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Artigos Técnicos

Instruções técnicas sobre a irrigação de pastagens
Escrito em 06/12/2010 por André Luis Teixeira¹, Adilson de Paula Almeida Aguiar², Francisc Henrique Silva³

¹ Engenheiro Agrônomo, Dr. em Engenharia de Água e Solo, Professor FAZU/INIUBE.
² Zootecnista, Especialista em Solos e Meio Ambiente, Professor FAZU.
³ Engenheiro Agrônomo, Especialista em Manejo da Pastagem, Professor FAZU/FACTHUS 

INTRODUÇÃO


 
Para se alcançar maiores índices de produtividade, alguns produtores rurais buscam alternativas para incrementar a produção de carne e leite na propriedade e, consequentemente, aumentam os seus lucros gerados. Com a irrigação das pastagens, o manejo da bovinocultura de corte e leite torna-se mais simples do que em um sistema tradicional de pastejo rotacionado. Sem as flutuações na produção, devido a veranicos, o sistema torna-se mais estável, em regiões que não tem problemas de temperaturas e fotoperíodo.  A irrigação e a fertirrigação em pastagem são técnicas cujas aplicações vêm crescendo no Brasil, possibilitando obter forrageiras de melhor valor nutricional e maiores índices de produção de matéria seca, além de favorecer o manejo racional do sistema de produção animal.

Segundo Dovrat (1993), em muitos países, técnicos e produtores inicialmente usaram a irrigação na tentativa de solucionar o problema da estacionalidade de produção das pastagens, que é determinada pelo déficit dos fatores temperatura, luminosidade e água. A irrigação da pastagem pode reduzir custos de produção e tempo de trabalho para alimentar o rebanho, comparada a outras alternativas de suplementação no outono-inverno, tais como a silagem e o feno, conforme Figura 1. Isso ocorre pela utilização de menor área, uso de água de baixa qualidade e possibilidade de prolongar o período de pastejo durante a estação seca.

Segundo Drumond, Aguiar (2005), em regiões onde a temperatura não é fator limitante, a irrigação pode ser uma alternativa para a produção intensiva de carne e leite em pequenas áreas, sendo possível reduzir custos de produção e de mão-de-obra.

De acordo com Andrade (2000), a irrigação de espécies forrageiras deve ser a última etapa a ser cumprida num sistema de produção pecuário ou de agricultura-pecuária. Todos os demais cuidados relativos ao planejamento da propriedade, a genética animal, o manejo do rebanho, a recuperação e a adubação das pastagens já devem ter sido tomados.



                    Figura 1 - Comparação de custos de produção de tonelada de matéria seca
                    Fonte: Adaptado de Drumond; Aguiar (2005)

PRODUÇÃO DE PASTAGENS EM CONDIÇÕES IRRIGADAS

Aguiar; Silva (2002) mediram o acúmulo de forragem de uma pastagem de capim Braquiarão adubada e irrigada em condições de campo (Tabela 1), na Fazenda Santa Ofélia, localizada no município de Selvíria, MS. Observaram que a participação da forragem acumulada na estação de inverno foi 61% da acumulada na estação de verão. A média de lotação foi de 6,89 UA ha-1, muito superior à média brasileira.

Tabela 1 - Acúmulo de matéria seca (t ha-1) estacional, anual e taxa de lotação em uma pastagem de capim Braquiarão adubada e irrigada para o ano pastoril 2001/2002, Selvíria, MS.



                  Legenda: MS - Matéria Seca / UA - Unidade Animal
                  Fonte: AGUIAR; SILVA (2002).

Aguiar (2002) apresenta dados importantes dos potenciais de produção de leite em diferentes sistemas de produção na Austrália, de acordo com o nível tecnológico adotado (Tabela 2). O que chama a atenção nesses trabalhos realizados em outros países é que não é comum encontrar dados de irrigação de pastagens para bovinos de corte. Isso contraria a realidade atual no Brasil diante da grande adoção da irrigação de pastagens pelos pecuaristas de gado de corte, sendo a maioria dos dados disponíveis para os sistemas de produção de fazendas.

Tabela 2 - Capacidade de carga e produção por hectare de vários pastos sem suplementação na Austrália.



                    Fonte: AGUIAR; SILVA (2002).

Aguiar (2002) cita que em outro experimento realizado na Fazenda Escola da Fazu em Uberaba, com capim Tifton 85, ocorreu diferença significativa entre os tratamentos irrigado e sequeiro ao longo de um ano, exceto no inverno. A diferença foi devido a maior produção de forragem nas estações de primavera, verão e outono, quando as condições climáticas permitiram uma resposta da planta à irrigação. Entretanto, quando ocorreu redução da temperatura, ou seja, no inverno, não houve diferença entre os tratamentos irrigado e sequeiro (Tabela 3).

Tabela 3 - Massa de forragem (kg de MS ha-1) em pastagem irrigada e pastagem não irrigada de Tifton 85, submetido a manejo intensivo do pastejo, Uberaba, MG.



             Fonte: AGUIAR; SILVA (2002).

SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO PARA PASTAGEM

A maioria dos sistemas de irrigação disponíveis poderia ser utilizada para irrigar espécies forrageiras. Porém, na prática, vários fatores limitam esta generalização, como custos de investimento e operação do sistema, disponibilidade de mão de obra para operação, topografia, solo, clima, espécie forrageira, presença do animal e questão cultural. No Brasil, a maioria dos projetos de irrigação de pastagem está sendo realizada por aspersão, com o uso de pivô central, aspersão em malha e, em menor escala, aspersão convencional com canhão e autopropelido.

Aspersão em malha

Tem como características principais a utilização de tubos de PVC de baixo diâmetro, que constituem as linhas laterais que, ao contrário da aspersão convencional, são interligadas em malha; baixo consumo de energia; adaptação a qualquer tipo de terreno; possibilidade de divisão da área em várias subáreas; facilidade de operação e manutenção; possibilidade de fertirrigação e baixo custo de instalação (entre R$ 3.000,00 a R$ 4.000,00) e manutenção, conforme Figuras 2 e 3 (DRUMOND; FERNANDES, 2001).



                       Figura 2 - Aspersão em malha com aspersor pequeno



                       Figura 3 - Aspersão em malha com mini-canhão

Nas Figuras 4 e 5 podem ser vistos exemplos de pastagem com irrigação:



                       Figura 4



                       Figura 5

Pivô central

É o equipamento mais utilizado na irrigação de pastagem, devido às facilidades de instalação, manejo e fertirrigação. Além disso, este sistema permitiu a automação de todo o processo. Tem custo de instalação de R$ 4.000,00 a R$ 5.000,00.

A divisão da área em piquetes tem sido realizada de formas diferentes. Algumas favorecem o manejo da pastagem e dos animais e outras favorecem o manejo da irrigação e da fertirrigação.
É realmente difícil encontrar uma maneira que favoreça as duas situações. A mais utilizada é a forma de “pizza” (Figura 6), pois dentre outras coisas, favorece em muito o processo de fertirrigação.  A área de lazer pode ser feita no centro ou na periferia do Pivô. Quando instalada no centro, têm-se observado problemas de compactação na região de estreitamento e formação de grande quantidade de lama na ocasião de uma chuva. A vantagem é a facilidade construção, manejo, distribuição de bebedouros e cochos de sal mineral, conforme Figuras 6 e 7 (DRUMOND; AGUIAR, 2005). 



                    Figura 6 - Divisão em pizza, com área de lazer no centro do Pivô (Fonte Valley).



                          Figura 7 - Exemplo de pastagem irrigada com pivô central.

CONCLUSÕES

A técnica de irrigar pastagens possibilita uma melhoria na qualidade da forragem e um aumento significativo na produção de matéria seca por área, com consequente acréscimo na taxa de lotação (UA/ha), proporcionando a obtenção de índices satisfatórios de lucratividade, tornando a atividade altamente competitiva no agronegócio nacional.

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REFERÊNCIAS

BORGES, A.L.; ACCIOLY, A.M. de A. Amostragem do solo para recomendação de calagem e adubação. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical,
2007. 4p. (Comunicado Técnico, 122).

BRASIL. SECRETARIA DE APOIO RURAL E COOPERATIVISMO. Amostragem e análise do solo: calagem, adubação, semente. – Brasília:MAPA/SARC, 2002. 34p.

CANTARUTTI, R.B.; ALVAREZ, V.H.; RIBEIRO, A. C. Amostragem do solo. In: RIBEIRO, A.C.; GUIMARÃES, P.T.G.; ALVAREZ, V.H. Recomendação para uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais. 5ª Aproximação. Viçosa-MG: UFV, 1999. p.13-20.


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Comentários

Jaime - 02/11/2011
Jaime
Sou técnico em agropecuária. Irei irrigar em casa 5 hectáres a partir das dicas. Muito bom esse assunto.
Jesse Said - 07/12/2010
Jesse Said
É um excelente meio de se produzir com melhor qualidade o gado confinado.Parabéns pela excelente aula. Obrigado
celmo alves -
celmo alves
É uma excelente alternativa para produzir leite com baixo custo!
José Cláudio V. de Azevedo -
José Cláudio V. de Azevedo
É a maneira de intensificar a produção das pequenas e médias propriedades em regiões sub-úmidas e semi-áridas. Tornando as grandes propriedades (pivôs), viáveis, produtivas e econômicas. Sou também pequeno produtor rural de pecuária leiteira e ovinos de corte. Maravilha essas informações! Parabéns! Seria ótimo que trabalhos como esses estivessem sempre disponíveis.