações citadas, existem alguns princípios que devem ser levados em consideração para se fazer um bom manejo nutricional de bovinos de corte, Independente das variáveis como raça, condições climáticas e espécies forrageiras disponíveis.

1. Definição do objetivo do sistema de acordo com a categoria animal

O manejo nutricional adotado no sistema deve estar alinhado com os objetivos almejados para cada categoria. Os requerimentos nutricionais dos animais quanto aos nutrientes como proteína, energia, minerais e vitaminas variam conforme a categoria animal e também quanto ao desempenho produtivo almejado.

Os bezerros, por exemplo, estão em uma fase onde o tipo de ganho é predominantemente o desenvolvimento dos tecidos musculares, necessitando de uma dieta com níveis de proteína superiores as dietas dos animais mais erados, que por sua vez precisam de uma dieta mais energética, por estarem realizando outro tipo de ganho.

Isto implica em planejar uma alimentação com os níveis adequados de nutrientes para garantir a efetividade do bom desempenho dos animais, sem contudo, perder eficiência econômica, seja pela falta de fornecimento de nutrientes, o que impossibilita o ganho de peso desejado, ou pelo excesso de nutrientes na alimentação, provocando aumento no custo de produção e desperdício de dinheiro.

2. Planejamento nutricional com estimativas da necessidade e disponibilidade de MS para alimentação dos animais durante determinado ciclo produtivo

Quando se fala em bovinos mantidos a pasto, a qualidade da forragem está entre os principais fatores que influenciam a produtividade animal. As plantas forrageiras são responsáveis por fornecerem energia, proteína, minerais e vitaminas aos animais em pastejo com um baixo custo alimentar.

Contudo, estas estão sujeitas à estacionalidade de produção, apresentando boa qualidade e produtividade durante o período das chuvas, mas com perdas quantitativas e qualitativas durante os períodos secos do ano. Quando os bovinos não tem disponibilidade de pastagens com níveis mínimos de fibra e nutrientes, o desempenho produtivo destes animais é comprometido. Neste cenário, a probabilidade de que ao final do ciclo produtivo os animais não tenham apresentado o desempenho satisfatório é alta, o que provoca impacto negativo sobre a rentabilidade do sistema.

Para que isso não aconteça, é fundamental o planejamento nutricional antes do início do ciclo produtivo, para garantir que os níveis mínimos de fibra e nutrientes alimentares sejam oferecidos aos animais durante o período estabelecido. Desta forma, permite-se que os animais possam apresentar o desempenho satisfatório para que os objetivos produtivos e econômicos do sistema sejam alcançados.

Em um bom manejo nutricional, busca-se em geral maximizar a produção biológica e/ou econômica para determinado cenário socioeconômico, minimizar custos produtivos e garantir a sustentabilidade do sistema.

3. Suplementação alimentar

Em função da estacionalidade produtiva das pastagens, estratégias alimentares que ajudem a sanar este problema devem ser adotadas, entre elas está a suplementação.

Bons resultados produtivos podem ser obtidos com a utilização da suplementação quando esta é realizada com um bom planejamento e apresenta coerência com a categoria animal e  com o ganho desejado. Contudo, é preciso estar atento pois este cenário pode mudar em função de alguns fatores, dentre eles estão, disponibilidade e qualidade de forragem, categoria animal e  mercado (para compra de insumos, animais e valor pago pela @ vendida do animal) e o custo desta suplementação.

Critérios que devem ser observados para suplementar:

  • objetivo produtivo,
  • raça e categoria animal,
  • disponibilidade e qualidade de pastagens,
  • quantidade e valor nutricional do suplemento,
  • tempo de suplementação,
  • preço pago pela arroba,
  • custo x benefício do suplemento. Além de recursos físicos como cochos e disponibilidade de mão de obra capacitada.

É importante ressaltar que independente do tipo e nível de suplementação adotado, o objetivo desta estratégia deve ser sempre garantir a utilização eficaz da forragem e seus nutrientes pelos animais, potencializando o desempenho produtivo. Pois ao se analisar o fator custo alimentar, os nutrientes obtidos através das forrageiras é consideravelmente inferior ao da suplementação.

4. Fazer contas

Outro fator importante para se estabelecer o manejo nutricional dos animais, é a realização de uma análise sobre a viabilidade econômica. Pois não adianta fornecer alimentação diferenciada aos animais, garantindo bom desempenho, mas se esta não apresentar custo benefício favorável ao sistema. Em outras palavras, a produtividade animal tem que pagar o investimento realizado com a suplementação.

Por exemplo, em um sistema de cria onde a disponibilidade de forragens não atende aos requerimentos nutricionais das vacas em determinado período do ano, estas precisarão ser suplementadas.  Contudo, antes de qualquer decisão, deve-se realizar a análise da viabilidade econômica e o custo benefício da adoção desta estratégia. Isto pode ser realizado de diferentes maneiras, dentre elas, uma análise onde são levados em conta parâmetros como custo do suplemento, o tempo de suplementação e as taxas de desmame conseguidas (kg de bezerro desmamado/vaca/ano). Somente através desta análise e planejamento é que será possível garantir que o sistema apresente índices produtivos adequados com rentabilidade satisfatória.

5. Monitoramento

Sabe-se que produzir, entender, monitorar e controlar dados em uma empresa é fundamental para o sucesso do negócio. Na bovinocultura de corte isto não é diferente, principalmente quando se observa as margens de lucro cada vez mais reduzidas como tem sido nesta atividade.

Sendo assim, após um bom planejamento nutricional com a realização de estudos e análises que demonstram viabilidade da estratégia, é fundamental o monitoramento desta ao longo de sua execução. Isto permitirá que durante a execução deste manejo, caso aconteça algum desvio como, por exemplo, desempenho produtivo insatisfatório, seja possível avaliar a causa do problema e também uma intervenção que o sane e possibilite que se tenha sucesso no final do ciclo produtivo.