Rehagro Blog
vacas deitadas estresse térmico

Estresse térmico em vacas leiteiras: como identificar

O estresse térmico em vacas leiteiras está presente em grande parte dos rebanhos, influenciando diretamente na saúde, reprodução e produção de leite dos animais. Atuar de forma preventiva para minimizar os seus impactos representa um grande desafio e uma grande oportunidade para os diversos tipos de sistema de produção. Animais em estresse térmico apresentam alterações clássicas que precisam ser identificadas para que o processo de resfriamento seja otimizado. Acompanhe neste texto um pouco sobre o que é o estresse térmico e quais são os principais sinais.

Conhecendo o estresse térmico

Segundo West (2003), o termo estresse térmico é utilizado para referenciar os efeitos ocasionados na fisiologia, no comportamento e na produção dos animais devido as alterações no ambiente. De modo semelhante, Yousef (1985) define que o estresse térmico consiste na soma das forças internas (metabolismo, ex.) e externas (ambiente) que atuam em um animal para causar um aumento na temperatura corporal e provocar uma resposta fisiológica. Nos países de clima tropical, como o Brasil por exemplo, é muito mais comum a ocorrência de estresse térmico pelo calor do que pelo frio. Altos valores de temperatura e umidade, além da exposição à radiação solar, são fatores que contribuem de forma significativa para que as vacas acumulem calor corporal.

O estresse térmico pelo calor em vacas leiteiras ocorre quando a taxa de ganho de calor do animal excede a de perda, fazendo com que seja necessário readequar o comportamento e a fisiologia na tentativa de promover termoregulação. Assim como qualquer outra espécie animal, os bovinos de leite também apresentam uma faixa de temperatura considerada como zona termoneutra. Nesta faixa de temperatura o animal não precisa direcionar grandes quantidades de energia para termoregulação, seja para capturar, seja para dissipar calor. Desse modo, o gasto de energia para manutenção é mínimo, resultando em máxima eficiência produtiva. Em temperaturas inferiores àquela mínima da zona termoneutra as vacas entram em estresse térmico pelo frio. Já quando a

temperatura se encontra superior ao limite máximo da zona termoneutra, o estresse térmico instaurado é pelo calor.

Adaptado de Kadzere et al., 2002

Vacas de alta produção são mais susceptíveis ao estresse térmico quando comparadas às vacas de baixa produção. A seleção genética para produção de leite contribuiu para que as vacas aumentassem a quantidade de calor metabólico, pois vacas que produzem mais leite ingerem mais alimentos e, logo, possuem metabolismo mais elevado em relação as vacas de menor potencial genético. Com a menor capacidade de dissipação de calor, as vacas elevam sua temperatura corpórea com maior facilidade e perdem calor para o meio ambiente com maior dificuldade. O resultado final é o maior acúmulo de calor, podendo ocorrer mais facilmente o estresse térmico.

Ao analisarmos os dados de 2018 do Departamento de Agricultura do Estados Unidos, por exemplo, vemos que é relatado um amento de 13% na produção de leite na última década, passando de quase 9.000 kg de leite para 14.000 kg de leite/vaca/ano. Conforme descrito por Berman (2005), o aumento na produção de leite de 35 kg de leite/dia para 45 kg de leite/dia contribui para que o limite de temperatura para estresse térmico seja reduzido em torno de 5°C, significando que as vacas tenderão a sofrer estresse térmico de forma mais precoce.

Como identificar um animal com estresse térmico

  • Animal ofegante, com aumento de salivação e transpiração;
  • Redução na ingestão de matéria seca;
  • Redução na produção de leite;
  • Aumento no consumo de água;
  • Aumento da frequência cardíaca e respiratória;
  • Temperatura retal maior que 39,1ºC.

estresse térmico em vacas leiteiras

Vaca leiteira em estresse térmico pelo calor. Note: boca aberta, língua para fora e aumento de salivação.

A temperatura corporal representa o principal indicador da termoregulação do organismo, estando relacionada à saúde, sucesso reprodutivo e produtividade dos animais. No entanto, vale ressaltar que não é somente o estresse térmico que ocasiona elevação da temperatura do organismo. Eventos como doenças, lesões, infecções, toxinas, etc. podem provocar a hipertermia nos animais. Outros fatores que também ocasionam elevação da temperatura corporal, mas em uma menor magnitude, são nível de atividade do animal e estro.

Além da temperatura corporal, uma das primeiras alterações observadas em animais com estresse térmico é o aumento da frequência respiratória no intuito de perder calor para o ambiente. Gaughan e colaboradores (2000) citam que a taxa respiratória dos bovinos sofre influência multifatorial, incluindo idade, nível de produção, condição corporal, ingestão de matéria seca, particularidades das instalações e dos sistemas de resfriamento, exposição a ambientes quentes, etc. Resultados de pesquisas científicas demonstram que vacas expostas a ambientes com temperatura variando entre 24° e 39°C

apresentaram aumento na frequência respiratória entre 2,8 e 3,3 movimentos respiratórios/minuto para cada 1°C a mais no ambiente. A elevação da frequência respiratória consiste em um dos indicadores fenotípicos mais sensíveis para caracterizar o estresse térmico pelo calor em vacas leiteiras, sendo que taxas acima de 60 movimentos respiratórios/minutos já indicam provável alteração devido ao estresse térmico (Shultz, 1984; Berman et al., 1985).

estresse térmico em vacas leiteiras

Resfriamento térmico de vacas leiteiras com aspersores e ventiladores Fonte: Grupo Rehagro, Meara Gado Holandês – Fazenda Barreiro Alto

Considerações

Monitorar o conforto térmico das vacas leiteiras representa atualmente um dos pontos base dos sistemas de produção. Ofertar condições que previnam a ocorrência de estresse térmico tornou-se essencial, visto a magnitude que os impactos deste evento ocasionam na saúde, reprodução e produção dos animais. Entretanto, para monitorar o conforto, primeiro devemos conhecer quais os sinais presentes no estresse térmico. Portanto, tome nota! De forma geral, vacas leiteiras em estresse térmico apresentam respiração ofegante, boca aberta, língua para fora, aumento da salivação e da transpiração na tentativa de trocar calor com o ambiente. Em situações como esta, se os animais estão em galpões onde haja ventiladores e aspersores, estes deverão ser ligados. Caso não estejam alojados nestas instalações, molhar bem os animais em estado mais crítico pode ajudar no resfriamento.

Referências

  • BECKER, C. A.; COLLIER, R. J.; STONE, A. E. Invited review: Physiological and behavioral effects of heat stress in dairy cows. Journal of Dairy Science, v. 103, n. 8, 2020.
  • KADZERE, C. T.; MURPHY, M. R.; SILANIKOVE, N.; MALTZ, E. Heat stress in
  • lactating dairy cows: a review. Livestock Production Science, n. 77, v. 1, p. 59–91, 2002.WEST, J. W. Effects of Heat-Stress on Production in Dairy Cattle. Journal of Dairy Science, v. 86, n. 6, p. 2131–2144, 2003.

webinar-leite

Comentar