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nutrição de bovinos leiteiros

Você escolhe corretamente os aditivos da dieta de suas vacas de leite?

O ponto inicial para a utilização de um aditivo é a real necessidade na melhoria ou refinamento nutricional de um rebanho ou de parte dele. Para se avaliar corretamente qual aditivo deve ser suplementado é necessário uma avaliação prévia do rebanho e seu desempenho. Para isso é preciso um bom monitoramento do rebanho, tanto para saber qual aditivo deve ser utilizado, como para avaliar seus resultados. Segundo Martinez (2011) uma das dificuldades no monitoramento do desempenho de bovinos de leite é justamente avaliar o manejo nutricional ou alguma intervenção nutricional na falta de um grupo controle. Isso faz com que muitas das análises sejam feitas de maneira subjetiva e com fatores que possam confundir a resposta, como por exemplo, o efeito do tempo ou da estação do ano.

Defina parâmetros – Ter um grupo de controle é essencial            

É muito comum que os produtores ou mesmo a indústria de aditivos queira testar os aditivos na dieta das vacas de leite para provar, ou comprovar, as vantagens de sua utilização e melhor produção ou saúde. Baseando-se nos dados de distribuição de desempenho animal para o parâmetro a ser observado é possível determinar aquilo que é normal ou anormal para cada rebanho. Além disso, a disponibilidade de dados de produção, reprodução e incidência de enfermidades pode ser utilizada como guia para a determinação do objetivo a ser atingido.

Para que o monitoramento do manejo nutricional tenha algum valor do ponto de vista da tomada de decisão é necessário que:

  • Os dados coletados sejam representativos daquilo que realmente acontece no rebanho.
  • Tenham importância no desempenho animal e estejam relacionados à alimentação.
  • Sejam de fácil obtenção, passíveis de serem manipulados e de sofrerem intervenções através do manejo nutricional.

O uso de médias para a avaliação do desempenho animal, apesar de importante, é muitas vezes de pouco valor para a tomada de decisão. Já a visualização da distribuição dos dados de produção é muito importante para pesquisar oportunidades de melhoria no rebanho. Esses dados devem ser provenientes de subgrupos do rebanho que apresentem características em comum, tais como número de lactações, dias em lactação, lote de produção, dieta fornecida, entre outros.

Na análise de subgrupos dentro do rebanho em lactação, pode-se dividi-los em distintas categorias com base em: Dias em lactação (vacas recém paridas, vacas em meio de lactação e vacas no terço final de lactação); Número de lactações (primeira, segunda, > 2 lactações) e Lote de produção.

Uma vez que os subgrupos tenham sido identificados é necessário avaliar os dados mais recentes de desempenho animal quanto à produção de leite, produção de componentes do leite, contagem de células somáticas, incidência de distúrbios metabólicos, etc. Com os dados então disponíveis, é possível analisá-los e determinar possíveis soluções e oportunidades para melhoria do desempenho do rebanho. A avaliação dos dados de produção em relação ao número de dias em lactação para os diferentes subgrupos permite determinar pontos de estrangulamento no rebanho.

Fatores a serem considerados ao utilizar aditivos

Dentre a separação dos animais para a análise da utilização ou não de um aditivo, um importante fator a ser considerado é o estado fisiológico do animal ou o momento da curva de lactação que o animal se encontra. Variações na ingestão de matéria seca, demanda por nutrientes como: glicose,aminoácidos específicos, vitaminas, etc., condição imunológica, adaptação à dieta, mobilização de reservas corporais, eficiência alimentar, tipo de alimentos e balanceamento de dieta para a categoria animal são fatores importantes de serem considerados na possibilidade de suplementação de um aditivo.

A determinação desses fatores será fundamental para a escolha perfeita e maximização do retorno financeiro à utilização de um aditivo.

As concentrações de gordura e proteína são aquelas que mais variam de acordo com alterações na dieta. A concentração de células somáticas é também altamente variável, mas nem sempre está relacionada à nutrição. Como geralmente há uma relação inversa entre as alterações na concentração de gordura e de proteína no leite quando dietas altas em concentrado são fornecidas, pode-se sugerir que a relação entre proteína e gordura no leite de vacas com baixa concentração de gordura seja um indicativo de uma dieta inadequada, que pode estar causando acidose ruminal.

Alterações do perfil de constituintes do leite

Vários aditivos estão relacionados a alterações do perfil de constituintes do leite. Alterações no perfil do leite podem levar a bonificações, como aumento dos teores de gordura e/ou proteína, que podem ser o alvo da utilização dos aditivos.

  • Deve-se tomar cuidado com o tipo de aditivo utilizado e sua interação com a dieta, pois alguns aditivos estão relacionados à queda na concentração de gordura do leite, mesmo sem haver queda significativa da produção total de gordura pela glândula mamária.

Na tentativa de se prevenir estas doenças muitos aditivos têm sido desenvolvidos para tentar manter a vaca saudável no pós-parto. Uma prática bastante comum para a prevenção de hipocalcemia pós-parto é a utilização de aditivos aniônicos à dieta pré-parto durante as últimas 3 semanas de gestação.

Além disso, muitos dos aditivos utilizados no pós parto para melhorar o perfil energético e ruminal já podem ser fornecidos antes do parto em doses inferiores, mas compatíveis com a ingestão de matéria seca dessa fase.

Vários aditivos necessitam de um tempo de adaptação do animal e, principalmente, da microbiota ruminal. Por isso, as práticas de adaptação aos aditivos é recomendada na maioria dos casos. Portanto, um plano de alimentação e suplementação com aditivos para vacas em lactação deve considerar os estágios da curva de lactação, bem como as respostas esperadas para uma dessas fases.

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