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manejo da cultura do cafeeiro

Manejo da cultura do cafeeiro: principais aspectos

Você conhece os principais aspectos do manejo da cultura do cafeeiro? Separamos os principais pontos de atenção para você se programar e alcançar excelentes resultados.

Correção do solo e adubação 

A calagem é prática que deve ser realizada com o intuito de corrigir a acidez do solo, isso porque a acidez do solo é um dos fatores que podem limitar a produtividade do cafeeiro. Essa acidez pode ser causada por vários fatores, dentre eles: material de origem do solo, decomposição da matéria orgânica, fertilizantes amoniacais, remoção de bases pelas culturas e absorção iônica pelas plantas com consequente exudação de H+ (provocada pela absorção de cátions). Dessa forma, a correção da acidez do solo torna-se importante para proporcionar aumento da disponibilidade de nutrientes. Além disso, o calcário fornece cálcio (Ca) e magnésio (Mg).

Uma característica importante ao ser analisada para a escolha do calcário, é o teor de magnésio, visto que existem diferentes teores de magnésio nos calcários, nesse sentido, é importante que se conheça o teor de magnésio nos solos, para que se tome a decisão do melhor calcário a ser utilizado em cada situação. Em solos com teor de Mg muito baixo ou baixo, deve-se optar por calcários mais ricos em magnésio, devido ao alto custo desse fertilizante em relação a sua aplicação pelo calcário. Salientando a importância do magnésio como componente da clorofila, além de outras funções desempenhadas por ele. 

manejo da cultura do cafeeiro
Lavoura de café adulta com braquiária na entrelinha (Foto: Diego Baquião)

Para a adubação de lavouras em produção os nutrientes nitrogênio e potássio, que são demandados em maiores quantidades, devem ser parcelados em 3 ou 4 vezes. Para a adubação nitrogenada deve-se considerar 2,6 Kg de N por saca de café na carga pendente + 3,6 kg de N por saca para a safra futura. Para a adubação com potássio considerar 3 kg de K por saca para produção + 2,9 kg de K por saca para vegetação. Trabalha-se com cerca de 0,3 a 0,35 cmolc/dm3 de potássio. Para o fósforo, considerando o extrator Mehlich, trabalha-se com um mínimo de 15 mg/dm3, e um ideal de 25 mg/dm3.

É importante estar atento ao equilíbrio dos nutrientes cálcio, magnésio e potássio (Ca: Mg: K), sendo de 9:3:1 ou 25:5:1, o que muitas vezes não têm sido atingido devido ao uso exagerado da adubação potássica associada ao fornecimento deficiente de magnésio. 

O gesso agrícola é um subproduto da indústria de ácido fosfórico amplamente utilizado na agricultura, com o intuito de condicionar o solo de subsuperfície. O gesso fornece cálcio e enxofre e diminui a atividade do alumínio, devido a formação de espécies menos tóxicas de Al. O Alumínio é um elemento tóxico às plantas, que pode acarretar em engrossamento e encurtamento das raízes, inibindo assim seu crescimento. Esse condicionador de solo pode ser aplicado no plantio, e também no pós-plantio com muitos benefícios devido a melhoria do ambiente radicular.

Manejo da cultura do cafeeiro: Pragas

O bicho mineiro (Leucoptera coffeella) é uma das principais pragas do cafeeiro no Brasil, isso porque em situações de perda de controle dessa praga, acarreta em uma alta desfolha do cafeeiro, refletindo assim em grande perda de produtividade. Essa praga recebe esse nome por causar lesões e deixar um vazio entre as duas epidermes, as populares “minas”. O bicho mineiro é favorecido por períodos de seca e estiagem prolongada.

A broca do café (hypothenemus hampei) é a segunda praga mais importante em cafeeiro arábica no Brasil. Os danos são causados pelas larvas que se alimentam dos grãos de café, acarretando depreciação do tipo do café e perda de peso. Além disso, esses orifícios causados pela broca podem servir de porta de entrada para patógenos, podendo causar fermentações indesejáveis afetando a qualidade do café. Os frutos remanescentes de safras anteriores, servem de alimento para a broca, aumentando assim sua incidência e problemas na safra seguinte.

Por isso, devido aos danos causados por essas pragas é necessário se realizar um monitoramento de pragas a fim de auxiliar na tomada de decisão para o controle.

Doenças e o manejo da cultura do cafeeiro

A ferrugem do cafeeiro, cujo agente causal é o fungo Hemileia vastatrix é considerada a doença mais importante na cafeicultura, uma vez que pode causar uma intensa desfolha precoce no cafeeiro, afetando assim a safra atual e até mesmo a safra seguinte. Condições de alta umidade, ambientes sombreados, lavoura adensada e alta carga pendente favorecem a doença.

Mancha de olho pardo ou Cercosporiose é uma doença causada pelo fungo Cercospora coffeicola BerK. & Cooke, fungo necrotrófico, que invade as células e as matam, nutrindo-se das mesmas. Essa doença pode atacar desde mudas no viveiro causando intensa desfolha, afetando o crescimento e desenvolvimento das plantas, ou mesmo lavouras adultas, acarretando em queda de folhas. Além disso, essa doença também apresenta sintomas nos frutos, com pequenas manchas necróticas e deprimidas. Essa doença é favorecida por desequilíbrio nutricional (principalmente K e Ca), alta umidade relativa e maior insolação também favorecem a doença. 

Dessa forma, o manejo preventivo de doenças torna-se indispensável para evitar perdas na produtividade do cafeeiro, podendo ser utilizados Hidróxido de cobre e Oxicloreto de Cobre. 

Outras doenças também podem acometer o cafeeiro, como a mancha-de-phoma causada pelo agente etiológico Phoma tarda, ou também Mancha Aureolada, causada pela bactéria Pseudomonas Syringae.

Manejo da cultura do cafeeiro: planta daninhas

As plantas daninhas podem competir por água, luz e nutrientes na cultura do café, por isso, seu manejo torna-se muito importante, para evitar interferências na produtividade da cultura. Nesse sentido, o manejo com a utilização da braquiária na entrelinha do cafeeiro torna-se uma ótima ferramenta para manejar as plantas invasoras, isso porque, a braquiária na entrelinha do café atua na supressão de plantas daninhas, além dos diversos benefícios proporcionados por esse consórcio, nos aspectos físicos, químicos e biológicos.

É importante que se mantenha uma distância de 1 m de cada lado da linha do cafeeiro, a fim de não haver competição. Antes do florescimento essa braquiária é roçada, e sua biomassa é colocada na projeção da saia do café, atuando assim na proteção do solo e retenção de umidade. 

Dentre as espécies mais utilizadas são: Urochloa decumbens e Urochloa ruziziensis, podendo ser implantadas antes mesmo do plantio do café, dessa forma, a braquiária atua também como quebra vento de lavouras novas.

Poda do cafeeiro

Conhecer o tipo de poda recomendado ao cafeeiro de acordo com as condições da lavoura é aspecto importante, e, além disso, a época em que a poda será realizada grande influência dos resultados das lavouras. 

Dentre as podas, temos a recepa, o esqueletamento e o decote, a primeira é mais drástica e recomendada normalmente para lavouras que perderam a saia (ramos inferiores) ou para cafeeiros muito depauperados, mas que ainda apresentam um bom stand de plantas e bom alinhamento da lavoura. O esqueletamento é recomendado para lavouras que estão adensadas, mas que ainda possuem saia, já a poda do tipo decote é recomendado para plantas que ainda possuem saia (ramos inferiores) e não estão adensadas, essa última poda também pode ser usada para reduzir a altura de plantas para tratos culturais ou mesmo estimular brotações.

Em relação à época de realização da poda, deve ser feita o quanto antes possível logo após a colheita para que a planta tenha mais tempo de se recuperar e, dessa forma, não comprometer os resultados de produção das safras seguintes. Os estudos mostram a interferência no crescimento e na produção das culturas em relação às podas realizadas mais cedo (exemplo: junho e julho) quando comparada a podas mais tardias (setembro a dezembro). 

Por isso, é importante estar atento ao tipo de poda recomendado a sua lavoura e a época em que ela será realizada, devido a suas interferências nos resultados de crescimento das plantas.

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