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Ferrugem do cafeeiro: o que é e como controlá-la

A ferrugem do cafeeiro é considerada a doença mais importante na cafeicultura, uma vez que pode causar uma intensa desfolha no cafeeiro.

  • Nome científico: Hemileia vastatrix Berk & Broome.
  • Filo: Basidiomycota
  • Classe: Puccioniomycetes
  • Ordem: Pucciniales
  • Família: Incertae sedis

Abaixo, temos o ciclo da ferrugem:

ferrugem do cafeeiro

Sintomas da ferrugem do cafeeiro

Os principais sintomas são:

  • Manchas cloróticas possíveis de serem vistas com a folha colocada contra a luz.
  • Manchas na face inferior da folha de coloração amarelo – alaranjada.
  • Aparecimento sobre a mancha de massa pulverulenta de uredósporos.
  • Necrose de partes do tecido foliar.

ferrugem do cafeeiro

Fonte: Larissa Cocato

Um ponto importante a ser lembrado, é que só enxergamos os sintomas da ferrugem quando a mesma já causou prejuízo à planta, pois a esporulação ocorre em sua fase reprodutiva, ou seja, quando ocorre a esporolução o tecido está colonizado e consequentemente à planta já sofreu com percas no crescimento.

Condições favoráveis

  • Temperatura ideal: 21° a 23° C
  •  Umidade alta
  •  Ausência de luz direta para germinação

ferrugem do cafeeiro

Fonte: Larissa Cocato

Fatores que influenciam a ferrugem do cafeeiro

A carga de frutos da planta está relacionada com a incidência de ferrugem, em que anos de alta produção ocorre uma maior incidência da doença.

Ferrugem do cafeeiro

Evolução mensal da incidência da ferrugem do cafeeiro em lavouras com diferentes espaçamentos e cargas pendentes – média de 1998/1999 a 2005/2006.

Ambientes sombreados: lavoura adensada, excesso de hastes, arborização. Além disso, podemos citar:

  • Espaçamentos adensados e sombreados
  • Maior período de molhamento foliar
  • Maior período de ausência de luz direta

Todos eles causam o aumento da incidência da ferrugem.

ferrugem do cafeeiro

Fonte: Larissa Cocato

A exposição ao sol também interfere na incidência de ferrugem: A incidência de ferrugem é favorecida na face de exposição que recebe menos radiação do sol, devido ao maior período de molhamento foliar.

Área abaixo da curva de progresso da doença para incidência (AACPDI) e severidade (AACPDS) da ferrugem (Hemileia vastatrix Berk. & Broome) do cafeeiro (Coffea arabica L.), sobre a face da planta, período de agosto de 2004 a junho de 2005 e de agosto de 2005 a junho de 2006.

Danos

A ferrugem do cafeeiro causa os seguintes danos:

  • Desfolha acarretando em prejuízos já naquela safra
  •  Redução da produção
  •  Prejuízos para a próxima safra do cafeeiro

ferrugem do cafeeiro

Fonte: Larissa Cocato

Monitoramento

O monitoramento correto deve:

  •  Dividir as lavouras em talhões uniformes;
  •  Caminhar nas linhas aleatoriamente;
  •  Coletar de cinco a dez folhas por planta no terceiro ou quarto par;
  •  Localizadas no terço médio da planta;
  •  Coletar cerca de 100 a 300 folhas por talhão.

Também é importante realizar o calculo de incidência. Assim:

NÍVEL DE CONTROLE = 5% de incidência

Controle da ferrugem do cafeeiro

Controle genético: utilização de cultivares resistentes Paraíso, Oeiras, Catiguá, Araras (porém sabe-se que apesar da resistência dessas cultivares em alguns casos ainda é feito o controle químico).

Também é importante destacar:

  • Fungicidas protetores: Cúpricos – Oxicloreto de cobre, hidróxido de cobre;
  • Fungicidas sistêmicos: Solo (fungicida + inseticida) – Foliar (triazol, estrobilurina).

Ressaltando que o controle preventivo é mais eficaz que o controle curativo.

Fungicidas protetores

Os fungicidas protetores quando aplicados na superfície das folhas, formam uma barreira tóxica capaz de evitar a penetração do fungo, dessa forma, atuando de forma preventiva no controle das doenças.

Grupo químico Modo de ação Ingrediente ativo
Triazol Agem na síntese do ergosterol Ex: Ciproconazol, epoxiconazol, tebuconazol
Estrobilurina Inibe complexo III (citocromo bc1) Ex: Azoxistrobina, piraclostrobina

Basidiomycetos: Ferrugem

Observe os gráficos:

 

Efeito de fungicidas no controle e na área abaixo da curva do progresso da severidade (AACPD) da ferrugem em cafeeiro cultivar Catuaí Vermelho. Uberlândia, MG.

Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05).

  • Testemunha – Sem aplicação.
  • OX – Oxicloreto de cobre (três aplicações, a segunda aos 60 dias após a primeira aplicação e a terceira 26 dias após a segunda aplicação).
  • TE 1 – Tebuconazole (1 aplicação)
  • TE 2 – Tebuconazole (2 aplicações) sendo a segunda 60 dias após a primeira aplicação.
  • AZ-CI – Azoxistrobina + Ciproconazole (3 aplicações a cada 60 dias).
  • EP-PI – Epoxiconazole + Piraclostrobina (em aplicação única).

Médias seguidas por mesmas letras não difere entre si por meio do teste Scott-Knott a 5% de probabilidade. Produção em sacas/ha-1 para safra 2015/16. UFLA, Lavras – MG, 2016.

Curva de progresso da incidência da Ferrugem em folhas (Hemileia vastatrix), na cultura do cafeeiro (Coffea arabica), nas diferentes datas de avaliações, em função dos fungicidas e época de aplicação. UFLA, Lavras/MG,2015/16.

  1. 1 – Pulverização em dezembro de 2015
  2. 2 – Aplicação de cobre em janeiro 2016
  3. 3 – Pulverização em fevereiro de 2016
  4. 4 – Aplicação de cobre em abril de 2016

Misturas – evitar:

Deve-se evitar a mistura de fungicidas sistêmicos associados com cargas positivas, como por exemplo a mistura de triazóis com cúpricos e sais, pois pode acarretar em perda de sistematicidade e eficiência.

Fonte: Rehagro ensino

Época de controle

Para controlar a ferrugem do cafeeiro é necessário estar atento nas condições climáticas no período de novembro a abril, visto que essas condições influenciam diretamente na infecção da doença.

Em condições de atraso do inicio das chuvas, deve-se optar por retardar também o inicio das pulverizações.

Da mesma forma, em condições que há prolongamento das chuvas nos meses de maio e junho, as pulverizações também devem atrasar, para que não ocorra escape de infecções tardias, podendo acarretar em intensa desfolha e afetar a produção.

Referências

  • CUSTÓDIO, A. A. de P.; POZZA, E. A.; CUSTÓDIO, A. A. P.; SOUZA, P. E.; LIMA, L. A.; LIMA, L. M. Intensidade da ferrugem e da cercosporiose em cafeeiro quanto à face de exposição das plantas, Coffee Science, Lavras, v. 5, n. 3, p. 214-228, set./dez. 2010.
  • PEREIRA, I. S., ROSALINO, R. C., NEVES, F. D. O. B. C., PEREIRA, M. T., & DE SOUSA BRAGA, J. G. DIFERENTES FUNGICIDAS NO CONTROLE DA FERRUGEM DO CAFEEIRO.  Revista Inova Ciência & Tecnologia/Innovative Science & Technology Journal, v. 5, n. 2, p. 25-29, 2019.
  • PERARO, M., POZZA, E., GILIOLI, F., & SOUZA, P. (2016). Efeito do Mancozeb no controle da ferrugem (Hemileia vastatrix) e da cercosporiose (Cercospora coffeicola) do cafeeiro (Coffea arabica), em associação com fungicidas padrões, visando um melhor manejo de resistência às doenças e incremento de produtividade-safra 2015/2016. 2016.

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