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Manejo do Bicho mineiro (Leucoptera coffeella)

Bicho mineiro (Leucoptera coffeella) é uma pequena mariposa, de coloração branco prateada. Esse inseto apresenta metamorfose completa, ou seja, passa pelas fases, ovo, lagarta, crisálida e adulto, como mostra as fotos abaixo (Figura1, 2, 3). A fase que causa dano ao cafeeiro é a lagarta.

Bicho mineiro

Figura1. Mina de bicho mineiro em folha de café com lagarta. (Foto: Larissa Cocato).

Bicho mineiro

Figura 2. Crisálida de bicho-mineiro. (Foto: Luiz Paulo Vilela de Oliveira)

Bicho mineiro

Figura 3. Adulto de bicho mineiro (Leucoptera coffeella) em folha de café. (Foto: Luiz Paulo Vilela de Oliveira).

Ciclo

Após a eclosão, as lagartas perfuram a cutícula e a epiderme superior da folha, penetrando diretamente no parênquima paliçádico onde permanecem se alimentando de células desse tecido. Quando desenvolvidas, as lagartas abandonam as galerias, tecem um fio de seda e se deslocam preferencialmente para as folhas do terço inferior das plantas. As crisálidas apresentam formato de X.

Bicho mineiro

Figura 4. Lagarta, crisálida e adulto de bicho mineiro (Leucoptera coffeella).

Danos

Essa praga tem grande importância na cultura do café, pois provoca redução da área foliar e queda de folhas, com consequente diminuição da fotossíntese, resultando assim em queda na produção. Geralmente, em condições de ataque intenso, é observado maior desfolha no topo da planta.

Figura 5. Topo de cafeeiro desolhado devido a ataque de Bicho-mineiro (Leucoptera coffeella). (Foto: Luiz Paulo Vilela)

Condições favoráveis

Diversos fatores interferem na incidência da praga, dentre eles, precipitação e umidade relativa influenciam negativamente. Também, a temperatura tem influência na população dessa praga, onde maiores temperaturas a favorecem. A ausência de inimigos naturais, contribuem para sua infestação.

Alguns autores relatam o efeito de fungicidas cúpricos no aumento da incidência de bicho-mineiro, no entanto a explicação da forma de atuação do cobre sobre esse surto da população da praga ainda não é completamente esclarecida.

Figura 6. Intensa desfolha de cafeeiro provocada pela incidência de Bicho-mineiro (Leucoptera coffeella). (Foto: Luiz Paulo Vilela).

Manejo do bicho-mineiro:

É importante estar atento ao controle preventivo dessa praga nas áreas com histórico da sua incidência, no período que antecede a estação seca do ano. Neste ano, como tivemos intensas chuvas nos meses de janeiro e fevereiro o ataque antecipado da praga não ocorreu. Os meses de março e abril seriam os ideais para iniciar o controle preventivo dessa praga, uma vez que, se não for feito, o pico de incidência da praga pode ocorrer durante a colheita, dessa forma, o controle é mais difícil, devido a uma logística mais dificultada em função do excesso de atividades que temos nesse período. E além disso, a praga já pode ter se espalhado demais.

Grupos químicos e ingredientes ativos para controle do bicho mineiro:

Dentre os grupos químicos registrados para o controle dessa praga podemos citar (Tabela 1):

Tabela 1. Grupos químicos para manejo do Bicho-mineiro na cultura do café:

Dessa forma, na tabela acima encontramos alguns grupos químicos e seus respectivos exemplos de ingredientes ativos que podem atuar sobre o bicho mineiro. Vale destacar, que é importante rotacionar os modos de ação dos inseticidas e também utilizar de forma consciente alguns inseticidas que não são seletivos aos inimigos naturais, como por exemplo os organofosforados (clorpirifós), pois seu mau uso pode acarretar em desequilíbrio na população da própria praga ou mesmo de outras pragas, pela morte de seus inimigos naturais. Neste caso, podemos optar por exemplo pela utilização das diamidas, que são inseticidas mais seletivos.

Além desses produtos que contem esses ingredientes ativos, podemos encontrar no mercado produtos com mais de um grupo químico, como neonicotinoide mais piretroide, representados pelos ingredientes ativos Acetamiprido e Bifentrina, e também os grupos químicos, diamida mais avermectina, representados pelos ingredientes ativos clorantraniliprole e abamectina. Como consta na tabela, também podem ser utilizados inseticidas fisiológicos, como o Bacillus thuringiensis.

Referências

 

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