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Artigos Técnicos

Calagem em solos sob sistema de semeadura direta
Escrito em 16/05/2003 por Silvino Guimarães Moreira, Engenheiro Agrônomo, Equipe ReHAgro

Muitas das razões que levaram à diminuição do “tempo de vida” de muitas áreas sob sistema de semeadura direta (SSD) foram os erros ocorridos na implantação do sistema. As principais falhas estavam relacionadas à falta de incorporação adequada dos corretivos antes da adoção do SSD em solos com baixa fertilidade natural, notoriamente relacionada a cálcio, magnésio e fósforo, além dos altos teores de alumínio tóxico.

Para evitar surpresas desagradáveis após a adoção do SSD, recomenda-se uma boa correção do solo antes da adoção do SSD, observando-se o histórico da área, caso a mesma já tenha sido cultivada anteriormente. Dessa forma, havendo necessidade de calagem, o calcário deve ser incorporado na camada de 0 a 20 cm. Para áreas de abertura ou já cultivadas convencionalmente, a aplicação do calcário, quando necessária, deve ser realizada antes da implantação da cultura de inverno (março-abril), pensando-se nas condições adequadas de fertilidade para a cultura de verão.
 
A grande vantagem desse procedimento está no fato de ainda existir nesse período umidade (mesmo que baixa) para possibilitar a reação do calcário. Para isso, a amostragem do solo deve ser realizada logo após a cultura de verão (quando o solo é cultivado convencionalmente). As desvantagens de se realizar a calagem muito próxima da época de introdução da cultura de verão (julho a agosto) são principalmente: - dificuldade de preparo do solo e incorporação do corretivo, uma vez que o calcário é geralmente aplicado com solo muito seco; - pode haver uma inadequada correção do solo, pois o prazo entre a aplicação do calcário e a semeadura é muito curto (além da falta de umidade inicial do solo).

Sabe-se que para uma boa correção da acidez do solo é necessário no mínimo 90 dias; - pequena possibilidade de sucesso em fosfatagens e/ou potassagens, caso sejam necessárias. O sucesso da fosfatagem depende da correção das características químicas indesejáveis do solo, como altos teores de Al trocável. Por isso, essa prática é recomendada 3-4 meses após a calagem. No caso do potássio, a aplicação de altas doses do nutriente têm grande chance de insucesso em solos com baixa CTC. A calagem melhora eficiência da potassagem, uma vez que libera os sítios de troca ocupados por H+ Al3+, os quais passarão a ser ocupados com potássio.

Correção da acidez do solo após estabelecimento do sistema de semeadura direta
No início da adoção do SSD no Brasil, havia muitas dúvidas quanto à forma de aplicação do calcário, principalmente com relação à eficiência da calagem superficial. As razões dessas preocupações eram principalmente porque o calcário é um produto de baixa solubilidade e as recomendações para cultivos em sistema de semeadura convencional (SSC) sempre preconizaram a importância da incorporação dos corretivos da acidez. Sabe-se que quanto maior o contato do corretivo com as partículas do solo, mais rápidas são as reações entre os mesmos.
 
No Brasil, diversos trabalhos de pesquisa realizados com objetivo de estudar a viabilidade da calagem sem a incorporação do corretivo mostraram resultados muito satisfatórios (Sá, 1995; Caíres et al., 2000; Moreira et al. 2001).

Embora a pesquisa e os resultados de campo apontem para a boa eficiência da calagem superficial após a adoção do sistema, existe em muitos casos pouca probabilidade de sucesso dessa prática, quando o solo não é bem corrigido, antes de iniciar o SSD. Para solos que já estão sob SSD estabelecido, foi proposta na década de noventa uma recomendação geral para calagem superficial, que ainda é utilizada nos dias atuais (Sá, 1995):
- aplicar na superfície de 1/3 a 1/2 da necessidade de calcário calculada pelo método da saturação por bases para solos argilosos, e cerca de 1/3 da dose para solos de textura média a arenosa;
- Recomenda-se não utilizar doses de calcário na superfície acima de 2,5 t ha-1 para solos argilosos e 1,5 a 2,0 t ha-1 para solos de textura arenosa ou média. Também, sugere-se não realizar a calagem quando a saturação por bases for igual ou superior a 50%. Atualmente existe a recomendação de não se fazer a calagem em locais com saturação por bases (V%) e pHCaCl2 da camada de 0 a 5 cm acima de 65% e 5,6, respectivamente (Caires et al., 2000). Essas recomendações são para solos com SSD já estabelecidos, com todos os cuidados discutidos anteriormente na implantação.

A diminuição das doses calculadas para a camada de 0-20 cm ocorre porque a calagem superficial atinge inicialmente apenas a camada superior, embora já é provado que o calcário e/ou Ca e Mg são deslocados no perfil, após certo tempo da aplicação do corretivo. Além disso, os canais formados por organismos vivos e principalmente os pontos de apodrecimento de raízes das culturas favorecem a descida do próprio calcário para as camadas inferiores do solo. Nos locais com muito tempo em SSD existe uma tendência de utilização de menores doses de calcário devido ao aumento da matéria orgânica (MO) do solo, a qual promove a amenização da toxidez do Al tóxico. No entanto, a fertilidade da área deve ser avaliada anualmente. Apesar de haver comprovação científica da movimentação do Ca e Mg e correção da acidez das camadas inferiores do solo após certo período de adoção do sistema, recomenda-se um criterioso acompanhamento da fertilidade dos solos sob SSD. Os efeitos da MO na amenização da toxidez do Al, no deslocamento de cátions no perfil e correção das camadas inferiores são mais pronunciadas em locais que produzem maiores quantidades de palha, devido às condições climáticas mais favoráveis de umidade e temperaturas ao longo do ano (Região Sul).


Referências bibliográficas:
CAIRES, E.F.; BANZATTO, D.A.; FONSECA, A.F. Calagem na superfície em sistema de plantio direto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.24, p.161-170, 2000. MOREIRA, S.G.; KIEHL, J.C.; PROCHNOW, L.I.; PAULETTI, V. Calagem em sistema de semeadura direta e efeitos sobre a acidez do solo, disponibilidade de nutrientes e produtividade de milho e soja. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.25, p.71-81, 2001. SÁ, J.C.M. Calagem em solos sob plantio direto da Região dos Campos Gerais, Centro Sul do Paraná. In: SÁ, J.C.M.(Coord.) Curso sobre o Manejo do Solo no Sistema de Plantio Direto. Castro: Fundação ABC, 1995. p.73-107.

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Comentários

Marcio - 25/04/2010
Marcio
Calagem superficial em sistema de semeadura direta sempre gerou dúvidas quanto a sua eficiência e o artigo mostra que, à luz dos conhecimentos atuais, é uma técnica perfeitamente viável agronomicamente. Parabéns à equipe da RehAgro pelo excelente artigo!