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Artigos Técnicos

Plantas tóxicas de importância pecuária
Escrito em 27/01/2009 por Gustavo Cangussu; Graduando em medicina veterinária, estagiário em pecuária de c

Plantas tóxicas de importância pecuária

Plantas tóxicas de importância pecuária são aquelas que, ingeridas espontaneamente pelos animais domésticos em condições naturais, causam danos à saúde ou até mesmo levam à morte os animais(Riet-Correa&Schild,1993). A importância econômica das intoxicações deve-se, principalmente, a fatores como: diminuição da produção, morte dos animais e custos com medidas profiláticas e de controle. O comportamento tóxico das plantas é bastante variável, pois existem fatores que influenciam sua toxicidade como: solo, clima, estádio vegetativo da planta, parte da planta, período de ingestão. Algumas das principais plantas que causam intoxicação em bovinos são:

                        Senecio spp.                              Tetrapterys Multiglandulosa 
 
Nome: Senecio spp. (Brasiliensis, Seloi, Cisplatinus, Heterotrichius, Leptolobus, Oxyphyllus, Tweediei, Vulgaris, Jacobea)

Família: Compositaceae

Nome vulgar: Tasneirinha, flor-das-almas e maria-mole

É uma planta anual, que floresce a partir do mês de outubro e apresenta inflorescências amarelas, comportando-se como invasora de culturas e pastagens nativas. É encontrada na região Centro-Sul do Brasil. Os animais se intoxicam pela ingestão acidental da planta com feno e silagem, pois, a mesma é pouco palatável. Seu principio ativo são os alcalóides pirrolizidínicos hepatotóxicos e causadores de lesão crônica irreversível.
 
Sinais clínicos: Agressividade, incoordenação, tenesmo (prolapso retal), diarréia, falta de apetite, paralisia ruminal, fezes com sangue, elevada atividade cardíaca. Achados de necropsia: Edema de mesentério, abomaso e intestino; líquido no abdômen; hemorragias peri e endocárdicas; fígado aumentado de tamanho (aguda) ou diminuído (crônica); vesícula biliar aumentada de tamanho, com parede engrossada e edemaciada e lesões nodulares. Lesões de espongiose no sistema nervoso.

Nome: Tetrapterys Multiglandulosa spp. (Acutifolia, Ramiflora)

Família: Malpighiaceae

Nomes vulgares: Cipó-preto, Cipó-ruão, Cipó-vermelho

É uma planta perene, presente em todos os estados da região Sudeste. A intoxicação ocorre mais no período da seca, quando os animais passam por restrição alimentar, pois a planta tem baixa palatabilidade, exceto os brotos jovens, que apresentam boa palatabilidade. Mesmo na seca a planta se mantém verde nos pastos, atraindo os animais. Os princípios tóxicos são os heterosídeos flavônicos e esteróides na folha jovem, taninos condensados, alcalóides quaternários e esteróides na folha madura.

Sinais clínicos nos bovinos: Edema de barbela e na região esternal, jugular com pulso positivo, aborto, relutância do animal em andar, emagrecimento progressivo, fezes ressequidas. Achados de necropsia: Áreas mais claras no coração (epicárdio), miocárdio endurecido, fígado com aspecto de noz-moscada, edemas subcutâneos (região esternal).

Nome: Conicum maculatum

Família: Umbeliferae

Nomes vulgares: Cicuta, funcho-selvagem

            Conicum maculatum  Fonte:http://www.agrov.com/img/vegetais/plantas/cicuta.gif

É uma planta perene, com 180 cm de altura, caule oco, recoberto com manchas púrpuras, folhas pinatipartidas, lembrando as de salsa. A planta é encontrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os princípios tóxicos são os alcalóides (coniína, coniceína) voláteis.

Sinais clínicos nos bovinos: Dificuldade de deglutição, dificuldade de locomoção, incoordenação, tremores musculares, prolapso da terceira pálpebra, dificuldade respiratória, salivação, eructação intensa, regurgitação do conteúdo ruminal, movimento de pedalagem, abortos e nascimentos de bezerros com defeitos teratogênicos.

Achados de necropsia: Presença de espuma e fragmentos verdes nas vias respiratórias, presença de líquido ruminal aspirado no pulmão.

                 Espichadeira                                             Mascagnia

Nome: Solanum Malacoxylon (variedade glabra e pilosa)

Família: Solanaceae
 
Nome vulgar: Espichadeira 


São descritas intoxicações naturais em bovinos acima de 15 meses. A planta é encontrada no pantanal do Mato Grosso em terrenos argilosos e região alagadiça. Nos meses de julho a setembro, há uma incidência maior de intoxicação. O princípio ativo que causa toxidez á o calcinogênico (vitamina D), que provoca aumento da absorção de cálcio, levando à calcificação distrófica no endocárdio, artérias, tecidos moles e tendões. O princípio ativo também provoca inibição da maturação dos condrócitos das cartilagens epifisais e articulares, levando à parada do crescimento longitudinal, os tecidos moles sofrem degeneração e calcificação patológica e a deposição óssea intramedular provoca inibição da eritropoiese.

Sinais clínicos: Emagrecimento progressivo, pêlos ásperos, sinais de fraqueza, abdômen retraído, dificuldade de locomoção e andar rígido, apoio das pinças dos cascos no chão, principalmente nos membros anteriores. Após movimentação brusca, os animais intoxicados apresentam insuficiência cardíaca e respiratória, caracterizadas por cansaço e dispnéia, carpo ligeiramente flexionado e cifose, decúbito, pulso arterial duro, arritmias cardíacas.

Achados de necropsia: Mineralização em diversos órgãos, principalmente nos sistemas cardiocirculatório e pulmonar; endocárdio e válvulas cardíacas espessadas, com perda da elasticidade; aumento e rigidez das grandes artérias (faciais e ilíacas), que se apresentam esbranquiçadas, endurecidas e espessadas, mostrando na camada íntima elevações irregulares e placas esbranquiçadas; calcificação associada a enfisema pulmonar; anasarca e ascite; rins com pontilhados esbranquiçados.

Tratamento: Não existe tratamento

Nome: Mascagnia (Pubiflora, Rigida, Coriacea, Elegans)

Família: Malpighiaceae

Nomes vulgares: Mascagnia pubiflora: corona, timbó, cipó-prata Mascagnia rígida: tingui, salsa-rosa, péla-bucho, quebra-bucho Mascagnia coriaceae: suma-roxa, suma, quebra-bucho Mascagnia elegans: rabo-de-tatu

A planta é encontrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, e Espírito Santo. Por causa da boa palatabilidade, é ingerida junto com a forragem durante todo o ano. Entretanto, quando a planta está brotando, a toxicidade é maior e a movimentação dos animais que ingeriram a planta favorece a intoxicação. O principio tóxico da planta é o Glicosídio digitálico.

Sinais clínicos: Relutância em levantar e caminhar, tremores musculares, quedas, movimento de pedalagem, convulsões, morte. O animal pode ter alterações cardíacas e neuromusculares de evolução superaguda,com morte súbita.

Achados de necropsia: Em bovinos que morrem após doses únicas, não são encontradas alterações consistentes na necropsia, porém podem ser observados:
-Mascagnia pubiflora: Petéquias no epicárdio, superfície de corte do miocárdio pálida, congestão hepática e pulmonar.
- Mascagnia rígida: Muco na porção final do intestino grosso,hemorragias nos pulmões e rins,congestão hepática.

Tratamento: Não se conhece.

Nome: Palicourea marcgravi

Família:
Rubiaceae

Nomes vulgares:
Cafezinho, erva-de-rato, erva-café, café-bravo, roxa, roxinha, roxona e vick.
 

            Cafezinho   Fonte: http://farm4.static.flickr.com/3128/2510243176_334070d7d5.jpg?v=0

Uma das plantas tóxicas de maior importância no Brasil com ampla distribuição, exceto na região Sul, apresentando alta palatabilidade e elevada toxicidade com efeito cumulativo. É ingerida em qualquer época do ano, porém o número maior de intoxicações ocorre na seca, quando os animais penetram nas matas e capoeiras. O princípio tóxico é o ácido monofluoracético e a planta seca apresenta cerca de quatro vezes mais do que a planta verde.

Sinais clínicos: Desequilíbrio do trem posterior (os animais caem), tremores musculares, movimentos de pedalagem, dispnéia, membros distendidos, taquicardia, convulsão e morte; Os sinais aparecem em poucas horas após a ingestão da planta (5 a 24 horas) e apresentam um quadro superagudo( o animal pode morrer em 1 a 15 minutos).

Achados de necropsia: Como a morte ocorre rapidamente, muitas vezes não se observam lesões macroscópicas. Em algumas ocasiões, observam-se mucosas cianóticas, congestão de pulmões, rins e fígado, e hemorragias na meninge e rins.

Tratamento: Não existe tratamento específico

                               Coerana                                               Fedegoso

Nome: Cestrum (Axillare, Parqui, Corymbosum, Sendtenerianum)
 
Família:
Solanaceae
 
Nome vulgares: Coerana, canema, anilão, maria-preta, pimenteira 

Esta planta ocorre especialmente em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Santa Catarina, sendo que os Cestrum axillare e Cestrum corymbosum desenvolvem-se em partes úmidas, o Cestrum sendtenerianum desenvolve-se em capoeiras. O princípio tóxico da planta são as saponinas (digitogexina e gitogenina).

Sinais clínicos: Apatia e anorexia, narinas secas, pêlos arrepiados, ranger de dentes, andar relutante, sonolência. Quando em pé, o animal mantém a cabeça baixa ou apoiada em obstáculos, isolamento, diminuição dos movimentos do rúmen, salivação abundante, agressividade, hiperexitabilidade, tremores musculares. Algumas horas após o início dos sintomas, os animais permanecem decúbito esternal e às vezes com a cabeça voltada para o flanco, movimentos de pedalagem, extremidades frias.

Achados de necropsia: As alterações macroscópicas mais significativas são observadas no sistema digestivo. Fígado com cirrose e coloração mais clara, com aspecto de noz-moscada, coração com hemorragia do tipo petequial, sufusões no epicárdio, miocárdio e endocárdio.

Tratamento: Não existe tratamento específico
 
Nome: Senna Ocidentallis (Cassia Occidentallis)

Família:
Leguminosae

Nome vulgar: Fedegoso

Planta causadora de miopatia e cardiomiopatia degenerativas em várias espécies. Esta leguminosa é encontrada nas pastagens ao longo de beiras de estrada, em lavouras, em solos ricos ou bastante fertilizados. As intoxicações ocorrem mais na época seca do ano quando os pastos estão secos e também pela ingestão de cereais e feno contaminado com sementes ou outras partes da planta. Os princípios tóxicos são o N-metilmorfoline e o Oximetilantraquinona.

Sinais clínicos: Diarréia com cólica e tenesmo em 2 a 4 dias após a ingestão, fraqueza muscular, ataxia dos membros posteriores e relutância em se mover. Mioglobinúria, decúbito esternal e lateral. Os animais podem adoecer mesmo após duas semanas de cessada a ingestão da planta.

Achados de necropsia: Áreas pálidas nos músculos esqueléticos, principalmente nas grandes massas musculares; lesões cardíacas discretas (palidez difusa do miocárdio), presença de grandes coágulos cruóricos nos dois ventrículos; fígado aumentado e pálido, com manchas escuras na cápsula; rúmen repleto e fétido; pulmões avermelhados, pouco crepitantes e com espuma na traquéia e brônquios.

Tratamento: Não há tratamento eficaz

Nome: Pteridium Aquilinum

Família: Polypodeaceae

Nomes vulgares: Samambaia, samambaia-do-campo, samambaia-das-taperas

                Samambaia Fonte: http://www.missouriplants.com/Ferns/Pteridium_aquilinum_plant.jpg

É uma planta que vegeta em lugares de maior altitude em solos ácidos e arenosos, após derrubada de matas, nas beiradas de estradas e capoeiras. A samambaia é tóxica verde ou seca e tem poder cumulativo. Ela possui uma tiaminase do tipo I, que é metabolizada para outras substâncias como o fator de anemia aplástica, fenóis, tiazol, pirimidina, ácido cinâmico, chiquímico e fator determinante de hematúria. As intoxicações ocorrem mais quando os animais estão com fome, habituados a comer a planta, em fenos contaminados com a mesma, ou no caso de bovinos que recebem escasso material fibroso.

Sinais clínicos:
 
- Tipo laríngeo da intoxicação: Animais começam a apresentar pêlos arrepiados, perda de peso e andar cambaleante, tristeza, indiferença, hemorragias cutâneas e das cavidades naturais como boca e fossas nasais, edema de garganta, aumento da temperatura corporal.

- Tipo entérico da intoxicação: Anorexia, depressão, enterite, fezes diarréicas de cor escura e com coágulo de sangue, mucosas pálidas com petéquias, temperatura elevada, hemorragias no local de picada de insetos ou de agulhas.

- Forma crônica da intoxicação: A principal alteração clinica é a presença de hematúria enzoótica (sangue), mas também são freqüentes os carcinomas epidermóides no esôfago, faringee rúmen, com tosse, dificuldade de apreensão e deglutição dos alimentos. Achados de necropsia

- Forma aguda da intoxicação: Palidez das mucosas da vagina e gengiva, petéquias na mucosa vaginal, hemorragias na forma de sufusões na serosa das cavidades abdominais e torácica. Também são observadas hemorragias nas fáscias musculares e sufusões no endocárdio, úlcera na mucosa intestinal. Tanto o fígado, como rins e pulmões, apresentam áreas de infarto e necrose.

- Forma crônica da intoxicação: Bexiga com conteúdo urinário de cor vermelha e, às vezes, com coágulos sanguíneos. Tanto na faringe, como no esôfago e rúmen, são observados papilomas de diversas formas, carcinomas na base da língua, nódulos firmes na bexiga.

Tratamento: Não há tratamento terapêutico eficaz.

                                 Mamona                                             Barbatimão

Nome: Ricinus Communis
 
Família: Euforbiaceae

Nomes vulgares: Mamona, carrapateira, palma-de-cristo, regateira 

A intoxicação natural pela planta tem sido registrada na região nordeste, devido à fome. Quanto aos princípios tóxicos, as folhas possuem a ricinina, responsável por sintomas neuromusculares, que não possui efeito cumulativo e as sementes possuem uma toxalbumina, a ricina, além de uma fração alergênica (complexo proteína-polissacarídeo), uma lípase, traços de riboflavina, ácido nicotínico e óleo de rícino.

Sinais clínicos:

- Quando os animais ingerem as folhas e pericarpo dos frutos: inquietação, andar desequilibrado, necessidade de deitar após certa marcha, tremores musculares, sialorréia, eructação excessiva, atonia ruminal.

- Quando os animais ingerem as sementes: diarréia sanguinolenta, dores abdominais, anorexia, incoordenação, insuficiência respiratória, insuficiência renal aguda (uremia).

Achados de necropsia: Gastroenterite hemorrágica Tratamento: Soro anti-rícino, Antiespasmódicos, hidratação parenteral.

Nome: Stryphnodendron spp. (Obovatum, Coriaceum, Barbatimao, Adstringente, Barbadetiman)

Família: Leguminosae

Nome vulgar: Barbatimão

Árvore descrita nos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Maranhão e Piauí. Os princípios tóxicos da planta são os taninos, presentes na casca da árvore e as saponinas, presentes nos frutos. As intoxicações ocorrem com mais freqüência de junho a setembro, principalmente em animais que estão passando fome, que comem as favas que caem no chão.

Sinais clínicos da intoxicação: Apatia, anorexia, ressecamento do focinho, atonia ruminal, emagrecimento progressivo, sonolência, hipotermia, tremores musculares, lacrimejamento, sialorréia, erosões na mucosa bucal, lesões de pele, polaciúria (micções muito freqüentes e pouco abundantes).

Achados de necropsia: Gastroenterite discreta, intestinos quase vazios, fígado levemente amarelado, bile com cor vermelha escura a amarela, rins pálidos e ligeiramente aumentados de volume, baço com discreta hiperemia.

Tratamento: Administração de purgantes oleosos e salinos, soro glicosado e anti-histamínico, aplicação de pomadas e ungüentos nas lesões de pele.

Nome: Lantana spp. (Camara, Brasiliensis, Fulcata, Glutinosa, Tiliaefolia)

Família:
Verbenaceae

Nomes vulgares: Chumbinho, camará, cambará, margaridinha

            Lantana spp Fonte: : http://www.rain-tree.com/Plant-Images/Lantana_camara_p3.jpg

Planta com ampla distribuição pelo Brasil sendo descrita nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. As intoxicações ocorrem mais situações de escassez de alimento e superlotação de pastagens, após as primeiras chuvas, pois a planta brota mais rapidamente. Os princípios tóxicos são o Lantadene B e Lantadene A.

Sinais clínicos:

- Curso agudo da intoxicação (24- 48 horas): Apatia, anorexia, midríase, icterícia, fezes moles e com sangue, edema de faces e membros, urina de cor escura, lacrimejamento, sialorréia, fotossensibilização.

- Curso crônico da intoxicação (15-42dias): Manifestações de fotossensibilização hepatógena como eritema, edema inflamatório das partes claras, com exsudato seroso e face ventral da língua ulcerada; diminuição ou parada dos movimentos do rúmen, inquietação, icterícia, urina de coloração marrom, fezes ressecadas, nefrose, mumificação da pele nos animais que não morrem.

Achados de necropsia: icterícia generalizada, fígado aumentado de tamanho e de coloração alaranjada, vesícula biliar distendida e edemaciada, rins com edema de pélvis e urina de coloração marrom, pele com lesões de fotossensibilização.

Tratamento: soro glicosado, purgantes salinos, pomadas a base de vitamina A e zinco nas lesões de pele, corticóide, antibióticos, anti-histamínicos, rumenotomia com remoção do conteúdo e substituição por conteúdo ruminal normal.


Nome: Enterolobium spp. (Contortisiliquum, Schomburgkii, Gummiferum)

Família: Leguminosae

Nomes vulgares:
Enterolobium contortisiliquum: Orelha-de-macaco, timbaúba, tamboril-da-mata
Enterolobium schomburgkii: Tamboril-da-mata
Enterolobium gummiferum: Tamboril-do-campo, orelha-de-onça, vinhático-do-campo

                     Enterolobium spp     Fonte: http://www.cit.rs.gov.br/v2/plantas/20.gif

Distribuição da planta: E. Contortisiliquum: Amazonas, Mato Grosso, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul E. Shomburgkii: Amazonas, Pará, Rio de Janeiro, Minas Gerais E. Gummiferum: Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás, São Paulo e região Centro-Oeste do Brasil.

Os animais se intoxicam através da ingestão da fava, que tem boa palatabilidade, e as intoxicações são mais freqüentes durante a seca. Os princípios tóxicos são as saponinas (gitogenina, digitogenina).
 
Sinais clínicos:
Curso agudo da intoxicação: Diminuição ou ausência completa de apetite, apatia, fezes extremamente diarréicas, sede intensa, desidratação, diminuição da freqüência cardíaca e respiratória, corrimento nasal seroso bilateral.
Curso crônico da doença: Apatia, anorexia, diarréia com fezes pretas e fétidas, mucosa ocular ictérica, lesões de pele do tipo fotossensibilização.

Achados de necropsia :

- Curso agudo da doença: Presença de sementes de Enterolobium spp. no rúmen, fígado aumentado de volume e com pontilhado branco na superfície do parênquima, gastroenterite catarral, intestinos vazios e mucosas congestas, icterícia generalizada.

- Curso crônico da doença: icterícia generalizada, lesões de pele tipo fotossensibilização, lesões necróticas de pele e tecido subcutâneo.

Tratamento: Soro glicosado, anti-diarréicos, pomadas cicatrizantes.

Plantas Cianogênicas: Graminae: Shorgum vulgare: sorgo Shorgum halepense (sorgo-de-alepo) Shorgum sudanense (sorgo-sudão, capim-sudão) Leguminosae: Trifolium repens (Trevo-branco) Rosaceae: Prunus sphaerocarpa (Pessegueiro-bravo) Caesalpinaceae: Holocalyx glaziovii (Alecrim-de-campinas) Euphorbiacea: Manihot spp. (Mandioca)

Os ruminantes são os animais mais sensíveis, devido ao pH ruminal, ao contrário dos monogástricos, os quais o pH do estômago inativa as enzimas hidrolíticas da planta. As plantas cianogênicas contêm o ácido cianídrico(HCN),formando compostos cianogênicos , geralmente glicosídeos ou hidroxinitrilos.

Sinais clínicos: Dispnéia, tremores musculares, excitação, salivação, lacrimejamento, incoordenação, opistótono, decúbito, convulsões, dilatação de pupilas.

Achados de necropsia: Mucosas avermelhadas; sangue vermelho-brilhante, que coagula com dificuldade; petéquias no abomaso e intestinos; rúmen com cheiro de amêndoas amargas, musculatura escura.

Tratamento: Administrar soro com nitrito de sódio e hipossulfito de sódio Pithomyces Chartarum Fungo da família Dematiaceae, que contamina gramíneas (Brachiaria Decumbens, B. brizantha) e leguminosas (trevo-branco, trevo-subterrâneo). Em condições especiais, usualmente quando há matéria vegetal morta, produz uma micotoxina denominada esporodesmina, com ação hepatotóxica que leva a um quadro de fotossensibilização.

Sinais clínicos: Depressão, anorexia, icterícia obstrutiva, edema e hiperemia das partes afetadas; hipersensibilidade nas orelhas levando ao desprendimento da pele e porção inferior necrosada que resulta no dobramento de suas pontas; ulcerações generalizadas da pele com desprendimento (barbela, região posterior e interna dos membros traseiros, tetos e flancos). Nos casos mais graves, geralmente o animal apresenta anemia, edema acentuado da barbela, nítida perda de peso, hemoglobinúria, bilirrubinúria e icterícia generalizada, queda de pêlos, aumento da temperatura corporal.

Achados de necrópsia: Icterícia, fígado aumentado de tamanho e apresentando coloração amarelada, ductos hepáticos obliterados pela bile, vesícula biliar aumentada, rins com petéquias, esplenomegalia, lesões de pele, hemorragias no epicárdio.

Tratamento: Soro glicosado, anti-histamínico, ADE injetável e óxido de zinco.

Controle: Retirar os animais das áreas contaminadas nos períodos de maior incidência da doença (chuvas) e passar para áreas com outros tipos de gramíneas.

Referência Bibliográfica:

Melo Martins, M. Plantas tóxicas para bovinos no Estado de Minas Gerais. Caderno técnico da Escola de Veterinária da UFMG,n.24,p.5-52,1998.

Fotos:

-http://www.vet.uga.edu/VPP/NSEP/toxic_plants/Images/toxicplants/senecio/sbrasiliense.jpg

-http://picasaweb.google.com/leonaruto.leonardo/ToxicologiaPRATICA#5215072292738595218

- http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/livros/plantastoxicas/espichadeira2.jpg

-http://www.pittwater.nsw.gov.au/__data/assets/image/0012/9003/lg_Green-Cestrum-fruit.jpg

- http://www.rain-tree.com/Plant-Images/Cassia_occidentalis_p2jog.jpg

- Fonte: http://www.killerplants.com/media/images/temp/Ricinus-communis.jpg

- Fonte: http://www.rain-tree.com/Plant-Images/Stryphnodendron_barbatimao_p1.jpg


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Comentários

Paulo Carvalho - 09/01/2014
Paulo Carvalho
Gostaria de saber se existe e onde estudos para uso medicinal destas plantas tóxicas.
José Flávio - 31/07/2013
José Flávio
Postem fotos do timbó.
adilson ramos tomaz - 22/01/2013
adilson ramos tomaz
Gostaria de saber se tem alguma pesquisa sob tingui.
Equipe Rehagro - 23/01/2013
Equipe Rehagro
Adilson, é necessário que você envie uma foto do Tingui ou o nome científico. Pelo nome popular não é possível saber qual é a planta, pois em cada região tem um nome diferente.
Filipe Marotta Couto - 22/12/2011
Filipe Marotta Couto
Ao autor, meus cumprimentos pela excelente ação em todo o Brasil. Os produtores sabem da existencia das ``ervas´´(plantas tóxicas), mas não a reconhecem. Este artigo não só mostra a foto das mais comuns (facilitando o reconhecimento) e letais como explica sua ação no organismo do animal e achados pós morte (necropsia). PARABÉNS À REHAGRO PELA ORIENTAÇÃO .Filipe Marotta Couto Betim M.G\r\n
Equipe ReHAgro - 09/12/2011
Equipe ReHAgro
Vilma, é necessário que você solicite a visita de um engenheiro agrônomo para identificar a planta para você.
Equipe ReHAgro - 25/08/2011
Equipe ReHAgro
Olá Lucimar! A casca não causa problemas ao animal. Mas, com o passar do tempo as árvores morrem e o pasto fica sem sombra. O ideal é que você coloque telas nos pés de eucalipto até a altura que os animais alcançam.
Equipe ReHAgro - 15/07/2011
Equipe ReHAgro
Prezado Zeca, é necessário que você fale qual o nome científico da planta, pois em cada região a planta tem um nome popular, portanto, fica difícil saber qual é a planta. Descreva os sintomas que esta planta também causa.
Mari Barrios - 13/03/2011
Mari Barrios
Seria possível enviar para meu email mais fotos da planta suma roxa. Agradeço desde já e aguardo. Mari
Equipe ReHAgro - 14/01/2011
Equipe ReHAgro
Leitor, nomes populares de espécies vegetais variam de região para região, portanto, para garantir maior confiabilidade da informação que nos foi solicitada pedimos que envie uma foto da planta em questão. Em nossa região (centro de Minas) é comum chamarmos a mamona (Ricinus communis L.) de regateira, mas na sua região pode existir outra planta com o mesmo nome vulgar.
adryanline@bol.com.br - 14/01/2011
adryanline@bol.com.br
Essa maria-preta é o mesmo que maria regateira?