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Descubra a importância do pastoreio rotacionado para sistemas de criação de bovinos de corte

Descubra a importância do pastoreio rotacionado para sistemas de criação de bovinos de corte
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O Brasil é o maior exportador e o segundo maior produtor de carne bovina do mundo. Apesar disso, ele ainda possui baixa produtividade por hectare, de cerca de 30 kg de carne/ano. Isso é devido a inúmeros fatores, mas, com certeza, um dos maiores, que pode ser considerado como um gargalo, é o manejo de pastejo incorreto. Manejo de pastejo é associação entre solo-planta-animal, onde todos estes devem estar em harmonia para atingir uma alta produtividade com sustentabilidade.

Método de pastoreio é a técnica ou procedimento de manejo de pastagem. Existem vários métodos de pastoreio, do mais simples ao mais complexo, sendo eles, respectivamente: pastoreio contínuo, pastoreio diferido, pastoreio rotacionado, pastoreio desponte/repasse.

O pastoreio rotacionado, é o método utilizado para intensificação da produção. Este método aumenta o ganho por área, mas dependendo da pressão de pastejo pode diminuir o ganho individual por animal. Ele dá a possibilidade de utilização de altas cargas animais, de 2 a mais de 5 U.A/ha.média.ano.

Para a implantação do pastoreio rotacionado, devem-se levar em consideração o número de animais a serem manejados desta forma e o potencial de crescimento da forrageira. A partir do diagnóstico da situação atual, as áreas degradadas devem ser recuperadas. Áreas com forrageiras de alto potencial, com baixa carga animal em método de pastoreio contínuo ou rotacionado, resultam em áreas de pasto desuniforme. Aparecem, então, áreas sub pastejadas, onde o pasto está “sobrando” (ver figura 1) junto de áreas de superpastejo, onde se observa o oposto. Assim, o gado passa a evitar as áreas sub pastejadas, pois o capim fica passado. Já as áreas de superpastejo (ver figura 2), acontecem pelo hábito dos bovinos em pastejar sempre a rebrota do capim. Isso traz graves consequências, pois abre uma porta para o aparecimento de plantas invasoras, além de expor a superfície do solo nesses locais. Comumente, essas áreas são próximas aos bebedouros e comedouros. Deve-se, então, para então implementar o método de pastoreio rotacionado, uniformizar o pasto, colocando um lote grande de animais nessas áreas, a fim de obrigá-los a comer o que está sobrando, ou então roçar.

A escolha da forrageira é muito importante. Cada forrageira possui uma característica agronômica distinta, que se adequa melhor em determinadas condições climáticas, topografia, fertilidade e característica física do solo dentre outras. È necessário um período de descanso pós-pastejo que deve ser respeitado para que a planta consiga se recuperar e acumular reservas orgânicas. As forrageiras que possuem essa característica, então, encaixam-se muito bem ao método rotacionado. Algumas forragens que funcionam muito bem no rotacionado são: as de porte maior como, por exemplo, Mombaça, Tanzânia, Tobiatã, Andropogon, Capim-elefante, e as forrageiras de porte baixo, como a maioria das braquiárias.

                            área de sub pastejo            Área de sub pastejo

área de super pastejo raso

Área de superpastejo

Implantação do pastoreio rotacionado:

Para implantação desse método, o primeiro passo é: mapear toda a área de pastagem efetiva da fazenda com GPS (sistema de posicionamento global), e criar um mapa em um software como por ex. o AutoCAD®. Feito o mapa, são desenhadas as divisões das áreas em módulos e piquetes (ver imagem 4). Para saber o número de piquetes que se deve fazer é muito fácil. Existe uma conta bem simples, mas antes é preciso fazer uma observação sobre período de ocupação e período de permanência. O primeiro é o tempo total em que o piquete fica ocupado por animais no caso de mais de um lote (manejo de desponte/repasse). Já o período de permanência, é o período em que um determinado lote permanece no piquete. Assim, pode-se dizer que quando apenas um lote ocupa um piquete, o PP=PO. É importante conhecer essas diferenças para não errar na hora de calcular o número de piquetes.

NP =   PD + 1 (nº de lotes)

PP

Onde:

NP = número de piquetes

PD = período de descanso

PP = Período de permanência

Definido o número de piquetes, o próximo passo é instalar as cercas na propriedade. As divisões dos piquetes podem ser feitas com cercas elétricas, pois, o investimento na implantação tem sido de duas a quatro vezes mais baixo quando comparado com a implantação de cercas convencionais, de arame liso ou farpado. Os piquetes devem ser quadrados ou retangulares. O comprimento não deve passar de 3 vezes o da largura. Para economizar em instalações, construir praças de alimentação com saleiro e água, comuns a mais de um piquete, como mostrado no esquema 1. Não é interessante fazer piquetes muito grandes para que não ocorra o sub e super pastejo. Os bovinos têm uma característica forte, eles preferem pastejar a uma distância de até 200 metros da água, deixando de comer em áreas cuja distância ultrapassam 600 metros. Eles só pastejam após 1,6 km de distância da água, quando 40 a 50% da forragem já tiver sido consumida.

Depois de preparadas as instalações, deve ser iniciado o manejo. O lote entra no primeiro piquete do módulo, ocupa esse piquete por um determinado tempo (PO), depois segue para o próximo piquete, e assim por diante, (ver esquema 1) completando então o ciclo de pastejo (CP). O ciclo de pastejo nada mais é que a soma do período de ocupação (PO) com o período de descanso (PD). O período de ocupação (PO) é o tempo em que os animais ficam no piquete e o período de descanso (PD) é o tempo entre os pastejos.

Mapa da fazenda X, desenhado no AutoCAD®, a partir do GPS. Fonte: Aula de elaboração de projetos para pecuária de corte – Paulo César Costa – Equipe ReHAgro.

Divisões dos módulos e piquetes para o rotacionado. Fonte: Aula de elaboração de projetos para pecuária de corte – Paulo César Costa-Equipe ReHAgro.

Para simplificar então temos o seguinte cálculo:

CP =  PO + PD

CP= Ciclo de pastejo

PO=Período de ocupaçãoPiquetes de rotação de pastagem

   Esquema 1 – Piquetes de rotação de pastagem, com praça de alimentação comum entre 4 piquetes mostrando como deve funcionar um rotacionado.

Altura de entrada no piquete:

A altura de entrada é uma característica particular de cada forragem, e é um dos pontos mais importantes para um manejo de pastoreio rotacionado adequado. Erros neste ponto causam perdas na produção do capim, levando à baixa produtividade ao longo do ano. Foram conduzidos inúmeros estudos e experimentos para estabelecer a altura de entrada de cada forragem. Sabe-se que quando a planta atinge o valor de 95% de interceptação luminosa, rapidamente ela passa do estágio vegetativo para o reprodutivo, alongando suas hastes, aumentando a distancia entre folhas e dificultando a colheita dos animais. No momento em que a planta recebe na sua base apenas 5% de raios de luz, haverá boa quantidade de folhas em relação a hastes e material morto (ver gráfico 1).     intercepção luminosa

Gráfico 1 – Este gráfico mostra a situação quando temos intercepção luminosa em 95%.

Fonte: Aspectos agronômicos para produção intensiva de leite a pasto – Sila Carneiro da Silva e Domício do nascimento.

Tabela 1- Essa tabela indica algumas alturas de entrada e saída de diversas forragens em diferentes épocas do ano. Fonte: Como planejar o pastoreio – Adilson Aguiar.

Altura de saída:

A altura de saída também é um ponto importante, mas não tão importante quanto a altura de entrada. Se mal manejada na altura de saída a planta terá dificuldade no seu restabelecimento pós-pastejo. Mas o que é o ideal? Devemos analisar então se é um sistema intensivo, com uma alta quantidade de nitrogênio no solo, associado a uma alta eficiência na coleta dos animais. Nestes casos, a altura de saída pode ser mais baixa.

Para definirmos o tempo ideal de cada piquete, devemos estar atentos a inúmeros fatores, como: espécie da forragem, condição climática da região, topografia, densidade animal, adubação, pragas e doenças, condição de sombreamento, fertilidade do solo. Este período deve ser bem respeitado para que o pasto residual consiga, então, rebrotar rápido e com vigor, para que a produção seja boa.

É possível perceber que a viabilidade de implementação deste método é alta para sistemas de criação mais intensivos de bovinos de corte, pois o ganho/área é muito superior ao de outros métodos de pastoreio. Porém, o manejo não é simples. É necessária muita atenção para que não ocorram erros, principalmente ao observar a altura de entrada. Erros na altura de entrada podem levar a prejuízos enormes, e o que poderia apresentar ótimos resultados, pode se tornar um desastre.

 

Bibliografia

CORSI, M.; NASCIMENTO JR., D. Princípios de fisiologia e morfologia de plantas forrageiras aplicados no manejo das pastagens. Pastagens – Fundamentos da exploração racional 2ª ed. Piracicaba: FEALQ, 1994.

DA SILVA, S.C. Características morfofisiológicas e respostas funcionais de plantas forrageiras e animais submetidos a pastejo. Piracicaba: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2002. Tese (Livre Docência), ESALQ, 2002.

DA SILVA, S.C.; NASCIMENTO JR., D.; MONTAGNER, D.B. Desafios da produção intensiva de bovinos de corte em pastagens. In: SIMPÓSIO SOBRE DESAFIOS E NOVAS TECNOLOGIAS NA BOVINOCULTURA DE CORTE, 2005, Brasília. Anais… Brasília: UPIS, 2005. 

LARCHER, W. Ecofisiologia Vegetal. São Carlos: Editora RiMa Artes e Textos, 2000.