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Manejo de plantas daninhas em cafeeiros

Plantas daninhas em cafeeiros: Como fazer o manejo?

Plantas daninhas em cafeeiros: Como fazer o manejo?
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Plantas daninhas em cafeeiros, como fazer o manejo? Planta daninha é qualquer ser vegetal que cresce onde não é desejada. Nesse sentido, essas plantas podem competir por recursos básicos ao desenvolvimento da cultura, como água, luz, nutrientes e o espaço para o crescimento. Indiretamente, elas também podem prejudicar as plantas cultivadas, por meio da exsudação de substancias alopáticas (tóxicas) ou por serem hospedeiras de pragas e doenças.

        Na cultura do café é comum encontrar as plantas daninhas: Caruru (Amaranthus spp), buva (Conyza spp), picão preto (Bidens pilosa), Capim marmelada (Urochloa plantaginea), trapoeraba (Commelina benghalensis), tiririca (Cyperus spp), guanxuma (Sida spp.), poaia branca (Richardia brasiliensis), capim amargoso (Digitaria insularis), capim pé de galinha (Eleusine indica), corda de viola (Ipomoea spp), erva quente (Spermacoce latifolia), capim de burro (Cynodon dactylon) e maria pretinha (Solanum americanum).

       Recentemente um sério problema que é agravante no manejo de plantas daninhas, são as plantas daninhas resistentes aos principais herbicidas utilizados. Nesse sentido, das plantas anteriormente citadas, o capim amargoso e buva se destacam com resistência pronunciada a diversos herbicidas utilizados na cafeicultura, dificultando assim seu manejo. Aliado a isto, as espécies do gênero Ipomoea e a espécie Commelina benghalensis possuem grande tolerância ao herbicida glifosato, que um dos herbicidas mais utilizados na cafeicultura.

Diversos trabalhos relacionam perdas no crescimento do cafeeiro quando em competição com plantas daninhas. Neste sentido, Ronchi et al. (2003) verificaram interferência severa no conteúdo relativo de macro e micronutrientes na parte aérea de plantas de café quando em competição com B. pilosa. Também, plantas de café que conviveram com o Capim marmelada (U. plantaginea) tiveram suas características de crescimento reduzidas, como altura, índice de área foliar e diâmetro do coleto, principalmente em maiores densidades desta planta (FIALHO et al., 2011). Dessa forma, a interferência das plantas daninhas resulta em diminuição do teor de nutrientes nas folhas, menor crescimento e consequentemente, menor produção do cafeeiro (RONCHI et al., 2003; FIALHO et al., 2011; DIAS, ALVES & LEMES, 2009).

            Portanto, é necessário que se realize o manejo dessas plantas invasoras, a fim de que as mesmas não exerçam competição com a cultura. Para tal, existem diversos métodos de controle, dentre eles: o manejo preventivo, o controle cultural, o controle mecânico, o controle físico, o controle biológico e o controle químico.

Manejo preventivo

O manejo preventivo de plantas daninhas consiste no uso de práticas que visam evitar a introdução, estabelecimento e/ou a disseminação de determinadas espécies em áreas ainda não infestadas por elas. Neste sentido, práticas como a limpeza de máquinas e implementos que serão utilizados na área, são medidas essenciais para evitar a disseminação das mesmas.

Controle cultural

            O controle cultural consiste no uso de práticas que favoreçam o desenvolvimento da cultura em detrimento da planta daninha. Como exemplo, tem-se a utilização do capim braquiária na entrelinha do cafeeiro, visto que, além de suprimir o crescimento de outras plantas daninhas na rua do cafeeiro, também reduzem o risco de erosão do solo, aumentam o teor de matéria orgânica do mesmo, reduzem a amplitude térmica do solo, e, em lavouras novas podem ser utilizados como quebra ventos.

As espécies de capim braquiária mais indicadas para o plantio em consórcio nas entrelinhas do cafeeiro são: Urochloa decumbens e Urochloa ruziziensis. A espécie Urochloa brizantha (braquiarão) não é muito indicada devido seu crescimento entouceirado não cobrir totalmente o terreno e dificultar o manejo de varrição. Esse manejo com o capim braquiária, acarreta em redução do uso de herbicidas, isso porque o controle químico será realizado apenas na linha de plantio (projeção da “saia” do cafeeiro), e o capim braquiária na entrelinha do cafeeiro será manejo por meio de roçadas (controle mecânico). Preconiza-se a roçada antecedendo o florescimento desta gramínea, visando a manutenção do banco de sementes do solo e também para que não ocorra a germinação de sementes próximas ao cafeeiro.


Braquiária na entrelinha do cafeeiro (controle cultural) (Foto: Diego Baquião).

Controle mecânico

                    O controle mecânico consiste no uso de práticas de eliminação de plantas por meio do efeito mecânico. Como exemplo, tem-se a capina manual, as roçadas, sejam elas manuais ou mecanizadas. Aliado a isto, tem-se como forma mecânica de se manejar plantas daninhas o uso de grades e arados.

Controle físico

            O Controle físico de plantas daninhas em cafeeiros consiste no uso de técnicas que impliquem no impedimento físico ao crescimento/germinação das plantas daninhas. Práticas como a utilização de restos vegetais ou coberturas não vivas no solo são recorrentemente utilizadas em cultivos cafeeiros. Como exemplo de controle físico, tem-se a utilização de cobertura morta, com restos vegetais do Capim braquiária (palhada) ou mesmo a utilização de casca de café em cobertura. Salienta-se que, os restos culturais de qualquer planta de cobertura consorciada na entrelinha do cafeeiro, quando manejadas corretamente, podem servir como medida física de controle. Além disso, o filme de polietileno também é considerado um controle físico, conhecida como Mulching, que já é amplamente utilizada na horticultura, e tem sido empregado em algumas áreas no cultivo do café. Trabalhos como os de Castanheira (2018) e Voltolini (2019) relatam das vantagens desta tecnologia para a otimização do manejo das plantas daninhas e também dos recursos essenciais ao desenvolvimento do cafeeiro, como água e nutrientes.


Cobertura morta (Foto: Diego Baquião).


Filme plástico de polietileno – Mulching. (Foto: Do autor).

Controle biológico

            Esta forma de controle se dá com a utilização de agentes biológicos para erradicar plantas indesejadas, no entanto, a aplicabilidade deste método ainda é um entrave. Neste sentido, também a alelopatia é considerada uma forma de controle biológico, que consiste na inibição química exercida devido a liberação de compostos de uma planta, esteja ela viva ou morta, sobre a germinação ou desenvolvimento de outras plantas. A integração com animais também pode ser alternativa para o controle das plantas daninhas por meio do pastoreio.

Controle químico

            O controle químico se dá por meio da utilização de herbicidas, visando o controle das plantas daninhas. Esse método é amplamente utilizado, devido a sua eficácia, custo reduzido, facilidade de aquisição dos produtos e também por existirem moléculas seletivas ao cafeeiro.

            Existem diversos mecanismos de ação dos herbicidas, dentre eles: inibidores de ACCase, inibidores de ALS, inibidores de EPSPs, mimetizadores de auxina, inibidores do FS I, inibidores do FS II, inibidores da PROTOX, inibidores da biossíntese de carotenoides, inibidores do arranjo de microtúbulos e inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeia muito longa, que devem ser utilizados de acordo com as plantas daninhas presentes na área. Em cafeeiros, a maior utilização se dá com os inibidores de EPSPs, com o uso do Glyphosate. Outra alternativa são os inibidores da ACCase, que atuam exercendo controle sobre as plantas daninhas monocotiledôneas e são seletivas ao cafeeiro. Outro mecanismo de ação que apresenta moderada seletividade às plantas de cafeeiro são os inibidores da ALS, que também são eficientes no controle das plantas daninhas (eudicotiledôneas).

Manejo integrado

Para o manejo de plantas daninhas em cafeeiros é importante que se faça o manejo integrado, que contempla a combinação dos métodos citados anteriormente, capazes de manter o cafeeiro livre de competição, e além disso, reduzir o impacto ambiental negativo.

         Um exemplo de sucesso no manejo integrado de plantas daninhas em cafeeiros é a consorciação com o capim braquiária, que é uma medida de controle cultural. Contudo, por meio da roçada (manejo mecânico), os restos culturais são depositados nas linhas de café, exercendo controle físico sobre a germinação das plantas daninhas. Aliado a isto, o manejo correto é preconizado com a utilização de herbicidas para fazer a “trilhação” da lavoura, ou seja, manter a linha “no limpo”. Alguns trabalhos relatam da ocorrência de exsudação de composto das raízes do capim braquiária que atuam inibindo o crescimento de algumas plantas daninhas.

            Portanto, para o sucesso no manejo das plantas daninhas em cafeeiros é essencial a adoção destas medidas de controle e principalmente a tomada de decisões de escolha por estratégias de sucesso como o uso de capim braquiária nas entrelinhas do cafeeiro.

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Referências:

CASTANHEIRA, D. T. Técnicas agronômicas para mitigação dos efeitos da restrição hídrica no cafeeiro. 126 p. Tese. (Tese em Fitotecnia) – Universidade Federal de Lavras. 2018.

DIAS, T. C. D. S., ALVES, P. L. D. C. A., & LEMES, L. N. Faixas de controle de plantas daninhas e seus reflexos na produção do cafeeiro. Científica, v. 36, n. 1, p. 81-85, 2009.

FIALHO, C. M. T., FRANÇA, A. C., TIRONI, S. P., RONCHI, C. P., & SILVA, A. A. D. Interferência de plantas daninhas sobre o crescimento inicial de Coffea arabica. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 29, n. 1, p. 137-147, 2011.

LORENZI, Harri et al. Manual de identificação e controle de plantas daninhas. 2014.

RONCHI, C. P., TERRA, A. A., SILVA, A. A., & FERREIRA, L. R. Acúmulo de nutrientes pelo cafeeiro sob interferência de plantas daninhas. Planta Daninha, Viçosa-MG, v.21, n.2, p.219-227, 2003.

VOLTOLINI, G. V. Produtividade, qualidade e custo de produção de cafeeiros em função de diferentes técnicas agronômicas. 89 p. Dissertação. (Mestrado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Lavras. Lavras, 2019.

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