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Manejo de plantas daninhas na cultura do café

As plantas daninhas na cultura do café podem competir por água, luz, nutrientes, trazendo assim, prejuízos ao crescimento e consequentemente a produtividade do cafeeiro. Além disso, a ocorrência de plantas daninhas pode atrapalhar tratos culturais como por exemplo a varrição. Por isso, é necessário realizar um manejo adequado dessas plantas, a fim de evitar interferências com a cultura de interesse.

Plantas daninhas mais comuns nas lavouras

Nas lavouras de café é comum encontrarmos as espécies: Picão preto (Bidens pilosa), trapoeraba (Commelina benghalensis), corda de viola (Ipomoea spp), Caruru (Amaranthus spp), buva (Conyza spp), Capim marmelada (Urochloa plantaginea), tiririca (Cyperus spp), guanxuma (Sida spp.), poaia branca (Richardia brasiliensis), capim amargoso (Digitaria insularis), capim pé de galinha (Eleusine indica), erva quente (Spermacoce latifolia), capim de burro (Cynodon dactylon) e maria pretinha (Solanum americanum). Além de outras espécies que podem ocorrer variando a região.

Figura 1. buva (Conyza spp)

Figura 2. Capim pé de galinha (Eleusine indica).

Figura 3. Capim amargoso (Digitaria insularis).

Quando realizar esse manejo na cultura do café

A intervenção nas plantas daninhas deve ser feita sempre que a mesma estiver de alguma forma prejudicando a cultura comercial, seja ocupando um lugar indesejado, subtraindo luz, água ou nutriente. No caso da cultura do café existem épocas do ano que coincidem com estádios de desenvolvimento onde se deve ter uma maior atenção com o seu manejo, que é na época da expansão e granação dos frutos, onde a demanda da planta de café é maior, dessa forma, deve-se evitar competição de plantas daninhas principalmente nesse período.

Como realizar esse manejo

O manejo deve ser feito através de controle químico, utilizando produtos específicos para cada erva em questão, devidamente registrados para a cultura comercial. Podemos também utilizar do método de controle mecânico, onde existem vários implementos como: roçadora, trincha, roça carpa, rolo faca, etc.

Trincha:

Figura 4. Trincha

Roçadora:

Figura 5. Roçadora

Quais herbicidas utilizar:

A escolha do herbicida e princípio ativo a utilizar deve levar em consideração:

  • – Registro para a cultura comercial;
  • – Especificidade do princípio (se atinge mono ou eudicotiledônea);
  • – Seletividade à cultura comercial;
  • – Modo de ação (contato ou sistêmico);
  • – Condição ambiental do momento da aplicação;
  • – Dose em relação ao estádio de crescimento e desenvolvimento da cultura comercial e da planta daninha.

Princípios ativos mais utilizados: 

  • Lavouras novas:

Para eudicotiledôneas (folha larga): chlorimuron ethyl, flumioxazin, ammonium-glufosinate, oxyfluorfen, glyphosate.

Para monocotiledôneas (folha estreita): clethodim, fluazifop-p-butyl, glyphsate, oxyfluorfen.

  • Lavouras adultas:

Para eudicotiledôneas (folha larga): diurom, chlorimuron ethyl, metsulfuron – methyl, flumioxazin, ammonium-glufosinate, oxyfluorfen, indaziflam, sulfentrazone, carfentrazone – ethyl, saflufenacil, glyphosate, paraquat.

Para monocotiledôneas (folha estreita): glyphosate, oxyfluorfen, indaziflam, sulfentrazone, clethodim, diuron, paraquat.

Manejo de Plantas daninhas em cafeeiro novo

O manejo em plantio deve ser feito com bastante critério, pois a muda e planta jovem são menos tolerantes que uma planta adulta. Assim, a escolha do herbicida deve ser feita buscando a menor ou nenhuma intoxicação das mesmas. Com o número reduzido de produtos comerciais e princípios ativos registrados para a cultura do café, entende-se que o ideal é manejar o mato quando estiver em seu estádio inicial, para que o controle seja mais efetivo.

O controle mecânico em cafeeiros jovens pode e deve ser realizado com o intuito não apenas de controle das plantas daninhas, mas também aproveitando a operação para a chamada “chegada de terra”, onde a planta recebe uma proteção e uma nutrição complementar com a adição de terra em seu tronco. Essa operação pode ser realizada utilizando a gradagem, capinadeira lateral, lâminas dianteiras ou traseiras, etc.

Manejo de plantas

Figura 6. “Chegada de terra” em cafeeiro novo.

Manejo de Plantas daninhas em cafeeiro adulto

O manejo em cafeeiros adultos assim como em plantas jovens ocorre com produtos químicos e controle mecânico.

Em relação aos produtos químicos os cafeeiros adultos já são mais tolerantes que os jovens, mas sendo mesmo assim desejável que se evite intoxicação, portanto a escolha dos produtos deve ser muito criteriosa, pois caso contrário pode causar deságio à parte vegetativa e também produtiva.

Hoje, uma alternativa que vem sendo largamente utilizada pelos produtores tanto em lavouras jovens quanto em plantios é o uso de alguma planta vigorosa e de fácil controle na entrelinha do cafeeiro para que a mesma domine as plantas daninhas de mais difícil controle. Como exemplo temos o uso de leguminosas e poáceas (capins, braquiárias, milheto, entre outras).

Manejo de plantas

Figura 7. Braquiária na entrelinha do cafeeiro.

Manejo de plantas

Figura 8. Braquiária roçada na entrelinha do cafeeiro.

Referências

  • LORENZI, H., NICOLAI, M., BIANCHI, M. A., INOUE, M. H., CORREIA, N. M., CHRISTOFFOLETI, P. J., … & GUIMARÃES, S. C. Manual de identificação e controle de plantas daninhas. 2014.

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